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Políticas de Participação no Design de Interação

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Políticas de Participação no Design de Interação

Artigo submetido e aceito ao 4º Congresso Internacional de Design da Informação.

Resumo

Atendendo a demandas de mercado, pesquisadores e praticantes em Design de Interação estão experimentando novas formas de promover a participação de usuários no projeto de sistemas de informação. Porém, a própria conceitualização do participante como usuário já reduz suas possibilidades de participação. O usuário não é capaz de projetar, por isso, justifica-se a necessidade de especialistas que traduzam seus anseios em definições de projetos. Por mais que se promovam exercícios de design participativo envolvendo usuários, o objetivo não é autonomizar os participantes ao desenvolvimento de novas tecnologias e sim gerar representações dos usuários para melhor direcionar novos produtos. Trata-se de uma inclusão abstrata e exclusão concreta, que legitima a dependência tecnológica de um determinado grupo social. O Design Participativo na vertente escandinava propõe que esta lógica perversa seja questionada no próprio processo de design, com o objetivo de gerar alternativas que de fato promovam o desenvolvimento social dos participantes. Esta abordagem participativa pode ser um caminho para o Design de Interação superar o foco nas microestruturas da interação: interfaces, técnicas, tarefas e outros detalhes intrínsecos que não dão conta sozinhos da densidade cultural do processo.

Políticas de Participação no Design de Interação [PDF] 94 Kb - 10 páginas

van AMSTEL, F. M. C. . Políticas de Participação no Design de Interação. In: 4º Congresso Internacional de Design da Informação, 2009, Rio de Janeiro. Anais do 4º Congresso Internacional de Design da Informação, 2009.

Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 13/07/2009

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Comentários

Discussão
Claudio Nossa
13/07/09 às 14:49

Parabéns amigo. Estou, de longe, sempre acompanhando sua evolução. Sucesso!


Discussão
Eduardo Loureiro
13/07/09 às 21:09

Fala Fred, duas coisas me chamaram muita atenção no seu artigo.

A primeira me fez refletir sobre meu próprio trabalho no dia a dia mesmo, como designer de interação. A questão contraditória de se fornecer meios para para que as pessoas priorizem e personalizem os conteúdos com que tem mais interesse e afinidade e ao mesmo tempo dar margem para que essas pessoas fiquem sempre no igual ou no correlato, sem conhecer novas possibilidades. É algo para se refletir bastante.

E a segunda a questão de se ter um olhar extremamente profundo sobre as relações sociais e políticas das pessoas. O buraco é muito mais embaixo, é enxergar o porque do porque das coisas é algo muito distante do nosso dia a dia, onde o imediatismo e a correria reinam.

No fundo, a verdade é essa mesma, estamos perpetuando um tipo de dominação extremamente sutil com todas as metodologias de pesquisa que aprendemos. A verdade é que por mais "boas" que sejam as propostas dos métodos e ideologias que seguimos, a estamos aplicando com um objetivo muito claro; atender as necessidades do mercado e das empresas. Fico pensando se por mais que as coisas pareçam estar melhores em um sentido social e político da coisa, não estaríamos trocando alhos por bugalhos no fim das contas. E tudo isso reflete o tipo de vida que levamos hoje e o tipo de sociedade em que vivemos.

Enfim, viagens a parte é um ótimo artigo e merece sim trabalhos futuros.

Abração e parabéns.


Discussão
Frederick van Amstel
14/07/09 às 11:45

Acredito que estamos evoluindo, sim, mas não podemos deixar de ser críticos porque nossas reinvindicações de participação estão sendo ouvidas. Ainda há muito trabalho pela frente.

Estamos passando por uma longa transição de uma Sociedade de Massa para uma Sociedade Civil, em que a participação deixa de ser abstrata (voto, opinião pública) e passa a ser concreta (ação).

O problema de uma sociedade em que todos podem participar é que o controle se torna muito mais difícil e a entropia de desejos pode esmigalhar a unidade social. Talvez isso até seja bom numa sociedade futura em que a responsabilidade social seja reconhecida por cada indivíduo, porém, nesse momento em que vivemos, o jeito que as organizações estão encontrando para evitar a baderna sem censurar é criar meios de controle mais flexíveis e sutis.

Nós fazemos parte dessa reação. Designers de interação trabalham em prol do controle organizacional. Não precisamos nos sentir culpados por estar do lado hegemônico da dominação, mas sim, trabalhar para que esse controle favoreça a autonomia dos dominados de modo que futuramente eles dispensem a dominação. É uma forma de minar a dominação das organizações utilizando seus próprios meios de controle.

Esse é o tema do livro do Clay Shirky: The power of organizing without organizations
http://www.shirky.com/herecomeseverybody/

Acredito que é por aí que conseguiremos dar esse passo rumo à Sociedade Civil: inserindo mecanismos subversivos na própria estrutura de poder.






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