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Padrões são inevitáveis, até no design

Padrões não são bons nem maus, são necessários. O usuário quer previsibilidade e o mercado quer produtividade. E pra onde vai a criatividade?

Batalhão do exército com mesmas roupas e à frente de um fundo padronizado

Não adianta torcer o nariz, a tendência hoje é padronizar. O mercado exige e não é só na Web, vide o exemplo da valorização das certificações de qualidade ISO (International Organization for Standardization). Nos últimos 10 anos, médias e grandes empresas foram forçadas a se adaptar para atender as normas de qualidade que as certificações exigem. Indústria que não tem nem ISO 9001, perde muitos negócios porque ninguém confia nela.

Hoje em dia, a primeira coisa que faço quando acesso o website de uma agência Web é verificar se o site dela adere aos webstandards ou pelo menos possui um job em destaque que é complacente aos padrões. Assim já fico sabendo se ela está antenada às mudanças do mercado ou não. Empresa que se preste a trabalhar com tecnologia de ponta não pode comer mosca, fica pra trás rapidinho.

Porém existe um tipo de padrão que está se estabelecendo na Web de forma não oficial e é preciso observá-lo. Trata-se dos padrões de usabilidade, ou melhor, Padrões de Interação, porque possuem escopo mais amplo do que somente usabilidade.

Quer um exemplo rápido?

Precisa explicar do que se trata e como se interage? Somente se o usuário estiver nos seus primeiros dias de Internet ele não reconhecerá a ferramenta de busca. O usuário reconhece a forma e relaciona com sua experiência prévia com outros websites que usam um esquema parecido.

Mesmo o Cadê usando o padrão desde 1996 (*nostalgia*), o IG preferiu explicar a busca com o seguinte texto "Diga o que você quer que o iG procura". Lembrem-se de que nessa época, uma grande quantidade de novos usuários entraram na Internet, graças a provedores como esse. Eles precisavam de ajuda, mas nem tanto. Na sua sétima versão, o IG desvia um pouco do padrão, mas perceberam que não há necessidade de maiores explicações.

Facetas no Webinsider em 7/04/2005

Esse é um padrão simples, mas existem outros bem mais complexos e menos estabelecidos. A navegação facetada, por exemplo, ainda nem foi descoberta pelas principais lojas virtuais do Brasil. O Webinsider oferece duas facetas para encontrar artigos (por editoria e por tema) e duas para colunas (por autor e pelo nome da coluna), porém cada faceta está representada diferente.

Lá fora, os arquitetos da informação já perceberam que o recurso pode ser muito útil para permitir que o usuário encontre determinada informação por caminhos diversos. Segundo Heidi Adkisson, 69% dos sites que pesquisou usavam uma forma de navegação facetada. Epicurious, o maior site de receitas do mundo, permite que o usuário navegue pelo ingrediente principal, pelo método de preparação, pela ocasião, pelo tipo de prato e etc.

Existem também padrões que, de tão batidos, já estão sendo evitados, como por exemplo o esquema básico de navegação Empresa - Serviços - Contato. Mesmo variando o nome e conteúdo das seções de um website corporativo, dificilmente desviará do padrão para esse tipo específico de site. Basicamente, ele vai dizer o que a empresa faz, como faz, para quem faz, com quem faz e como comprar sua produção.

Dificilmente um empresário vai permitir que seu site institucional fuja a esse padrão. Esse padrão ele consegue reconhecer na concorrência, mas poderia passar despercebido uma quebra de padrão de hiperlink (sem sublinhado ou outro destaque). Na medida em que se tornem mais experientes no assunto, é natural que comecem a esperar e cobrar trabalhos padronizados de seus webdesigners.

O velho Nielsen já falava sobre a necessidade de padronização há tempos. Isso facilita a vida do usuário porque ele pode aproveitar o conhecimento adquirido em outros websites para interagir com website ainda não visitado. Ele vai se sentir mais no controle da experiência, porque:

  • sabe que funcionalidades esperar
  • sabe a aparência que a funcionalidades terá
  • sabe onde encontrar tal funcionalidade
  • sabe como operar a interface
  • não perde tempo tentando entender elementos desconhecidos
  • não tem surpresas quando algo não reage como esperado

Ok, você se rende. Vai aderir aos webstandards, padrões de interação, normas ISO e o escambau, em todos os sites que fizer. Por favor, não! Se nos contentarmos somente em atender aos padrões, a Web não evoluirá mais. Podemos fazer melhor do que o padrão estabelecido, podemos criar novos padrões, podemos ser felizes e usar nossa criatividade.

A primeira coisa a fazer é reconhecer os padrões que estão por aí. Preste mais atenção ao navegar. Compare websites. Anote e publique num blog o que você encontrar. Martjin van Welie tem a melhor coleção de padrões de interação na Web disponíveis gratuitamente, mas somente em inglês. Acho essencial que surja esse tipo de material em português, inclusive com adaptações para o mercado brasileiro, que é um pouco diferente.

Quem quiser aprofundamento no assunto, estarei ministrando um curso online de 4 horas só sobre Padrões de Interação ainda esse mês. Vejo vocês lá ;-)


Dicas

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Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 07/04/2005

Palavras-chave

padrões    interação    pattern    padronização    

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Comentários

Discussão
Rochester
23/05/06 às 16:07

concordo em gênero, número e grau. Mas não é só questão de seguir o mercado, é ser inteligente (tem um artigo no Webinsider exatamente sobre isso), pois trás muitas vantagens para o desenvolvedor do site, para o cliente (que terá melhores resultados) e para o usuário.

[]'s




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(aguarde que é demorado mesmo...)


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