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Catálogos impressos na Web

Na ArqHp, Theofilho Mathias perguntou como convencer seu cliente a não mudar sua loja de HTML para esse modelo da Digitalpages, que tenta imitiar em Flash um catálogo de vendas impresso. O pessoal da lista foi unânime: alerte para o encarecimento do custo. O Irapuan Martinez foi além e citou as desvantages de interação daquele formato:

Virar folhas de revistas reais é um esforço. Pra querer repetir, no meio on line, O ESFORÇO DA VIDA REAL? E pelo menos, o folheto posso aprochegar perto das janelas da alma e conseguir ler as letras miúdas. Com o jornalzinho em mãos, não preciso clicar, lançar uma folha nova (pop up) e esperar uma segunda animação Flash carregar o que quero ver mais detalhado.

É um esforço patético. Se web não é TV, que dirá, uma publicação com páginas a serem viradas.

Por outro lado, Simone Villas Boas comenta a favor do catálogo online de uma loja de móveis e decoração que também transpunha seu catálogo impresso na Web:

As vantagens de se fazer um sistema assim para um catálogo on line vai além do custo. O público-alvo desta empresa acessa sites como este há muito menos tempo do que os catálogos reais. E mesmo viciados em rede como nós, desenvolvedores, temos que confessar que ainda nos sentimos muito mais confortáveis em folhear revistas do que ler no monitor. Quando se menciona um catálogo para qualquer um, a primeira idéia que vem à cabeça ainda é um livreto. Por que não aproveitar esta sensação no usuário? Acabar fazendo disso uma metáfora bem construída que vá auxiliar o usuário e não confundí-lo mais?

Apesar de não estar mais disponível o catálogo a que ela se refere, posso adiantar para vocês que ele era muito mais funcional do que a versão do Digital Pages. Você tinha a imagem geral da página, composta pelos textos (que só podiam ser lidos caso o usuário desse o zoom) e as fotos dos ambientes, decorados pelos produtos que estavam sendo vendidos. Em volta dos produtos, havia um discreto quadrado branco que indicava que o usuário poderia clicar para saber mais sobre ele. Ao fazer isso, ele tinha essas informações ali no Flash mesmo, sem a necessidade de um popup, como no caso da Digitalpages.

De qualquer forma, os dois formatos são, no geral, muito menos usável do que uma loja virtual tradicional, por isso era só uma opção de luxo a mais na Crate & Barrel.

O problema do exemplo do Pão de Açúcar, é que ele é muito pior do que e não redirecion para a loja virtual que já existe, mesmo exigindo o cadastro para ver o que oferece. Não sei como conseguiram vender isso para eles.

Veja o que diz no site do formato Digitalpages:

Pensada para o máximo conforto do usuário, sua operação é rica em look and feel, pois simula o manuseio de páginas de papel. Por meio de interações animadas, o usuário folheia as páginas das publicações com a possibilidade de zoom nos assuntos de interesse, para uma leitura e visualização nítidas e de altíssima qualidade. Além disso, é possível a navegação não-linear diretamente para páginas ou assuntos específicos.

Não vejo riqueza nenhuma no efeito de virar página, aliás, acho isso enervante. A possibilidade de dar zoom em áreas de interesse é malograda porque não é possível identificar o conteúdo das áreas para julgar se é interessante ou não. A única pista que temos é o visual geral da páginas, mas isso é muito pouco. Ficar dando zoom e voltando em vão até achar algo que preste, é deveras cansativo.

Pela quantidade de ajuda para indicar ao usuário como navegar pelo panfleto do Pão de Açúcar, o argumento da Simone parece que neste caso não se aplica. A metáfora do catálogo impresso aqui não serve para ajudar a transpor o conhecimento do usuário sobre o mundo real para a interface digital. Aliás, já comentei que quando sentimos a necessidade de explicar uma metáfora, é como explicar a piada: não tem graça nenhuma.

Se disponibilizassem o PDF para impressão e incentivassem o usuário a fazer isso, seria mais adequado no caso das revistas online. No caso dos panfletos de promoção, dava pra colocá-los de forma que se tornassem legíveis sem a necessidade de zoom e usar as barras de rolagem do navegador mesmo para permitir o avanço na leitura e hotspots em volta dos produtos.

Ainda desconfortável, mas é o máximo que se pode fazer de uma idéia ruim: transpor conteúdo impresso para a Web. Melhor seria adaptar para suas características intrísecas, mas aí reconheço que o custo poderia inviabilizar alguns dos casos explorados pela Digitalpages.


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Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 20/12/2004

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