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Como fazer um bom briefing de website

Reflexão sobre o projeto é fundamental.

Refletindo sobre objetivos

Para escrever um bom briefing, é preciso certa experiência. O texto que segue foi escrito há três anos atrás, quando trabalhava numa agência de propaganda como webdesigner. É uma tentativa de compartilhar minha experiência com os leitores deste blog, que vivem me mandando mensagens perguntando como fazer um briefing. Sempre tento explicar que briefar não é somente preencher um formulário com os dados do cliente e da peça a ser produzida para servir de contrato entre designer e cliente, mas sim uma atividade de projeto.

Para decidir o que entra no briefing, é preciso pesquisar, refletir e negociar. O briefing vai guiar todo o projeto, ele não pode ser considerado uma ferramenta trivial. Mesmo que o briefing não seja oficializado, escrito ou assinado, ainda assim as decisões de design que ele costuma encerrar estarão nas mentes, nas conversas e nos papéis das pessoas que participam do projeto.

Definição do objeto

Esta é a parte mais delicada do briefing. Se fechar demais a definição do objeto, poderá ficar preso a elas até o final do projeto, mesmo que se constate depois que não são ideais; se for muito genérico na definição, pode deixar o projeto sem rumo, divagando em possibilidades infinitas sem sair do lugar.

A melhor estratégia que encontrei até agora foi definir o tipo de objeto (website, hotsite, CD-Rom, animação e etc) e agregar apenas as características que a pesquisa inicial indicar como interessantíssimas. O segredo é saber escolher as características que vão transmitir a sensação ao leitor do briefing de que ele sabe do que se trata e que isso é uma boa coisa.

Pesquisa

Fazer pequenas pesquisas não leva muito tempo. Navegar pelos websites da concorrência e anotar o que estão fazendo de bom ou de ruim é o primeiro passo para definir o diferencial do projeto. Conhecer melhor a empresa já é uma obrigação mesmo, então não custa anotar o seu diferencial competitivo. O público-alvo às vezes parece óbvio, mas nunca se sabe com certeza que grupo de pessoas vai se interessar pelo serviço que será disponibilizado. Por isso, o designer tem que estar a par dos costumes das principais perfis de usuários da Internet da região. Tem gente que acessa para jogar, xeretar a vida alheia (blogs e afins), consumir pornografia, obter informações, procurar emprego, pesquisar e uma infinidade de outras atividades.

Conhecendo bem a tribo a que o usuário-alvo faz parte, fica bem mais fácil projetar. Se isso for possível, uma visita a um local onde hajam potenciais usuários do website já é suficiente para ambientar o designer. Imagine ir a um baile da terceira idade antes de projetar um website de um retiro? Emocionante não? Claro que não para o designer, mas sim para os velhinhos! Se o designer se coloca no lugar dos usuários, percebe que o que é feio para ele, é bonito para outros. Texto em fonte Verdana 18px é horrível para a maioria dos designer que conheço, mas para os idosos é ótimo!

Caso o artefato interativo seja usado numa situação específica, dados sobre esta serão de grande valia para o designer. Saber que o artefato será usado principalmente em ambiente coorporativo de escritório já deixa o designer com um pé atrás para usar sons. Se o ambiente for uma fábrica barulhenta, som será completamente inútil. Porém, no aconchego do lar, ele pode ser muito agradável caso seja associado ao entretenimento. Cyber-cafés e Lans-house equipadas com fones de ouvido também são propícias ao bom som, é claro. No entanto, esses lugares podem não ser muito bem iluminados, o que torna os contrastes mais fortes no monitor. Existem muitos fatores ergonômicos que podem influenciar o uso de um software ou website específico e, caso sejam recorrentes na situação de uso almejada, o projeto deve se adaptar a eles.

No caso de design de aplicações, a visita pode ser menos recreativa. Análises de tarefas e de workflow podem ser um tanto cansativas, mas são muito, muito valiosas quando a aplicação apresentar complexidade. Esse tipo de análise pode acontecer numa fase posterior ao briefing, mas antes de sair a campo é possível esboçar um fluxo de interação geral entre as pessoas que vão usar o sistema com base nas conversas iniciais com os clientes.

O tempo todo em que o designer estiver no local da situação, deve aproveitar para observar como as pessoas se comunicam. Não é necessário incorporar todo o vocabulário utilizado, mas certas palavras podem tornar a interface familiar. Também é interessante notar como outras mídias se comunicam com essas pessoas. Folderes, cartazes, outdoors, propagandas televisivas e jornais de áreas específicas devem ser analisados com carinho pelo designer. Que imagens são frequentes? Que ideologias estão por trás delas? Que valores são priorizados?

Comparar os websites que esse pessoal acessa com frequência, é mais interessante ainda. É possível identificar padrões, os clichês que funcionam e os batidos demais e aplicar ou não diretamente no design. Não que ele deva reproduzir somente o lugar-comum, mas deve ter elementos familiares aos usuários. Reproduzir o lugar-comum é fácil para o designer, mas buscar uma identidade única sem estraçalhar com os padrões estabelecidos é uma tarefa muito mais instigante. É como estar no limiar, tentando inovar mas sem colocar o carro na frente dos bois. Ser 100% correto não é possível na prática, mas o Zen nos ensina que devemos ser pelo menos 99%. O que vale é a intenção, ou melhor, o que vale é o retorno que o design vai dar.

Objetivos

O que se pretende comunicar? Vender um skate e acessórios? Apresentar dados demográficos da população brasileira? Mostrar que o filme "X" vale à pena assistir? Essa informação não precisa nem ser oficializada, desde que o cliente deixe bem claro o que quer para o designer. Entretanto, ela vai martelando na mente do designer até o final do projeto. Será seu norte, a base mais elementar para qualquer decisão do design. Assim como na programação orientada a objetos, todos os objetivos secundários do projeto herdarão a constituição do objetivo principal.

O objetivo deve ser claro e conciso, mas não pode lhe faltar especificidade, do contrário não tem utilidade. De que adianta ter como objetivo de um website "fornecer informações a quem se interessar por elas"? Qualquer website pode fazer isso, no entanto, cada website faz isso de forma diferente, pois existe uma intenção por trás do fornecimento de informações. O cliente pode dizer que o objetivo do website é "transmitir informações sobre os carros que sua empresa vende", mas isso não é o que a empresa realmente quer obter. O que a empresa quer é vender carros, mesmo que o website sirva apenas para influenciar um ato posterior de compra. "Vender carros" é o verdadeiro objetivo do website. As informações que serão transmitidas serão meros argumentos para convencer o consumidor.

Para atingir esse objetivo, a mensagem principal que deve ser transmitida é "os carros da nossa marca são os melhores para você". Não importa que informações serão utilizadas como argumento, a mensagem é a mesma. Como as possibilidades de argumentação são grandes, é interessante deixar documentada essa mensagem, de preferência no briefing do projeto ou em outros documentos primários, para que a imaginação não divague demais.

Aplicações também transmitem mensagens principais, embora não sejam tão explícitas. O anti-virús precisa transmitir a sensação de segurança; o Mozilla Firefox precisa mostrar que é melhor que o Internet Explorer sem ser muito diferente; e o Google precisa conquistar a confiança de que pode encontrar qualquer coisa.

Retorno do investimento

Você sabe o quanto vale o seu trabalho? Vale mais ou menos a metade daquilo que seu cliente vai ganhar com ele a curto prazo. Se o lucro almejado pelo cliente é grande, então o orçamento pro design deve ser grande, oras. No Brasil, é comum fazer das tripas coração no desenvolvimento de websites com os orçamentos apertados e os prazos curtos, mas é difícil alguém saber o quanto o cliente está lucrando com isso. Por isso, é interessante tanto para a equipe que desenvolve o projeto quanto para o cliente, calcular o Retorno do Investimento (ROI - Return On Investment).

O Retorno do Investimento é uma estimativa objetiva dos lucros que o projeto trará. Alguns tipos de retornos comums são:

  • corte nos custos
  • maior participação no mercado (market-share),
  • maior conscientização da marca (branding awareness)
  • aumento direto nas vendas
  • influência na decisão de compra
  • aumento de produtividade
  • aumento de audiência
  • atração de nova audiência
  • fidelização da audiência
  • aumento da credibilidade do negócio
  • aumento da satisfação subjetiva

Para definir o Retorno, basta reunir-se com os representantes da empresa e discutir o que se almeja e o que é viável obter com o orçamento destinado. Esse processo deve ser muito bem documentado já que, se o Retorno for alcançado, ele servirá como excelente argumento de venda dos seus serviços de design.

Entretanto, não adianta calcular antes e não verificar qual foi o Retorno concreto depois da execução do projeto. O cliente fornecerá os dados facilmente se ele estiver empolgado com o resultado. Do contrário, pode ficar a cargo da equipe do design checar isso. Vale à pena não só pelo valor comercial que esses dados tem, mas também pela gratificação ao designer responsável; faz bem para sua auto-estima.

Metodologia

Até aqui maravilhoso, mas é preciso cair na real e dizer como tudo isso vai acontecer. Descrever a metodologia dá grande credibilidade ao projeto, mas é preciso segui-la depois. Se comprometer com as ferramentas tecnológicas a serem empregadas no projeto também é complicado, mas pode ser necessário.

Nesse ponto não posso dar muitas mais recomendações, pois a forma de proceder estará determinada pelos elementos acima citados.

Uma ressalva

Esses eram os pontos que eu costumava pensar até alguns meses atrás em projetos tradicionais. Recentemente, estou tentando reduzir os pré-conceitos antes de ter contato com a realidade na própria situação de uso. Para entrar de cabeça no design participativo que acredito ser crucial para a Web 2.0, é preciso estar preparado para trabalhar sem briefing, do contrário fecha-se ou induz a participação das pessoas dentro daquilo que se quer obter delas. Se é pra participar, que seja participação pra valer!


Dicas

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Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 23/03/2007

Palavras-chave

briefing    planejamento    objetivo    roi    pesquisa    

Opções



Comentários

Discussão
Muniz
24/03/07 às 16:46

Ótimas recomendações Fred. Onde estou trabalhando agora quase sempre sinto falta de alguns detalhes nos briefings, mas por outro lado está servindo como um experiência nova, prefiro encarar assim. :)

Só queria avisar que link com o trecho "anotar o que estão fazendo de bom ou de ruim" está com o href errado e aproveitar pra tirar uma dúvida sem querer me intrometer demais no seu objetivo com o blog, mas já me metendo: seus artigos agora só linkam para você mesmo? Achei isso estranho, dos 9 ou 10 links desse texto só 1 é para texto de terceiros, você não acha que está perdendo boas conversações da blogosfera?


Discussão
Frederick van Amstel
24/03/07 às 19:55

Valeu pela dica, Muniz!

Para linkar, eu preciso lembrar do link enquanto estou escrevendo o texto e é claro que será mais fácil lembrar do que eu mesmo escrevi do que dos outros. Se tenho um link meu que cobre o mesmo assunto que um link externo, prefiro linkar minha própria página, não só por interesse meu em manter o leitor, mas também imagino que o leitor prefira permanecer num site familiar. Além disso, linkar textos antigos é uma forma de desenterrá-los dos arquivos para serem lidos e rediscutidos.

Se tiver algum link externo interessante sobre esse assunto, compartilhe conosco, por favor.


Discussão
Mateus
26/03/07 às 10:42

Olá Fred ! tudo bem?
Parabéns pelo Post.

Só acerte essa frase do box "comente": Palavras (HTML não, links assim http:// ... ) está meio confusa. Tente algo do tipo: Insira sua mensagem (Não é permitido o uso de HTML)

Abração,
mateus.


Discussão
Rogério Pereira
27/03/07 às 01:48

Muito bom o artigo. Estou trabalhando como arquiteto no Ministério da Cultura e vejo que os setores não tem o hábito de fazer o briefing para fazer um pedido de um site, seja ele externo ou mesmo na intranet. Estamos trabalhando em algumas partes para que o processo fique organizado e cada vez mais evolutivo, pois sem um detalhamento das informações, fica complicado fazer um projeto realmente como eles querem.

Tenho recomendado o seu blog, hojé é um dos maiores sites para quem está começando a estudar a experiência do usuário


Discussão
Caio
03/04/07 às 01:32

Gostei muito do artigo Frederick...
Sou novo na área, pretendo seguir na área e estou tentando aprender o máximo que posso...
Tenhos algumas perguntas para fazer a você, se for possível passe-me seu e-mail ou MSN...
Obrigado...


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Joel Sequeira
06/08/07 às 14:29

Gostei muito, sou webdesigner e retirei daqui muito boas ideias, obrigado.

p.s. adicionado aos favoritos


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Fábio Acácio de Medeiros
20/09/07 às 15:52

Eu preciso fazer um Atigo Ciêntifico, só que estou com muita dificuldade, estou no 6º perildo na área de Design gráfico,produto e web, poderia me dá alguma dica ou iformar algum site que possa me ajudá.

No Aguardo.


Discussão
Cláudio Neves
06/03/08 às 14:20

Excelente artigo. Mesmo hoje, depois de tanto tempo que foi publicado, pode ser considerado uma pérola encontrada em meio a um mar de informações na rede. Esse texto realmente adiciona valor ao trabalho de quem está planejando um blog ou site. Fazer um briefing realmente não é fácil, localizar informações pertinentes a respeito também não. Parabéns, e obrigado por sua liberalidade (e disponibilidade) em escrever tais orientações.


Discussão
Stela
31/07/08 às 12:10

Perfeitas as suas considerações, Fred.
Considero o briefing o DNA de qualquer projeto, a partir do qual vão se derivar todas as idéias. É um exercício não só de interpretação do desenvolvedor, mas principalmente de objetividade do cliente, que nem sempre sabe especificar sua real necessidade.
Aí, haja sensibiidade e faro para chegar ao X da questão e surpreeender o cliente com aquilo que ele sonhava mas não sabia o que era.


Discussão
Anselmo Jr.
03/08/08 às 22:39

Obrigado pelo artigo.
Me fez repensar algumas conceitos!


Discussão
Glenn Hudson
06/08/08 às 14:54

Achei muito bom essas dicas que você passou aqui.
sou estudante de publicidade e propaganda e creio que esses conceitos serão de grande importância pra mim que estou entrando no mercado agora.
gostaria que você se possivel me mandasse seu msn
agradeço a compreenção e fico muito grato pelas informações que aqui foram colocadas.


Discussão
Fernando
09/10/08 às 00:52

Obrigado pelas informações!
Sou novo (largando a engenharia para seguir a "voz" do coração - voz entre aspas pois ele anda um pouco mudo ultimamente, no bom sentido, espanto, susto, paralisado diante de uma maravilha sabe) neste ramo de webdesign e gostei muito das informações....

Muito obrigado!

Tem algum artigo, ou algum site, alguma indicação extra para me "ajudar"?

Obrigado novamente!

Paz!


Discussão
Carlos Machado
03/02/09 às 09:28

Parabéns!!!

Como desenvolvedores, passamos seguidamente por 'apertos' no sentido de fazer com que consumidores entendam o que é comunicação e como exerce-la via website.

Quem escolhe o 'médico mais barato' para cuidar de sua saúde?!

Por que desenvolver um site pensando em seu custo somente?!

Retorno, ROI, palavras 'mágicas'.

Saúde e Sucesso a todos.


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leticia
25/05/09 às 11:09

é valeu, entendi um pouco, mas vou tentar fazer esse briefing, para mercado de trabalho...
by

Ps. Vá nesse site e veja oque aprendi!!!
www.eurodata.com.br


Discussão
Carol
09/06/09 às 14:28

Muito bacana o texto, muito válido! No entanto, gostaria de saber um pouco mais como seria o briefing ideal para design de produto. Ele tem que ser muito detalhado ou não? Quais são as infomações mais importantes e necessárias para o designer?

Obrigada!


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Francisco Matelli
13/06/09 às 09:31

xeretar a vida alheia (blogs e afins)... discordo. Excelente texto.


Discussão
ana julia queroz do nascemeto
16/06/09 às 22:15

linda


Discussão
gwrgwregwe
15/12/09 às 13:46

Discussão
Marcio Rodrigues costa
04/02/10 às 19:34

Amei a colocação de:

Quem escolhe o Médico mais barato para cuidar da saúde. Incorporei direto para minhas argumentações com clientes "Pão-duristas", hheheheeh.

Triste é receber briefing de 9 pessoas que são a comissão do site, putz é o fim da picada.


Discussão
endim mawess
04/03/10 às 20:14

obrigado pelo post.


VANILDA BORDIERI


Discussão
André Andrade
27/07/10 às 11:36

Gostei muito do post, acredito que isso é crucial para começar bem um projeto! Obrigado....


Discussão
naná soares
20/03/11 às 13:30

Gostei demais do texto, faço designer de interiores
e preciso fazer sempre um bom briefing.


Discussão
Suelen Nogueira
11/08/11 às 14:20

Muito bom! Essas recomendações me orientaram em vários aspectos nos projetos que trabalho.



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