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Teatro em favor da mudança organizacional

O teatro do oprimido ajudando a libertar o designer e o usuário da opressão.

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Após alguns anos sem dar cursos, estou aproveitando uma passada no Brasil para compartilhar novidades da minha pesquisa de doutorado, que trabalha com o tema de mudança organizacional e arquitetura.

Quando comecei a estudar hospitais, percebi que projetos isolados podiam fazer muito pouco pelo usuário: enfermeiras, médicos, e pacientes. Cheguei à conclusão de que a cultura organizacional era o fator determinante. A interface com o usuário refletia as relações de poder dentro da organização, e o usuário, que não fazia parte, ficava sem entender o porquê de cada coisa.

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Os arquitetos da informação já chamavam atenção para esse problema há tempos, porém, a solução que eles propunham -- projetar a interface em cima do modelo mental do usuário -- nem sempre era possível devido a questões políticas. A organização não tinha a experiência do usuário como prioridade e essa proposta não fazia sentido no cenário político interno.

Ao invés de engrossar as reclamações sobre esse tipo de cultura organizacional, eu montei um curso pra tentar ajudar os profissionais da área a mudarem essa cultura, pouco a pouco.

Inspirado na escola de verão que fiz na Dinamarca sobre inovação social, montei o curso em volta das dinâmicas e jogos do Teatro do Oprimido. Na Dinamarca eu aprendi que o brasileiro Augusto Boal tinha inspirado profissionais do teatro a ajudar empresas com conflitos e desafios organizacionais. Achei bem interessante e resolvi trazer de volta ao Brasil esta aplicação.

O teatro ajuda a perceber os nuances do comportamento na rotina do trabalho. As situações em que é negociada a experiência do usuário se repetem diariamente, como rituais em reuniões, conversas, relatórios. Para escapar da opressão que impede de o usuário se tornar prioridade, é preciso fazer um movimento inesperado, porém, adequado.

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Veja por exemplo, o teatro-imagem "Flanelinha de Mouse" que os alunos do curso fizeram. O designer recebe ordens de tantas pessoas diferentes que não consegue nem concentrar-se no que está fazendo. Ele não pode questionar as ordens, pois seu papel é reduzido à operar o computador para atingir o resultado esperado pelas outras pessoas.

Depois de montar a imagem, eu pedi aos demais alunos sugestões para superar a opressão. A primeira sugestão foi erguer os braços e se livrar das ordens. Perguntei ao designer na imagem se dava pra fazer esse movimento e ele disse que não, pois seria agressivo demais. A última sugestão foi a de se levantar e virar na direção dos demais, na mesma altura, olho no olho. Assim o designer poderia discutir sua carga de trabalho, bem como sua visão de como o trabalho deveria ser feito.

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Essa outra imagem mostra um designer tentando estudar os usuários (esquerda), mas sendo barrado pelos processos e responsabilidades da empresa, representado pelos dois rapazes fazendo uma barreira no meio. Do lado direito, estavam os usuários sofrendo com produtos de baixa usabilidade. Depois de tentar de tudo com a barreira, o designer acaba descobrindo que dá pra alcançar os usuários pela via informal, contornando a barreira institucional.

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Além do teatro-imagem, fizemos também "O grande jogo do poder" em que um escritório é representado para mostrar como o espaço físico marcar as relações de poder. A equipe acima apresentou uma empresa em que 20% do espaço é usado por quem faz 80% do trabalho. A chefia ocupa mais espaço e é menos produtiva.

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Depois de discutir as mudanças no cenário político, partimos para discutir processo. Começamos com um exercício de classificação dos UXCards dentro do UXCanvas, um quadro que define os pontos mais importantes para projetos de experiência do usuário. O objetivo era compreender em que momento do projeto e com qual foco usar cada método.

Depois cada equipe desenhou o processo atual usando os cards e em seguida o processo ideal, refletindo sobre as melhores práticas aprendidas durante o curso.

O curso foi organizado pela Internativa, a startup do Horacio Soares, que promete oferecer mais cursos avançados desse tipo. Neste sábado teremos mais um curso de mudança organizacional em São Paulo, e na sequência retorno à Holanda. No futuro pretendo organizar esse tipo de sessão de teatro do oprimido dentro de empresas específica, desejosas de mudar suas prioridades.


Dicas

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Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 24/07/2013

Palavras-chave

política,    teatro,    empresa,    cultura    

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Comentários

Discussão
Fabiano R. Brum
30/07/13 às 18:35

O curso foi bem divertido, mas acho que para o meu caso, seria mais interessante um curso mais instrumental sobre UX, em especial, direcionado para os métodos "Lean".

De qualquer forma, o curso aborda aspectos importantes, nos ajudando a ver o lado de nossos clientes e a pensar estratégias para nos vendermos melhor (tanto como consultores externos, quanto como empregados) e, no processo, coloca o dedo em algumas feridas.

Mas acho que para chegarmos ao ponto de utilizar técnicas de teatro em um ambiente corporativo, seria necessário mais do que um curso. É preciso certa vivência com o metiê para encarar tal desafio.




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(aguarde que é demorado mesmo...)


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