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Design thinking como pensamento projetual

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Design thinking como pensamento projetual

A vantagem de traduzir o termo design thinking como pensamento projetual é que permite falar das diferentes correntes que existem dentro do assunto. Não existe um único design thinking, mas diversos. Ao invés de utilizar o termo para celebrar a maneira específica como designers pensam, prefiro utilizar para discutir e comparar como outros profissionais pensam projetos.

Afinal de contas, a grande novidade que o design thinking trouxe é que outros profissionais podem se apropriar dos conhecimentos do design para incrementar suas atividades. Nesse processo de aprendizagem e troca, os profissionais de outras áreas não partem do zero; eles já possuem um pensamento projetual. Pensar projetos não é uma exclusividade do design, basta ver as discussões na Gestão de Projetos, na Arquitetura, na Engenharia, na Ciência Política, Arte e outras áreas.

Eu acredito que exista uma diferença na maneira como (alguns) designers pensam projetos e isso fica melhor expresso na tradução para o português. O que hoje é alardado como design thinking trata-se de um tipo específico de pensamento projetual, o pensamento projetual expansivo. Para ficar claro a diferença, irei comparar esse tipo de pensamento com dois outros: o sistemático e o intuitivo. É provável que existam outros tipos de pensamento projetual, mas eu ainda não consigo distinguí-los tão claramente. Quem conseguir distinguir outros ou discordar das minhas categorias, por favor, manifeste-se nos comentários.

Pensamento projetual sistemático

Esse tipo de pensamento deriva da filosofia analítica e se baseia na técnica da redução da complexidade. O todo complexo é dividido em partes através da análise. A análise é sistemática porque durante o processo de análise é feita também uma consideração sobre como as partes se conectam no todo. Tais conexões funcionam como um sistema em que cada parte cumpre uma função. As conexões que não contribuem para ver o todo como um sistema funcional são descartadas ou marcadas como risco (por exemplo, uma relação subjetiva).

Reduction technique

Devido à sua preocupação com a função, o pensamento projetual sistemático começa pela definição de requisitos. O sistema tem que ter isso e fazer aquilo. Qualquer divergência que surja no desenvolvimento costuma ser atribuída à ausência de requisitos. A definição de requisitos visa prevenir incertezas, que são consideradas falhas ou erros de desenvolvimento.

Alguns requisitos especiais adquirem o status de restrição caso seja uma demanda do cliente, uma demanda da legislação ou uma demanda técnica. Estes requerimentos raramente são questionados, pois o problema a ser resolvido é justamente tornar o projeto viável dentro das restrições impostas.

O sistema é projetado, portanto, à partir de requisitos que dão origem à módulos e componentes capazes de suprir os requisitos individualmente. Para evitar que o sistema fique fragmentado, são adotadas medidas de padronização superficiais, como padrões de transferência de dados e de interação com o usuário.

O pensamento projetual sistemático aparece com frequência na prática de projeto das Engenharias, da Administração, da Química e da Computação. Na minha tese de doutorado, eu analiso como o pensamento projetual sistemático dá origem ao design redutivo.

Pensamento projetual intuitivo

Existem outras maneiras de projetar menos explícitas e organizadas do que o pensamento projetual sistemático. Nem todos os projetos precisam surgir de demandas existentes ou provocar demandas. Existem projetos que tem o objetivo de mostrar algo novo, não necessariamente algo funcional. A expressividade e inovação pode ser mais importante do que a utilidade imediata.

O pensamento projetual intuitivo surge da inspiração de uma pessoa no encontro ou na fuga da realidade. O criador tem uma ideia que se desenvolve num conceito. Esse conceito é visualizado através de esboços e desenhos, que se transformam em alternativas e modelos. O criador cria, analisa e sintetiza em ciclos consecutivos. O projeto é refinado até atingir alto grau de coerência interna, ou seja, até que todas as partes expressem o conceito. Então, o projeto é apresentado a alguma outra pessoa capaz de implementá-lo.

Pensamento intituivo

Quem pratica esse tipo de pensamento projetual costuma acreditar que tem um dom ou uma habilidade especial que não é reconhecida o suficiente pela sociedade. A situação ideal é aquela em que o sujeito pode se dedicar apenas ao ato da criação, deixando a produção e implementação nas mãos de outra pessoa. Embora isso não seja possível o tempo todo, os virtuosos recebem de vez em quando solicitações de projetos com liberdade para inovar.

O pensamento projetual intuitivo é comum na Arte, Arquitetura, Design Gráfico, Urbanismo e também na Computação.

Pensamento projetual expansivo

Projetos podem também ser vistos como parte das dinâmicas da sociedade, ao invés de acontecimentos isolados. Nessa perspectiva, o desafio do projeto não é solucionar um problema técnico ou expressar uma proposta conceitual. O projeto se propõe a discutir a sociedade sem no entanto se comprometer a solucionar problemas.

Os problemas do pensamento projetual expansivo são conhecidos como capciosos (wicked problems). Tais problemas estão em constante expansão (daí o nome desse pensamento). Quando você pensa ou fala sobre ele, ele já se transforma e se torna mais difícil de resolver. Por isso, ao invés de começar pela definição do problema, o pensamento projetual expansivo começa pela empatia para com as pessoas envolvidas com o problema. Isso pode ser desenvolvido de maneira distanciada pela observação ou pela participação em atividades comunitárias.

Ao invés de buscar requisitos, os projetistas buscam entender a moral do contexto. Já que não é possível resolver o problema, o que seria ético fazer a respeito? A resposta a um problema capcioso não é uma solução tecnicamente correta, mas uma ação para transformar o mundo de maneira ética, mesmo que não se tenha certeza sobre a solução do problema. Devido a essa falta de critérios objetivos, o pensamento projetual expansivo corre o risco de reproduzir o elitismo, o fechamento e a centralização que diz combater.

É comum projetos guiados por esse tipo de pensamento terem a participação ampla da comunidade de stakeholders, usuários ou cidadãos. Acredita-se que incluir mais pessoas contribui para uma visão holística do projeto, pois cada um traz o seu ponto de vista e experiência. Trata-se do movimento inverso da análise utilizado no pensamento projetual sistemático. O todo fica cada vez mais complexo a cada nova pessoa incluída.

Expansion technique

Para facilitar a participação, as ferramentas de projeto adotadas são simplificadas e acessíveis para quem não sabe desenhar como, por exemplo, post-its, massa de modelar e papelão recortado. Assim que possível, busca-se construir protótipos funcionais para testar as ideias criadas coletivamente. O protótipo é posto à prova numa situação real e se não funcionar, isso não é considerado um problema. O lema do pensamento projetual expansivo é "falhar cedo para acertar logo".

O pensamento projetual expansivo é comum no Design de Interação, Design de Produtos, Urbanismo, Arte e Sociologia. Na minha tese de doutorado, eu analiso como o pensamento projetual expansivo dá origem ao design expansivo.

Para saber mais

Veja o material da oficina sobre pensamento projetual expansivo que eu e o professor Rodrigo Gonzatto demos na PUCPR. Nos slides há referências bibliográficas para cada tipo de pensamento projetual.


Autor

Frederick van Amstel - Quem? / Contato - 12/02/2016

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Citação

VAN AMSTEL, Frederick M.C. Design thinking como pensamento projetual. Blog Usabilidoido, 2016. Acessado em . Disponível em: http://www.usabilidoido.com.br/design_thinking_como_pensamento_projetual.html

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Comentários

Discussão
Luciano Lobato
12/02/16 às 14:42

Eu também prefiro distinguir entre design thinking (o discurso mercadológico, que vende o pensamento de designer para problemas não cobertos tradicionalmente pelo design - o que me faz lembrar daquela história de fixação funcional: pra quem tem um martelo, tudo é parafuso) e o pensamento projetual (o processo de resolução de problemas, realizado por qualquer ser humano, entre outras espécies).

Como encaro o pensamento projetual como sinônimo (ou talvez um tipo mais específico, marcado pelo aspecto temporário dos projetos e pela criação de algo) de resolução de problemas, acho que dá pra gente categorizar o pensamento projetual de diversas formas:
- Problemas ricos em conteúdo x problemas pobres em conteúdo (e é claro que tem um continuum aí)
- Problemas bem definidos x problemas capciosos (e é claro que tem outro continuum aí no meio)
- E de acordo com as n estratégias de resolução de problemas utilizadas (analogias, insights, algoritmos, tentativa e erro, heurísticas, análise da causa raiz, abstração, redução etc)

A ciência ainda tá engatinhando no que se refere ao processo de resolução de problemas (quando comparado à outros assuntos, como julgamento e tomada de decisões, por exemplo); a maior parte das pesquisas na área são sobre problemas bem definidos, sendo que a maioria dos problemas humanos são mal definidos. Mas acho que uma abordagem científica sobre a resolução de problemas é essencial não pra transformar o design em ciência, mas pra entender (e ensinar, aperfeiçoar) o pensamento projetual. Além do que, quando o assunto não é abordado pela ciência, abre-se espaço para o discurso mercadológico ou doutrinador predominar...


Discussão
Frederick van Amstel
13/02/16 às 09:41

Concordo contigo que as ciências devem estudar os pensamentos projetuais, mas não tiro o mérito daqueles que estão gerando conhecimento no mercado. Existem profissionais que transformam design thinking numa receita de bolo, mas não acho que seja a maioria hoje. O que eu vejo muito é o pensamento projetual expansivo como uma coisa mágica (tem até livro com esse título), como um processo caótico e afetivo que gera transformações subjetivas nas pessoas.

Por isso eu digo que o pensamento projetual expansivo não é voltado à resolução de problemas. Existem problemas sim, mas eles não são possíveis de serem solucionados, logo definir esse pensamento como uma solução de problemas é reduzir sua característica principal.

Vale citar que mesmo na ciência do design existe uma diferença entre problemas mal definidos (Simon) e problemas capciosos (Rittel). Enquanto o Simon acredita que é possível tornar um problema mal definido num problema bem definido, o Rittel acredita que isso não é possível em se tratando de um problema social, por isso ele chama de capcioso. O problema capcioso não tem uma solução satisfatória. O processo de design termina quando acaba o orçamento ou prazo e o problema continua.


Discussão
Luciano Lobato
13/02/16 às 13:14

Não repara no layout do texto, ok? Mas quando tiver um tempinho dá uma olhada aqui: http://www.dieoff.org/page163.htm (1986)

"The current research target is to gain an understanding of problem-solving tasks when the goals themselves are complex and sometimes ill defined, and when the very nature of the problem is successively transformed in the course of exploration. To the extent that a problem has these characteristics, it is usually called ill structured. Because ambiguous goals and shifting problem formulations are typical characteristics of problems of design, the work of architects offers a good example of what is involved in solving ill-structured problems. An architect begins with some very general specifications of what is wanted by a client. The initial goals are modified and substantially elaborated as the architect proceeds with the task. Initial design ideas, recorded in drawings and diagrams, themselves suggest new criteria, new possibilities, and new requirements. Throughout the whole process of design, the emerging conception provides continual feedback that reminds the architect of additional considerations that need to be taken into account."

Não concordo com várias coisas da abordagem do Simon (ele era cognitivista, por ex), mas a fama de reducionista do Simon no meio do design foi mais uma difamação do Schön do que uma leitura do Simon pelos designers. O Simon, ao contrário do que afirma o Schön (e outros autores influenciados por ele como o Cross etc) afirmava que os humanos tomam decisões através de heurísticas e de forma satisfaciente (satisfatório o suficiente), que não eram e não deviam ser otimizadores. Até a expressão "racionalidade limitada" (que hoje virou "previsivelmente irracional" na economia comportamental) veio do trabalho empírico e descritivo dele, não prescritivo.

No The Psychology of Problem Solving (2003), os autores falam que esses problemas capciosos, wicked, mal definidos, ainda são o tendão de aquiles da área:
http://catdir.loc.gov/catdir/samples/cam033/2002041238.pdf


Discussão
Frederick van Amstel
13/02/16 às 16:18

Tendo lido Simon, Schön e uma série de autores que os comentam, eu concordo que a abordagem de Simon é reducionista. Porém, é produto do seu tempo, quando ainda se acreditava numa cibernética utópica. Simon precisa ser lido em relação as atualizações de seu pensamento que Schön e Rittel fizeram.

A própria noção de problema capcioso veio do problema mal-definido, mas veja que o Rittel enfatiza que para esse tipo de problema não existe solução. Essa parte do texto é uma pena que a maioria das pessoas ignore quando cita o termo.

"As distinguished from problems in the natural sciences, which are definable and
separable and may have solutions that are findable, the proNems of governmental
planning--and especially those of social or policy planning--are ill-defined; and they
rely upon elusive political judgment for resolution. (Not "solution." Social problems
are never solved. At best they are only re-solved--over and over again.)"
Dilemmas in a General Theory
of Planning, Rittel & Webber
http://www.uctc.net/mwebber/Rittel+Webber+Dilemmas+General_Theory_of_Planning.pdf

Ou seja, os problemas de planejamento urbano (e também os de design vide texto subsquente de Buchanan) não tem uma solução tal como os problemas de matemática ou lógica estudados pelas ciências cognitivas. Estes problemas são mais parecidos com os problemas da sociologia, uma questão extremamente complexa que ninguém sozinho consegue dominar.

Um dos problemas que eu enfrentei nas Engenharias Universidade de Twente, muito influenciadas pelo pensamento reducionista do Simon, é que elas buscavam resolver problemas sociais da mesma maneira como resolviam problemas técnicos. Cansado de explicar que eles eram diferentes, eu comecei a usar o termo contradição, pois por definição elas não tem solução. Só então que eles começaram a entender que o buraco era mais embaixo.

Tenho uma nota no meu blog em inglês sobre a importância de quando trabalhar com contradições, evitar de representá-las de maneira que possam ser solucionadas, ou seja, como se fossem um problemas. http://fredvanamstel.com/blog/representing-contradictions-without-trying-to-solve-them


Discussão
Luciano Lobato
13/02/16 às 20:05

Estou ciente de que em um post que defende o design expansivo, ao eu defender um autor que é considerado reducionista, estou bancando o advogado :P Mas vamos lá...

Eu diria que, em grande parte, o Simon é mais descritivo do que prescritivo; o trabalho dele se fundamenta mais em resultados experimentais de como as coisas são (a natureza da ciência) do que como as coisas deveriam ser (a natureza do design). O Simon descreve como as pessoas resolvem problemas, fazem julgamentos e tomam decisões mais do que prescreve como as pessoas (designers ou não) deveriam resolver problemas, fazer julgamentos e tomar decisões. Nesse sentido, ele era muito mais um cientista do que um designer... E apesar de alguns rótulos como "reducionista", "mecanicista", "determinista" e por aí vai serem considerados ofensas no meio acadêmico, não vejo a abordagem descritiva do Simon como reducionista. Ao falar sobre as estratégias utilizadas pelas pessoas para tomarem decisões, fazer julgamentos e resolver problemas, ele falava mais do emprego de heurísticas (que deu origem ao programa de pesquisas das heurísticas e vieses, e consequentemente, da economia comportamental) do que da redução.

O Jude Chua Soo Meng fala desse tratamento "injusto" dado ao Simon pelo Schön no texto "Donald Schön, Herbert Simon and The Sciences of the Artificial" (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0142694X08000811)

E não diria que os problemas capciosos são problemas sem solução, mas que não têm uma única solução (a solução ótima), como os problemas enfrentados pela ciência. Afinal de contas, o papel da ciência é descrever a natureza, enquanto o papel do design é construir o artificial. A noção de racionalidade limitada do Simon enfatizava esse aspecto de encontrar soluções não ótimas, mas satisfatórias o suficiente. Enquanto a economia tradicional tinha a concepção do homem como tomador de decisões racional, um otimizador (no sentido de maximizar os ganhos), o Simon deu uma concepção totalmente diferente, do homem como tomador de decisões satisfatórias o suficiente. O que o Schön ataca é o oposto do que o Simon falava...

Outro problema que vejo ao falar que os problemas capciosos não terem solução ou serem complexos demais para terem alguma solução é: complexos para quem? Uma doença é um problema complexo demais para um designer, é claro; mas não para um médico. Ao ser especialista em encarar (mas não resolver) problemas complexos demais, o designer ganha o complexo de DEUSigner.


Discussão
Frederick van Amstel
14/02/16 às 08:35

Eu não vejo o reducionismo como uma ofensa acadêmica. Na minha tese eu coloco que o reducionismo é necessário para que surja o expansionismo e vice-e-versa. Eles se alternam no ciclo dialético da história e alguns autores vão pender mais para um lado do que para o outro. Se o Simon é reducionista ou não, não acho tão interessante discutir. Acho mais interessante essa sua relativização da complexidade.

A impossibilidade de resolver um problema capcioso não se deve à complexidade, que é apenas um fator. Do contrário, bastaria reduzir a complexidade conforme os reducionistas fazem e o problema estaria (em partes) resolvido. O exemplo do médico é excelente pois a medicina moderna é justamente criticada por reduzir o paciente a uma doença e tratar apenas esta doença, ignorando o quadro completo do paciente e sua vida além da doença. A limitação desse tipo de tratamento é evidente em pacientes crônicos com múltiplas doenças.

O Engeström (um dos principais expoentes do pensamento projetual expansivo) tem uns estudos interessantes de como os médicos finlandeses superaram a limitação de tratamento de pacientes crônicos pela organização de reuniões colaborativas entre os médicos das diferentes especialidades.

O pensamento projetual expansivo definitivamente não tem essa característica do designer especialista em solucionar qualquer tipo de problema. Isso é mais comum no pensamento projetual intuitivo. No pensamento projetual expansivo um dos possíveis papéis para o designer é juntar as pessoas para discutir os problemas e as soluções, sem necessariamente estabelecer uma relação de dependência entre eles. O que quero dizer é que muitas vezes a solução encontrada não é uma solução direta a nenhum dos problemas colocados anteriormente, nem tampouco uma solução holística. Como disse, as palavras "problema" e "solução" no design denotam algo muito diferente do que na Ciência Cognitiva ou na Matemática.


Discussão
Luciano Lobato
14/02/16 às 18:04

Acho que a definição de "problema" é intrinsecamente bem relativista / subjetiva / extrínseca: uma situação no qual o indivíduo não tem momentaneamente uma solução para produzir uma mudança para outra mais preferível. O cientista começa sem uma resposta pra sua pergunta, o designer (entre outros projetistas) começa sem uma proposta do que vai ser produzido; ambos tem que trabalhar até encontrar uma solução, ótima ou satisfatória o suficiente. Isso implica que uma situação pode ser um problema pra uma pessoa e não pra outra (repertórios, competências e motivações diferentes), ou mesmo, que uma situação pode ser um problema pra uma pessoa em determinado contexto e não em outra (antes e depois da aprendizagem, por ex). O problema, nesse sentido, tá na relação entre o indivíduo (ou outro agente decisor, como o grupo, empresa, comunidade etc) e a situação em si. Isso faz parte das restrições metodológicas pra se estudar o processo de resolução de problemas (sim, é um pé no saco, mas todo objeto de estudo impõe n restrições metodológicas).

Se a própria concepção de uma situação como sendo um problema ou não depende da relação do indivíduo com a situação, acho que as características do problema também dependem dessa relação, por isso, eu dei o exemplo de um problema médico: o designer não tem a competência necessária pra tratar / resolver a doença, mas o médico tem (por outro lado, os médicos não são treinados pra serem atenciosos com o paciente, mas somente com a doença); mesma coisa pra n problemas em que a intenção do designer é boa, mas de boas intenções, o inferno tá cheio. O designer tentar lidar ou negociar (já que resolver o problema não seria sua intenção) com o problema médico (ou sociológico ou antropológico) através de seu repertório gráfico, industrial ou digital me parece mais com uma fixação, como naquele caso de que pra quem tem um martelo, tudo é prego (o design thinking vendido como panaceia). Entendo que nesse contexto, o designer pode (e deve) ter o papel mais de um facilitador ou intermediador (agente de mudanças) do que de um projetista, "emprestando" seu repertório / kit de resolução de problemas para os diversos stakeholders fazendo o papel de projetistas, mas sinceramente, não tenho evidências que essa forma de trabalho gera melhores resultados do que as n diversas formas de resolução de problemas. É claro que, implícito ou explícito aí, tão os critérios de avaliação dos resultados pra se falar de "melhor" ou "pior": se a gente não souber pra onde quer ir, qualquer caminho serve; se a gente não souber qual problema estamos resolvendo ou qual nosso objetivo, qualquer tentativa é uma solução satisfatória o suficiente (exemplo do dia a dia do designer trabalhando no contexto publicitário: o objetivo da empresa é ter uma "presença digital"; uma possível solução pro problema apresentado é colocar uma página como a do http://pudim.com.br/ com o logo da empresa :) ).

Concordo 100% que os problemas da ciência e do design são diferentes. A ciência taí pra descrever a natureza, enquanto o design taí pra criar o artificial. São problemas diferentes resolvidos por estratégias de resolução de problemas diferentes e que chegam à diferentes soluções. Mas na essência em comum, continuam sendo problemas e processos de resolução de problemas.


Discussão
Frederick van Amstel
15/02/16 às 08:07

Eu não gosto de reduzir a atividade do designer à solução de problemas, apesar de que os próprios designers utilizem a palavra problema e solução eventualmente em suas explicações do que estão fazendo.

O que o designer faz, a meu ver, é uma atividade de produção de objetos para ou junto com outras pessoas. Eventualmente esse objeto pode apresentar um problema ou representar uma solução, mas isso só na dimensão linguística da atividade. Existem várias ações na atividade de design que não estão orientadas à definição ou solução de problemas.

Por exemplo, lidar com materiais. No design de produto isso é muito claro, o designer procura materiais, sente sua textura, testa sua resistência e experimenta de diversas maneiras. O objetivo não é solucionar um problema, mas obter uma qualidade estética ou ergonômica do produto. No design digital talvez isso seja mais difícil de perceber, mas posso citar a codificação criativa do Processing e os ajustes de alinhamento no wireframe. Eles não solucionam o problema proposto, mas servem para lidar com a contradição que impulsionou o projeto.

Pretendo explicar esse ponto melhor num outro post, mas já tem um post antigo sobre o assunto: Design: solução de problemas ou mediação de contradições?
http://www.usabilidoido.com.br/design_solucao_de_problemas_ou_mediacao_de_contradicoes.html


Discussão
Luciano Lobato
15/02/16 às 15:06

Não vejo resolução de problemas como uma redução das atividades do designer, mas sim como uma elevação =P Mesmo as soluções ergonômicas, estéticas e subjetivas projetadas (que não foram deixadas ao acaso, mas pensadas com um desígnio ou propósito) resolvem problemas (são tentativas de mudar a situação atual para outra preferível). Entendo que o termo design foi ganhando uma conotação relacionada com o supérfluo, o efêmero, a moda, o embelezamento, o styling e por aí vai, mas discordo totalmente desse direcionamento (essa conotação sim, do meu ponto de vista, é uma redução), a ponto de muitas vezes, preferir o termo "projeto" do que "design", da mesma forma que prefiro a expressão "pensamento projetual" do que "design thinking".

Até curto conceber o design como um processo dialético, que vai se desenrolando em tese x antítese (as contradições ou diferentes interesses de diferentes stakeholders) e síntese (a solução). É um ponto de partida poético que muitos autores do design thinking (Schön, Lawson, Cross etc) enfatizam, esse aspecto negociador, conciliador do jogo político estético-formal do designer. Mas acho que se a gente for por aí, a gente chega na esfera política, onde os problemas são literalmente muito mais complexos (no sentido dos sistemas terem dinâmicas não lineares, mas caóticas) do que no design, e apesar dessa complexidade, um projeto de lei ou uma determinada política pode ser avaliada de acordo com seus valores ou efeitos, ou seja, se resolvem satisfatoriamente certos critérios. Existem n soluções para um mesmo problema político, mas isso não significa que ele não é um problema ou que não tem solução. Acho que o mesmo vale para os problemas de construção do artificial que o design encara.


Discussão
Frederick van Amstel
16/02/16 às 14:58

Na minha visão, o julgamento estético é justamente a novidade que os designers trazem para o processo de solução de problemas, se é que design pode ser chamados de solução de problemas. Tem um post meu em inglês sobre isso, dando o exemplo do Steve Jobs na Apple
http://fredvanamstel.com/blog/aesthetics-in-design-thinking

Se design é essencialmente solução de problemas (e eu já citei que acho que não é), se toda questão de projeto pode ser concebida como um problema e que todas as pessoas não-designers podem solucionar problemas, porque haveriam de haver problemas supérfluos e problemas importantes? Na verdade, em tal discurso abrangente não há como fazer julgamentos de valor desse tipo, colocando o pensamento científico acima do pensamento estético.

O styling envolve vários problemas, como por exemplo MAYA (Most Advanced Yet Acceptable) do Raymond Lowe. Ou então a unha encravada que a manicure precisa resolver antes de embelezar a unha. Se tudo é problema, estes são problemas também, dignos de serem solucionados.

Para um designer ou um médico, uma unha encravada pode não parecer um problema complexo, mas pergunte para uma manicure e você receberá uma aula.

É devido à essa tendência de dissolução pela generalização que eu prefiro não definir design (a prática profissional) como solução de problemas.


Discussão
Hugo Cristo
17/02/16 às 06:37

Meus 10 centavos: até entendo a intenção de classificar os tipos de pensamento, tentando criar categorias que distinguiriam o sistemático do intuitivo etc. A proposta é bem recorrente aqui e ali, atingindo níveis úteis (Gardner) ou perigosos (De Bono).

O negócio é que, pra mim, você está confundindo a semântica de "problema" em dois domínios totalmente distintos: o da gestão, projeto ou "mundo do trabalho" e o do funcionamento psicológico.

Um problema, para quem estuda as funções superiores pra valer, não é uma "questão" ou um "algo a ser resolvido". As operações cognitivas são resolução de problemas _conceitualmente_ e não _literalmente_. Em outros termos, um problema é o espaço construído pelo solucionador para desenrolar a solução de N maneiras, inclusive adotando estratégias intuitivas, sistemáticas ou qualquer outra.

Aprender a andar é tão resolução de problemas quanto projetar um foguete.

Dito isso, cabe defender o Simon mais um pouco e lembrar que ele não defende que um problema mal-definido pode ser transformado em bem-definido. Desde que o Simon começou isso tudo as ciências cognitivas (todas as vertentes, do pessoal mais neuro-fMRI até os filósofos da mente) continuam debatendo a questão do enquadramento (framing). Até nos textos mais deseperadores como o do Rittel é fundamental não perder de vista que ATÉ um problema capcioso é capcioso do ponto de vista do SOLUCIONADOR e NÃO do problema (o problema não existe, ele é construído por quem o percebe; não há colher e qualquer yada-yada dessa linha).

A partir do momento que uma solução se desenrola pelo processo heurístico que for, o problema foi enquadrado e, bem, é naturalmente bem-formado do ponto de vista de quem vai tentar encaixar a tal solução. Pra quem trabalha na perspectiva genética, os tipos de pensamento que você descreve são estágios do funcionamento cognitivo do mesmo solucionador, na interação com o mesmo problema ao longo do tempo. É a maturidade na interação com o espaço do problema que transforma o pensamento rumo à solução e não a natureza do problema posto.

Não é por acaso que tem um monte de gente defendendo que o designer precisa aprender a criar problemas, ao invés de tentar só solucioná-los. É uma tentativa simpática de disseminar a semântica correta (a original, inclusive) de "problema" no nosso domínio linguístico.


Discussão
Ricardo Couto
17/02/16 às 13:56

realmente não entendo como alguém consegue chegar tão perto da "arte" (no sentido de não tem objetivo claro ou definido) e ainda assim falar em práticas de mercado.

se um designer não resolver um problema, qual o sentido dele existir enquanto prática profissional?
qual o sentido de qualquer profissão existir, se não a de resolver um dado problema (existente e claro ou mesmo um problema novo, "capcioso", identificado no momento da intervenção)?

gerar/construir/identificar novos problemas é ok. isso é inerente ao processo (bem comum) de resolução de problemas. é recomendável, útil e necessário à prática do design.

não entrarei no aspecto da semântica de "pensamento" como sinômino de cognição por que dá pra ver que há uma lacuna argumentativa que simplesmente não pode ser resolvida como a desculpa de tudo ser subjetivo demais pra ser explicado ou resolvido.

acho irresponsabilidade tratar certas áreas como inexistentes ou mesmo nem considerar suas bases. exemplo: "...se propõe a discutir a sociedade sem no entanto se comprometer a solucionar problemas." discutir a sociedade? isso é sociologia. quer promover uma discussão sem necessariamente resolver alguma coisa? isso é filosofia. e ambos andam de mãos dadas. e não vi referência decente à nenhuma dessas áreas pra embasar o "pensamento projetual expansivo" :\

"Projetos podem também ser vistos como parte das dinâmicas da sociedade, ao invés de acontecimentos isolados." isso é a essência do design. projetos de design que não contemplem as dinâmicas da sociedade não fazem sentido algum. e isso cabe em uma categorização arbitrária de "pensamento". uma simples ponte (projeto bem comum de engenharia civil), ao ser construída, deve levar em consideração a dinâmica da sociedade e não apenas a transposição de um rio. ao longo do tempo, essa ponte não mais resolverá o problema que resolveu. será necessário repensar, reprojetar. a dinâmica da cidade/sociedade muda, o projeto muda, a solução se torna obsoleta. um novo problema é criado a partir daí. uma nova ponte é melhor ou uma balsa? ou um transporte público mais eficiente e menos carros? cada um desses novos problemas merecem discussão, sim, mas precisam de soluções. caso contrário a atividade dos designers seriam a de meros mediadores, coisas que algumas outras áreas (humanas, em geral) sempre fizeram melhor que os designers (acham) que fazem.

minha percepção é que há uma tentativa de criar uma filosofia para designers, esperando que estes não conheçam nada de filosofia, sociologia nem algo parecido, de forma que jamais haveria questionamento sobre o que quer que seja dito.


Discussão
Ricardo Couto
17/02/16 às 14:02

corrigindo o penúltimo parágrafo, faltou um não:
[...] e isso NÃO cabe em uma categorização arbitrária de "pensamento".


Discussão
Frederick van Amstel
17/02/16 às 14:10

O Hugo acabou de dissolver ainda mais a noção de solução de problemas, mas eu concordo com a maior parte do exposto. Na minha tese eu descrevo design como algo que emerge de espaços conceituais (que inclui problemas e soluções) mas também que emerge de espaços vividos (afetos, relações, corpo). A solução de problemas é uma ação importante da atividade projetual, mas não a descreve por inteiro. Existem outras ações mais de caráter político do que cognitivo que precisam ser feitas. Daí a importância de se pensar design como participação, negociação, dialética, expansão, etc.

Quando eu falo de pensamento projetual, não estou falando do pensamento de um designer consciente, estou falando de um tipo de pensamento cultivado por uma comunidade de profissionais. Trata-se de uma categoria coletiva, mais no sentido que a palavra é usada pela Filosofia, Direito e História do que pela Psicologia.

O pensamento grego, por exemplo, não é o jeito de pensar de uma pessoa grega, mas representa um padrão cultural reconhecido dentre muitas obras. Admito que a categoria fica tão macro que talvez não seja útil do ponto de vista científico, porém, minha intenção aqui é fazer uma discussão sobre práticas profissionais.


Discussão
Frederick van Amstel
17/02/16 às 14:17

Respondendo ao Ricardo, quando eu escrevo no meu blog, estou fazendo isso para ter uma discussão solta sem precisar fazer referências a tudo em que me baseio. Se quiser ver as referências em Filosofia e Sociologia dá uma olhada na minha tese. http://www.usabilidoido.com.br/expansive_design_designing_with_contradictions.html


Discussão
Hugo Cristo
17/02/16 às 20:17

Fred, eu pedi pra ler alguma coisa formal sobre o tal design expansivo quando soltou aqueles slides, lembra? Poisé, agora eu tenho :P... Só que é complicado ler a tese toda pra entender a proposta.

Julgando só pelas suas referências (fui lá ver), não posso falar sobre como você dialoga com os autores. O que dá pra dizer é que os autores que trabalham dentro da psicologia sócio-histórica estão lá, então é uma visão genética ou a negação dela :)

Fiquei especialmente curioso sobre a tabela 2 da página 168 e comecei a ler a diferenciação entre design expansivo e redutivo (?). Eu definitivamente preciso ler a tese toda pra entender, mas tenho divergências fortes (e equivocadas, provavelmente, já que não li tudo) sobre as oposições que você elabora, como a maioria dos adeptos da perspectiva sócio-histórica teria. Nem vou entrar no argumento de que o procedimento do design expansivo (!) seria sintético (?), enquanto o redutivo seria analítico. Qual pensamento consegue não operar pelos dois? Todo mundo, do Munari aos thinkers clássicos falam em divergência e convergência.

Acho que a contribuição mais importante do seu trabalho, para os leitores do blog, é fazer a transição do científico para o cotidiano. Por enquanto ainda é uma caixa-preta.


Discussão
Frederick van Amstel
17/02/16 às 21:50

Hugo, estou disposto a discutir a tese em qualquer nível. Muita gente só discutiu a capa sem ler o conteúdo, o que eu achei legal. Não é preciso ler a tese inteira para entender, até porque acho que o entendimento vem mais pela discussão suscitada pela tese do que pela leitura individual.

A oposição entre design expansivo e design redutivo é uma oposição dialética, ou seja, é uma interação que se desenrola na história. Além disso, nenhuma dessas práticas acontece sozinho, ou seja, não são categorias estanques. O design expansivo necessariamente implica na redução e vice-e-versa. Eu estou buscando um nível de explicação da emergência do design mais aprofundado do que simplesmente a mera observação de que exista convergência e divergência na prática.

Pensamento projetual expansivo não é mencionado na tese e trata-se de uma tentativa de aproximar os resultados da pesquisa para o cotidiano. É importante compreender que o caminho entre um e outro não é apenas delineado pela investigação acadêmica, mas também pelas minhas interações com pessoas no governo, mercado e escolas principalmente depois de voltar ao Brasil. Ao invés de rejeitar a prática de design thinking, eu prefiro aproveitar o hype e redefinir a coisa, bem por isso a insistência na tradução.


Discussão
Luciano Lobato
19/02/16 às 10:02

Folks,

Acho que uma advertência geral que vale pra psicologia (pelo menos, valeu pra mim) também vale pro estudo do pensamento projetual (seja pelo design research, science of design ou qualquer outra forma de estudo) e se baseia na distinção entre "problemas" e "enigmas" (falando filosoficamente agora, não cientificamente, mais especificamente sobre um tretinha entre o Popper e o Wittgenstein).

No livro Florescer (please, ignorem o tom de autoajuda), o Martin Seligman, pai da psicologia positiva argumenta contra a pesquisa básica distanciada da aplicação:


"Para uma ciência insegura como a psicologia em 1946, imitar a física e a química podia render alguns pontos com os diretores, mas não fazia o menor sentido cientificamente. A física era precedida por uma antiga ciência de engenharia, que efetivamente solucionava problemas, antes de ser enxertada na pesquisa de base, abstrata. A física aplicada previa eclipses, enchentes e os movimentos dos corpos celestes - e isso dava dinheiro. Isaac Newton dirigiu a casa da moeda britânica em 1969. Os químicos fizeram a pólvora e aprenderam uma enorme quantidade de fatos científicos enquanto tentavam inutilmente descobrir o que transformava chumbo em ouro. Os problemas e as aplicações do mundo real determinaram os limites para os enigmas de base que a física aplicada tentaria elucidar. A psicologia, em contrapartida, não tinha engenharia - nada que se provasse funcionar no mundo real -, nenhum fundamento que guiasse e restringisse o que sua pesquisa de base deveria ser.
A boa ciência requer a interação entre a análise e a síntese. Não é possível saber se a pesquisa básica é realmente básica a menos que se saiba a que ela fornece uma base. A física moderna ganhou reconhecimento não por causa de suas teorias - que podem ser muitíssimo contraintuitivas (múons, partículas-ondas, supercordas, o princípio antrópico e tudo mais) -, mas porque os físicos construíram a bomba atômica e as modernas usinas de energia atômica. A imunologia, um empreendimento estagnado na pesquisa médica nos anos 1940, ganhou reconhecimento à custa das vacinas de Salk e Sabin contra a pólio. O crescimento da pesquisa básica veio em consequência.
(...)
A aplicação frequentemente mostra o caminho para a pesquisa de base, enquanto a pesquisa de base que não tem noção de como pode ser aplicada não passa de masturbação."

O que eu quero dizer com isso? Que a teoria / abordagem / framework é tão boa quanto o potencial de aplicação prático (de prestação de serviço, de resolução de problemas - ainda falando filosoficamente). Encarar o pensamento projetual como resolução de problemas (no sentido científico agora) é uma forma que eu vejo de estudar o "fenômeno" e com base nisso, aplicar as descobertas dos estudos dessa área no dia a dia dos projetos para ter melhores resultados. Se conceber o pensamento projetual como uma negociação entre contradições for suficiente pra analisar a prática projetual e com base nisso, aperfeiçoá-la, ótimo também. Se a teoria / abordagem / framework só gera mais discurso, ótimo pra quem vende discursos, mas péssimo pra quem projeta...

Abraços!


Discussão
Frederick van Amstel
20/02/16 às 08:19

Perfeito Lobato. Assino embaixo. E muito divertida essa referência do Seligman.


Discussão
Guilherme - Curitiba
12/04/16 às 13:16

Já vi que vou ter que imprimir a página toda... ;-)


Discussão
Breno Azevedo
06/03/18 às 23:00

Fred, sugeriria ainda a categoria de pensamento projetual conectivo, onde o processo de solução de questão prática ou subjetiva/estética (já mexendo no ninho de vespeiro discutido à exaustão acima) é dinâmico e ativo, sujeito à contínua remodelagem das definições por conta da influência de conceitos e experiências pré-adquiridas pelo designer, com a participação das contribuições de terceiros.

Lembra em parte os conceitos dos processos projetuais intuitivo e expansivo que você definiu, porém estes se limitam por características como dependência de executor terceirizado ou progressiva expansão de limites por conta da contribuição de outros.

O pensamento projetual que chamo de 'conectivo' é típico do Game Design, e se distingue claramente por possuir prazos definidos e limitações de escopo e técnica. O designer neste caso age como um censor e curador de suas próprias idéias e das de outrem, sempre cônscio dos limites práticos previamente impostos por si mesmo ou por terceiros. Este 'design do que é possível' ou 'feasible design' está cada vez em maior demanda nos dias de hoje, e os limites da caixa de areia a que se submete podem ser também vistos como um espaço de possibilidades, tão dinâmico e excitante - talvez mais, pelo desafio adicional que impõe - que qualquer outra abordagem de design.






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