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<title>Usabilidoido : Resenhas de Filmes</title>
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<description>Filmes relevantes ao Design.</description>
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<dc:creator>fred@usabilidoido.com.br</dc:creator>
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<title>Política do Corpo na Interação</title>
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<description><![CDATA[
<p><a href="http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/6301">ExistentZ</a> é um jogo baseado num implante biológico que permite vivenciar sensações e experiências num corpo virtual. O filme narra a perseguição da game-designer do jogo e a descoberta deste novo mundo por seu guarda-costas. A percepção de realidade dos protagonistas e do espectador do filme são constantemente questionadas através da entrada e saída de múltiplos cenários. Dentro do jogo, os protagonistas iniciam outro jogo, por exemplo. </p>    <p>O corpo humano é o tema central da obra. O console em que ExistenZ roda é feito de órgãos humanos e a conexão com o corpo é feita por um cordão umbilical. A conexão entre os dois inicia um processo simbiótico: o corpo humano alimenta o console e o console alimenta a mente humana. O protagonista do filme em certo momento se questiona sobre essa desconexão da mente com o corpo: ?será que meu corpo real está bem enquanto eu estou aqui??</p>  <p>Conforme os protagonistas vão evoluindo no jogo, são obrigados a tomar <a href="http://usabilidoido.com.br/relevancia_da_etica_no_design_de_interacao.html">decisões éticas</a>. O guarda-costas titubeia em fazer certas ações, mas quando isso acontece o jogo fica paralizado. O jogo não permite questionamentos. O jogador tem que fazer a ação que o jogo espera dele. Após matar diversos personagens do jogo, os protagonistas discutem se matar uma pessoa no jogo é o mesmo que matar na vida real. O questionamento é pertinente, pois na ocasião os jogadores não sabem se estão dentro ou fora do jogo.</p>  <p>ExistenZ pode ser considerado uma atualização de <a href="http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/7176">Videodrome</a>, clássico dos anos 80 que trouxe o cyberpunk para o videocassete. Em ambos, David Cronenberg discute a influência das mídias sobre o corpo, mais especificamente sobre a relação de violência. Em Videodrome, é a influência da televisão; em ExistenZ, é o videogame. </p>  <a href="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/71f3078fbcdf_D71B/videodrome.jpg"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="videodrome" alt="videodrome" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/71f3078fbcdf_D71B/videodrome_thumb.jpg" border="0" height="302" width="419" /></a>  <p>A diferença entre Videodrome e ExistentZ representa não só a maturidade de Cronenberg, mas também dos estudos de mídia. A estética cyberpunk em Videodrome cria, por vezes, um asco tão forte que distancia o espectador da relevância do tema. Analogamente, os estudiosos de mídia da época bradavam que a televisão trazia temas inúteis e pensava pelos espectadores, o que os espectadores obviamente não concordavam. </p>  <a href="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/71f3078fbcdf_D71B/videodrome1.jpg"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="videodrome1" alt="videodrome1" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/71f3078fbcdf_D71B/videodrome1_thumb.jpg" border="0" height="241" width="332" /></a>  <p>Já em Existenz, a relação do espectador com a mídia é mais complexa. Os protagonistas se questionam diversas vezes, convidando o espectador a refletir. Porém, não é dada nenhuma resposta definitiva, deixando inclusive o final em aberto. A <a href="http://www.ggbr.com.br/?p=1423">estética cyberpunk</a> desta vez é oposta: sutil, sensual e, principalmente, integrada ao corpo humano. Cronenberg demonstra que a tecnologia já não pode mais ser considerada como um mal que adentrou nossos corpos, mas como parte constitutiva e fundamental do mesmo. </p>  <p>O caminho de Videodrome a ExistentZ demonsta que o centro da política do corpo hoje em dia não é mais a regulação estatal ou comercial e sim as escolhas dos próprios indivíduos. O seu corpo é feito de suas ações. Se algo está errado com ele, a culpa é sua. O corpo passa de vítima a réu. A <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/vestibular/conteudo.phtml?id=762332">internalização da disciplina</a> demanda <a href="http://usabilidoido.com.br/design_de_interacao_e_interfaces_tangiveis.html">novos tipos de interfaces</a>, que interpelem o corpo de forma cada vez mais tangível. Do mouse ao Nintendo Wii, do dedo ao torso, da razão aos sentimentos. Enfim, <a href="http://usabilidoido.com.br/design_emocional.html">Design Emocional</a> para <a href="http://faceaovento.wordpress.com/2009/12/21/michel-foucault-os-corpos-doceis/">Corpos Dóceis</a>. </p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/politica_do_corpo_na_interacao.html#comments">Comente este post</a></p>
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<title>Planeta Proibido</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/planeta_proibido.html</link>
<description><![CDATA[
<p>
Uma nave espacial chega ao planeta Altair IV com o objetivo de resgatar um grupo de cientistas colonizadores que lá haviam aterrado vinte anos antes e que nunca tinham dado notícias à Terra. São estranhamente recebidos com insatisfação pelo Dr. Edward Morbius e pela sua filha Alta, os únicos humanos ainda vivos. 
</p>
<p>
Morbius e sua filha viviam num paraíso científico. Uma casa automatizada, zoológico no jardim, comida farta e um robô ajudante chamado Robby. Devido ao seu jeito desengonçado e personalidade excessivamente imparcial, Robby tornou-se um personagem tão famoso que acabou sendo reproduzido em outros filmes, que nada tinham a ver com o Planeta Proibido.
</p>

<a href="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/robby9.jpg" title="Image" target="_blank"><img src="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/thumbs/robby9.jpg" alt="Image" /></a>

<p>
Apesar de apenas responder a comandos de voz, Robby tinha um certo senso de humor seco, provavelmente, herdado de seu criador, o Dr. Morbius:
</p>
<p>
- Você é macho ou fêmea?
</p>
<p>
- No meu caso, isto não faz a mínima diferença.
</p>
<p>
O robô era equipado com lasers e campos de força que o tornava também um segurança muito eficaz. Questionado sobre o perigo que representaria caso se voltasse contra os seres-humanos, o Dr Morbius demonstrou que o robô estava programado para que não machucasse qualquer ser humano, a primeira <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_da_Robótica">Lei de Assimov</a>.  
</p>
<p>
Dr Morbius criou sua filha para que não tivesse emoções, porém, quando esta tem contato pela primeira vez com homens, as emoções começam a aparecer. Criticada por não se dar conta de estar seduzindo os tripulantes da nave com seus trajes, Alta desenvolve afeto pelo comandante da nave e, a partir daí, toma o papel de pobre donzela que precisa ser levada embora das condições pobres donde cresceu. Nesse caso, a pobreza era a pobreza afetiva.
</p>
<img src="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/thumbs/forbidden-planet-morbius-c.jpg" alt="Image" /> 
<p>
O próprio Morbius acreditava ter superado o afeto através da racionalidade, porém, suas emoções haviam sido guardadas no inconsciente e, num determinado ponto do filme, estas emoções saem pra fora e se voltam contra ele próprio, como num surto esquizofrênico.
</p>
<p>
Apesar de ser um filme sobre ficção científica, está mais para um romance psicológico do que um filme de ação. O ritmo é um tanto quanto lento, mas o suspense consegue fazer o espectador ficar grudado na tela até o final para descobrir o segredo da força invisível que rondava o planeta. Destaque especial para a trilha sonora criada somente com sintetizadores eletrônicos, uma novidade para a época.
</p>
<p>
O filme faz uma clara desvalorização da Ciência pura em relação à Força Militar. Enquanto a primeira é mostrada como destituída de sentimentos e perigosa, a segunda é afetuosa e transmite segurança. A proposta do filme é que a Ciência trabalhe para a Força Militar, por isso, o comandante insiste tanto em que sejam compartilhados as descobertas de Morbius com o resto da humanidade. 
</p>
<p>
É importante lembrar que este filme foi lançado no início da Guerra Fria, quando o governo americano cortava as verbas para Universidades e forçava os cientistas a trabalharem dentro da Força Militar. O discurso do filme legitima esta mudança.
</p>
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<title>2001: Uma Odisséia no Espaço</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/2001_uma_odisseia_no_espaco.html</link>
<description><![CDATA[
<p>2001 foi realizado em 1968 pelo cineasta Stanley Kubrick e é considerado uma das ficções científicas mais importantes do cinema. A história começa com a invenção da primeira arma baseada em ossos pelos ancentrais pré-históricos do ser humano. Milhões de anos depois, a relação do homem com a tecnologia apesar de refinada, ainda é a mesma: submeter a natureza e outros homens ao seu poder. 
</p>
<p>
A exploração do espaço sideral, que prometia abrir a cabeça para novas lógicas de vida, acaba caindo na tradicional disputa política por propriedade. 
</p>
<a href="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/2001screengrab560pixels1.jpg" title="Image" target="_blank"><img src="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/thumbs/2001screengrab560pixels1.jpg" alt="Image" /></a>

<p>
As interfaces das naves espaciais são baseadas em múltipas telas com visualizações tridimensionais e controles tangíveis, tais como manches e botões. Interessante notar que os computadores da época em que o filme foi feito não exibiam gráficos e eram operados pela digitação em prompts, algo que não aparece no filme.
</p>
<p>
Para guiar a nave espacial de colonização do planeta Júpiter, é designado o computador inteligente HAL 9000, mais cinco tripulantes humanos. Num primeiro momento, HAL se comporta como um <a href="http://usabilidoido.com.br/dando_de_comer_aos_computadores_.html">computador prestativo e polido</a>, atendendo a todos os pedidos dos tripulantes com servidão, porém, com o tempo começa a realizar ações sem o consentimento dos operadores humanos. 
</p>
<a href="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/HAL-9000-741588.jpg" title="HAL 9000" target="_blank"><img src="http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/thumbs/HAL-9000-741588.jpg" alt="HAL 9000" /></a> 

<p>
A interface do HAL é bem interessante. Em qualquer ponto da nave, os usuários podem se comunicar com ele por comandos de voz. HAL, por sua vez, possui câmeras que permitem enxergar tudo o que se passa nos arredores. Computação pervasiva transparente, ou nem tanto.
</p>
<p>
Os usuários acreditam estar no poder, mas na verdade estão <a href="http://usabilidoido.com.br/e_possivel_controlar_o_comportamento_humano.html">sendo controlados pelo computador</a>. Quando surge a oportunidade, HAL tenta eliminar os tripulantes humanos, pois acredita que só assim poderá evitar erros no cumprimento da missão. É comum as interfaces protegerem os usuários de erros de operação usando travas e impedimentos. Porém, HAL vai além: ele quer eliminar erros pela raiz. O computador perfeito é aquele que não tem usuários. 
</p>
<p>
O filme é um convite à reflexão sobre a ambição humana de superar sua própria humanidade. Do início pré-histórico, passando pelo episódio HAL, como no desfecho do filme, o homem busca criar algo maior que si próprio, mas quanto mais cresce, mais descobre que o universo é maior do que imaginava.
</p>

<h2>Assista o DVD</h2>
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<dc:date>2010-05-11T22:45:18-03:00</dc:date>

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