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Como identificar tendências de design

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Em nossa sociedade, espera-se que o design reproduza tendências mais do que crie novas tendências. A liberdade para criar coisas originais é rara na produção para o mercado. Por esse motivo, sabe-se muito pouco sobre como se criam tendências de design.

Na minha visão, tendências são possibilidades de mudanças sociais iminentes. Além dos símbolos e práticas estabelecidos, a sociedade coloca em evidência alguns poucos símbolos e práticas que representam novos rumos. A tendência é uma tentativa de alguns indivíduos de mudar aquilo que é cultivado pela sociedade, ou seja, a cultura. Às vezes a tendência pega, às vezes não.

Conforme escrevi para o website da Tramontina Design Collection em 2007, o designer tem pouca liberdade para criar tendências. A prerrogativa de estilo pessoal ainda é a maior abertura dada aos designers para criar tendências, porém, na maior parte dos projetos, cabe ao designer apenas identificar e amplificar tendências.

Em 2016 assumi a disciplina Laboratório de Tendências Digitais na PUCPR com o objetivo de fortalecer a capacidade de nossos estudantes a identificar e amplificar tendências de design.

Quanto à identificação de tendências, dei as seguintes dicas:

  • Olhar tudo ao seu redor como se fosse projetado. Isso é fundamental para questionar as coisas como elas são e ver que elas poderiam ser diferentes e de fato estão ficando diferentes gradualmente.
  • Tentar compreender padrões e intenções por trás das coisas. A repetição de novos símbolos é sinal da emergência de uma tendência.
  • Prestar atenção ao divergente, ao estranho. Tendências começam como algo estranho, tornam-se "hot" e acabam se tornando um clichê ou uma coisa que não deu certo.
  • Saber o que é clichê e o que não é. A observação constante de tendências é fundamental para avaliar o grau de maturação de uma tendência. Quando ela chega no grau de clichê, é bom pensar se vale à pena continuar a reproduzí-la.

Já sobre amplificação de tendências, elenquei as seguintes técnicas:

  • Variação: trabalhar o tema da tendência com pequenas modificações de estilo, mantendo o esquema básico mas mostrando várias possibilidades de combinações.
  • Ressignificação: colocar um elemento conhecido num contexto novo, desafiando seu significado comum ou trocando a função.
  • Ritualização: tornar a reprodução da tendência um hábito do dia-a-dia, algo que se repete várias vezes e se associa a um estilo de vida.

É possível que existam outras técnicas, mas estas são as que eu conheço bem.

Depois de explicar como identificar e amplificar tendências, apresentei as tendências que identifiquei e publiquei aqui no Usabilidoido anos atrás, bem como as tendências que observo hoje no presente (2016).

À partir daí, a cada aula, os estudantes tiveram que identificar uma tendência de design digital. Passei pra eles uma lista de pólos de reprodução de tendências como as conferências TED, microblogs, Youtube e filmes de ficção científica para pesquisar tendências atuais. Cada tendência identificada foi publicada como um post no Medium, na revista de Tendências Digitais.

O resultado foi magnífico. Em quatro meses, identificamos mais de 400 tendências de design digital. Utilizando o software Gephi, criei uma visualização das tendências mais influentes, ou seja, mais ligadas a outras tendências.

Tendencias digitais2016

Essa visualização possui uma versão interativa em que é possível clicar e ler os posts do Medium. Ela mostra que a usabilidade das interfaces ainda é uma tendência forte, junto com vídeo na web, GIFs e comando de voz.

No final do semestre, os estudantes também identificaram quem escreveu os posts mais influentes da turma e desenharam um perfil dos estudantes mais "antenados". São eles:

No próximo semestre, os estudantes vão especular sobre as tendências de design digital para o ano de 2017. Se você quiser acompanhar, inscreva-se no Medium e siga o nosso observatório de Tendências Digitais.


Dicas

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Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 06/07/2016

Palavras-chave

tendências    

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