Empresa - Serviços - Contato

John Lenker vai buscar na retórica de Aristóteles as bases para um esquema bem manjado, mas efetivo, de persuadir pessoas na Web. Ao longo do livro Train of Thoughts ele repete constantemente a sequência: atrair - informar - intimar. Ele cita Donald Norman para argumentar que "todo design deve ser como uma história", com começo, meio e fim.

Se queremos que uma mensagem provoque uma determinada reação (comprar algo por exemplo), precisamos primeiro atrair a pessoa para ouvir nossa ladainha. Para isso, ele sugere que sejamos bem pouco convencionais na abordagem inicial. Quanto mais sair do comum, mais atenção vai chamar. Imagens, multimídia e o que puder ser usado vale à pena. Mas claro, tudo de acordo com a mensagem.

Em seguida, precisamos mostrar alguns fatos para dar credibilidade ao que estamos promovendo. Tudo o que puder se explicado de forma visual, segundo ele, é melhor. Texto tem o seu lugar, mas quase sempre se torna chato demais depois de algumas linhas.

Só depois de guiar a pessoa através dos dois passos anteriores (através de links ou rolagem) é que podemos intimá-la a fazer algo. Podemos pedir que ela compre algo online ou então requisitá-la que mude seu comportamente quanto aos cegos que não podem acessar websites baseados em tags table.

Alguns dias antes me perguntava o porque da sequência empresa - serviços - contato serem um padrão tão bem estabelecido nos menus de navegação em websites. Essa é uma das boas razões:

Existem variações como quem somos - o que fazemos - fale conosco ou então combinações menos consistentes como sobre - produção - contate-nos. No final das contas é a mesma coisa, mas prefiro a sequência lá de cima. É muito mais direta e concisa, por isso se tornou o padrão.

Existem variações como quem somos - o que fazemos - fale conosco ou então combinações menos consistentes como sobre - produção - contate-nos. No final das contas é a mesma coisa, mas prefiro a sequência lá de cima. É muito mais direta e concisa, por isso se tornou o padrão.

Só fico me perguntando se realmente as pessoas acessam as páginas de apresentação da empresa, normalmente lotadas de textos redundantes, insossos e inúteis. É o "fantástico" histórico da empresa, a foto do presidente, a missão e filosofia de trabalho e outras criações idiossincráticas.

Especulando um pouco, talvez isso funcione quando o site seja focado em negócios entre empresas, Business-to-Business. Quem está de fora, vê uma empresa como algo amorfo, mas o seu dono e funcionários alto escalão a vêem como se fosse extensão de seu próprio corpo. Então, veriam as empresas de parceiros da mesma forma: centradas na figura dos seus respectivos donos. Daí rola uma identificação... hmmm, acho que estou indo longe demais.

Quando a empresa me dá liberdade de fazer a redação da página de apresentação da empresa, procuro sempre deixar claro o diferencial dela perante a concorrência. A meu ver, é isso que atrai. É isso que sai fora do comum, como disse o Lenker.

Na página de serviços/ produtos, o negócio é investir em descrições honestas e concisas, ressaltando os pontos fortes dos produtos, mas sem deixar de mostrar os pontos fracos caso seja desejável que o usuário faça comparações entre eles. Textos suplementares inserindo o produto no seu contexto de uso (por exemplo, uma receita com panetone) não só aumentam o valor do produto, como são excelentes para atrair internautas vindos dos buscadores.

Finalmente a página de contato deve ir direto ao ponto e mostrar os formulários, mas não sem antes explicar para quê ele serve. Sugerir coisas como "peça seu orçamento", "mande sugestões" e "proponha uma parceria" é ótimo para incentivá-lo a escrever. Peça sempre o mínimo possível de informações nesse formulário, do contrário ninguém vai se dar ao trabalho. Preencher formulários é a coisa mais chata da navegação na Web, ninguém gosta. Tem gente que tem até paranóia de fornecer dados pessoais.

Outra coisa bem legal e que todo mundo esquece é de fazer uma caixa de texto para o texto da mensagem bem grande, do contrário as mensagens serão pequenas também. É bem simples: "você ganha aquilo que pede." Depois que aumentei o tamanho da caixa de texto dos comentários neste blog, o tamanho médio dos comentários aumentou bastante.

Como recomendei no primeiro artigo que escrevi para minha coluna de usabilidade no FlashMasters, a ligação entre essas páginas não deve se resumir só ao menu de navegação. É muito melhor ao final de cada texto lido ter um link logo abaixo indicando que devemos ler em seguida. Basta seguir a sequência do Lenker. Na página de empresas, finalize com um link para a página de "serviços" e assim por diante.

Esse tipo de navegação tem agradado muito tanto aos meus clientes quanto aos clientes dos meus clientes. No site que fiz para um fabricante de panetones, priorizei esse esquema de navegação, usando caixas sedutoras ao redor dos textos. Joguei o menu lá pra cima (onde não é nada prático), sem medo de ser feliz. Nos testes informais que fiz, parece ter dado muito certo. Usuários sem objetivos bem definidos se sentem bem à vontade em deixar que o site os guie na visita.

Fred van Amstel ([email protected]), 20.08.2004

Veja os coment?rios neste endere?o:
http://www.usabilidoido.com.br/empresa_-_servicos_-_contato.html