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Card-sorting é melhor que buraco

O card-sorting é uma técnica usada por arquitetos da informação para descobrir como o usuário classifica determinada informação em sua mente. Gosto de buraco, mas card-sorting é ainda melhor porque não depende da sorte para o jogador ganhar!

O buraco a que me refiro é aquele jogo de cartas cujo objetivo é juntá-las em sequências lógicas, formando trincas e canastras. O card-sorting é uma técnica usada por arquitetos da informação para descobrir como o usuário classifica determinada informação em sua mente. Gosto de buraco, mas card-sorting é ainda melhor porque não depende da sorte para o jogador ganhar!

Ontem terminei de aplicar a técnica com 19 usuários do website da UFPR e estou muito feliz com o resultado. O procedimento foi bem simples:

  1. Escrevi 20 cartões (10x7cm) que descrevem determinados conteúdos que estão contidos no website atual (para isso foi tão importante o inventário de conteúdo), por exemplo:
    Orientação vocacional, explicação sobre cotas, Provar, processo seletivo para pós-graduação, semana do trote, prova do vestibular, estatísticas
  2. Agrupei os cartões em 11 categorias, formando o esboço da taxonomia do website. Criei mais outras 6 categorias alternativas que poderiam ser escolhidas pelos usuários
  3. No total, foram 17 cartões de categorias (17x5cm) para classificar os cartões de conteúdo, tais como: Academia, Administração, Entrar na UFPR, etc.
  4. Fui para as bibliotecas da universidade porque lá tem mesas e usuários não muito ocupados
  5. Perguntei se o usuário tinha 5 minutos para responder uma pesquisa acadêmica e, caso sim, expliquei que bastava que ele pegasse um cartão do monte e escolhesse a categoria mais adequada. Apesar de ter 17 categorias no total, só poderiam ser usadas 10 no máximo. A mesa ficou mais ou menos assim:

    Exemplo parcial de um card-sorting
  6. Anotei quando os usuários não entendiam alguma categoria ou conteúdo do cartão e quando faziam alguma observação
  7. Anotei os códigos contidos atrás de cada cartão, relacionando ao código da categoria escolhida (nos cartões eram letras de "a" a "q", nas categorias, números de 1 a 20)
  8. Levei o resultado para casa e coloquei no modelo de planilha do Excel que esse tutorial explica como usar
  9. À partir do resultado gerei a taxonomia final do website

Aa taxonomia é o conjunto das categorias em que será classificado cada conteúdo do website. Ela será a base para especificar metados num gerenciador de conteúdo, quanto para gerar a hierarquia de páginas e o menu de navegação.

A taxonomia é o cerne da arquitetura da informação, por isso é tão importante envolver o usuário no seu desenvolvimento. Se o menu de navegação não fizer sentido para o usuário, o website estará inutilizado.

Abaixo, segue a taxonomia que esbocei antes de fazer o teste, a gerada pelas escolhas do usuário e a final. Note como as escolhas do usuário deixam claro aquilo que precisa ser mudado e o que funciona e como isso auxilia a gerar uma taxonomia muito mais precisa e abrangente que a inicial. De quebra, ainda consegui rotular os agrupamentos.

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Para alguns pode parecer chato, mas eu acho muito legal esse assunto. Mais interessante que jogar buraco, pelo menos. Ainda há muito a ser falado sobre essa técnica, mas fica aqui uma rápida introdução ao assunto.


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Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 20/11/2004

Palavras-chave

card    sorting    cartão    taxonomia    classificação    

Opções



Comentários

Discussão
renato cruz
05/10/05 às 02:08

Nada melhor que os próprios usuários escolherem como a informação será ordenada e apresentada! Muito boa esta técnica, ainda não conhecia.

E o melhor, vc mostrou que é bem simples empregar esta metodologia.

Mas fica uma questão:
E se as categorias escolhidas por vc for inadequadas para os usuários? Não seria melhor se os usuários escrevessem o nome de uma categoria mais apropriada ao invés de escolher algumas categorias pré-estabelecidas?


Discussão
Fred
05/10/05 às 11:32

Quando você já tem uma taxonomia mais ou menos definida, você pode partir para um card-sorting fechado, como o que fiz. Porém, eu ainda ofereci rótulos alternativos (sinônimos) para as categorias que havia projetado, aumentando a margem de liberdade para o usuário.

O card-sorting aberto é quando vocÊ dá os cartões de categoria em branco e deixa o usuário escrever o que quizer. O problema é que dependendo da ocasião, ele pode criar apenas duas categorias, que abarcam todos os cartões, o que não ajudaria a criar um esquema de classificação abrangente.


Discussão
Bruno Dario
16/03/09 às 16:28

Ficou bem claro como aplicar e para que serve o Card-sorting.

Qual método de amostragem você utilizou para saber quantos usuários do site deveria entrevistar?


Discussão
Fred van Amstel
16/03/09 às 18:09

Como este card-sorting não visava ter representatividade estatística, aplique apenas como método exploratório, seguindo a recomendação de Nielsen de pelo menos 15 usuários.

http://www.useit.com/alertbox/20040719.html


Discussão
Leandro
23/04/09 às 21:47

Ótimo tudo isso!
Pretendo aplicar essa técnica para uma intranet extensa que vamos remodelar, afim de organiza-la de forma mais eficiente.
Esse artigo me ajudou a ajustar melhor a ideia e deu uma visao mais prática do método.

Obrigado!
Abraços.


Discussão
Elisabete
14/07/09 às 00:16

Oi,
estou procurando informações s/a tecnica card sortin, gostei da sua explicação, mas não entendi o motivo de ter dois tamanhos de cartão? 20 de 10x7 e 17 de 17x5.

colega, poderias me esclarecer?

[email protected]


Discussão
Frederick van Amstel
14/07/09 às 11:31

Elisabete, os tamanhos diferentes eram para facilitar a distinção visual entre os cartões de conteúdo e os cartões de categorias (em que os cartões de conteúdo deveriam ser classificados).


Discussão
Mateus Giuliano
11/06/10 às 17:35

Interessante a métodologia, porém nesse caso você só abordou pessoas que já estão ligadas a UFPR, que frequentavam a biblioteca, porém imaginamos o seguinte:

1) Futuros integrantes da UFPR, ou seja, vestibulandos - foram desprezados;
2) Empresas que querem entrar em contato com a UFPR ou com um de seus laboratórios - foram desprezados;

São só alguns casos, claro que o maior público, os estudantes da universidade foram atingidos, embora se for analisar períodos sazonais como época de vestibular os mais interessados no site é outro público.

Porém não desmerece em nada a técnica que acredito muito eficiente. Vou ajustar a minha realidade e provavelmente aplicá-la.


Discussão
Deivid Silva
08/01/11 às 07:50

O assunto é bem legal. Estou iniciando neste assunto. Sinto que ainda não encontrei um passo-a-passo de como realizar este tipo de teste. Se vc puder escrever algo do tipo seria bem legal.
Mas mesmo assim valeu. Sempre acompanho seus posts.




Comente.






(aguarde que é demorado mesmo...)


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