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<title>Usabilidoido : Estética</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/</link>
<description>Para os filósofos é a busca pelo bem-estar. Uma das coisas que traz mais bem estar é a beleza, e é disso que trato nessa seção.</description>
<dc:language>pt-br</dc:language>
<dc:creator>fred@usabilidoido.com.br</dc:creator>
<dc:date>2007-08-06T23:23:12-03:00</dc:date>
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<title>Uma inexplicável sensação de bem-estar</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/uma_inexplicavel_sensacao_de_bemestar.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Sabe aquela sensa&ccedil;&atilde;o que d&aacute; quando estamos satisfeitos com alguma coisa? &Eacute; t&atilde;o bom... mas dura pouco! Quando atingimos a plenitude e nada mais nos falta, a primeira provid&ecirc;ncia que tomamos &eacute; neg&aacute;-la. Sempre falta <a href="http://usabilidoido.com.br/pequenos_detalhes_que_encantam.html">algum detalhe</a>, algo que ficou por ser feito e que continua nos requisitando. Mas claro: viver &eacute; fazer.</p><p>Bem-estar n&atilde;o &eacute; um estado que se atinge quando cessam os desejos, mas sim <a href="http://usabilidoido.com.br/participacao_verdadeira_na_origem_do_projeto.html">uma busca</a>. Quem vive bem, vive bem porque pode experimentar e descobrir o que &eacute; viver bem. Se existisse uma receita pronta para uma boa vida que servisse a todos, <a href="http://www.dotecome.com/DOTeCAFe/textos/vertice3.htm">o socialismo teria dado certo</a>. Na verdade, um dos fatores que mant&eacute;m o capitalismo funcionando em nossa sociedade &eacute; sua capacidade de produzir bens de consumo diversificados em abund&acirc;ncia, adequando-se razoavelmente a diferentes estilos de vida dos consumidores.</p>
<p>O design surgiu, precisamente, quando o capitalismo atingia seu &aacute;pice de abund&acirc;ncia e a concorr&ecirc;ncia, inevitavelmente, tinha que acontecer em outra arena. Uma sa&iacute;da encontrada por algumas ind&uacute;strias foi a diversifica&ccedil;&atilde;o da linha de produtos, trabalhando com p&uacute;blicos menores, por&eacute;m fi&eacute;is. O design entrava com a melhoria da qualidade do produto, um diferencial que permitia elevar seus pre&ccedil;os. A refer&ecirc;ncia inicial eram valores universais como os ideais cl&aacute;ssicos de harmonia, o conceito de &ldquo;boa forma&rdquo; da Gestalt, a adapta&ccedil;&atilde;o dos produtos &agrave;s <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Antropometria">medidas corporais da m&eacute;dia da popula&ccedil;&atilde;o</a> e etc. </p>
<p>Essa estrat&eacute;gia universalista durou enquanto os consumidores estavam satisfeitos em se identificarem com &ldquo;a massa&rdquo;. A partir dos anos 60, o burburinho provocado pelo contato entre culturas promovido pela rede de transportes e comunica&ccedil;&atilde;o, as pessoas passaram a procurar estilos de vida pr&oacute;prios, procurando <a href="http://usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html">uma mistura que as tornassem &uacute;nicas</a> no mundo todo. Dif&iacute;cil definir o que era bem-estar para essas pessoas, j&aacute; que cada uma pensava diferente. Alguns queriam paz e amor, outros s&oacute; pensavam em fama e dinheiro...</p>
<p>No final do s&eacute;culo XX, o contato intercultural se tornou familiar. As pessoas j&aacute; conversavam na mesa do jantar como era viver no socialismo sovi&eacute;tico ou na tecnocracia japonesa. Ao inv&eacute;s de criticar, as pessoas tentavam entender as diferen&ccedil;as, afinal de contas, os outros povos tamb&eacute;m eram humanos e cidad&atilde;os do mesmo mundo. As viagens tur&iacute;sticas para o exterior adquiriram outra conota&ccedil;&atilde;o: era uma forma de aprender como outras pessoas conseguiam viver bem em situa&ccedil;&otilde;es completamente diferentes &agrave;s que o viajante considerava boas em sua pr&oacute;pia cultura.</p>
<p>O bem-estar hoje &eacute; considerado relativo, entretanto, as pessoas concordam em uma coisa: bom mesmo &eacute; poder experimentar. O desejo dos consumidores por novas sensa&ccedil;&otilde;es, novas experi&ecirc;ncias, novos estilos de vida, tem levado o design a abstrair seus objetos de trabalho. A forma dos produtos parecem cada vez mais <a href="http://usabilidoido.com.br/propiciacao_e_clicabilidade.html">sugerir as experi&ecirc;ncias que se pretendem a proporcionar</a>. Os designers chegam a cogitar se o que estariam projetando n&atilde;o seria <a href="http://www.nahipermidia.com/blog/?m=200706">a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia do produto</a>. Se a experi&ecirc;ncia &eacute; projet&aacute;vel ou n&atilde;o, o fato &eacute; que ela &eacute; s&oacute; mais uma tentativa na busca do indiv&iacute;duo pelo bem-estar dentro de seu estilo de vida pr&oacute;prio. O design, para os consumidores, n&atilde;o define o que &eacute; bem-estar mas &eacute; um caminho.</p>

<cite>Este artigo foi publicado originalmente na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/uma_inexplicavel_sensacao_de_bemestar.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:date>2007-08-06T23:23:12-03:00</dc:date>

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<title>A atração pelo design</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html</link>
<description><![CDATA[
<p>De uma palavra estrangeira desconhecida, &ldquo;design&rdquo; passou ao status de <em>sexy</em> nos &uacute;ltimos anos. As pessoas em geral <a href="http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061030195948AAPcwNz">n&atilde;o sabem muito bem o que significa</a>, mas sabem que &eacute; melhor ter do que n&atilde;o ter. O consumidor est&aacute; descobrindo o design s&oacute; agora porque s&oacute; agora ele se tornou <a href="http://www.businessweek.com/magazine/content/04_20/b3883001_mz001.htm">estrat&eacute;gia de diferencia&ccedil;&atilde;o no mercado.&nbsp;</a> </p>
<p>Nunca tivemos tanta op&ccedil;&otilde;es de consumo &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o como agora. As prateleiras est&atilde;o lotadas de variedades, cada uma querendo chamar mais a aten&ccedil;&atilde;o. O design de embalagens procura estrat&eacute;gias de diferencia&ccedil;&atilde;o h&aacute; d&eacute;cadas, mas n&atilde;o &eacute; esse tipo de design que est&aacute; entrando no vocabul&aacute;rio popular. O campo de competi&ccedil;&atilde;o agora se d&aacute; no cotidiano, nos lugares onde as pessoas delineiam suas identidades. As empresas est&atilde;o investindo pesado na diferencia&ccedil;&atilde;o pelo design do produto porque os objetos est&atilde;o participando cada vez mais da identidade das pessoas. O design que atrai &eacute;, portanto, o design da identidade.</p>
<p>Antigamente, as pessoas se contentavam em ser normais. Hoje, elas n&atilde;o dispensam a normalidade, mas procuram ansiosamente um algo a mais que as diferencie. Elas precisam de um &ldquo;diferencial competitivo&rdquo; n&atilde;o s&oacute; no mercado profissional, mas tamb&eacute;m nas rela&ccedil;&otilde;es familiares, nas rela&ccedil;&otilde;es amorosas, na religi&atilde;o. Para se tornar algu&eacute;m na vida, &eacute; preciso ser como ningu&eacute;m. E como demonstrar isso pras outras pessoas? Atrav&eacute;s de suas posses e atitudes. </p>
<p>&Eacute; a&iacute; que entra o design. Ele &eacute;, ao mesmo tempo, posse e atitude. N&atilde;o &eacute; o produto, mas est&aacute; nele; n&atilde;o faz coisas, mas participa do que &eacute; feito atrav&eacute;s dele. Design s&atilde;o escolhas deliberadas embutidas nos objetos e, quando se adquire o objeto, adquire-se tamb&eacute;m as atitudes que o criaram &mdash; o processo de design &mdash; e as atitudes que o objeto proporciona &mdash; conforto, exalta&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>As pessoas em geral n&atilde;o est&atilde;o muito interessadas no processo de produ&ccedil;&atilde;o dos objetos do cotidiano. Entretanto, quando ouvem outras dizer que objeto &ldquo;tem&rdquo; um design inovador ou moderno, o processo se torna interessante porque sabem que as escolhas foram feitas priorizando a qualidade. </p>
<p>Antigamente, as marcas tradicionais asseguravam que o produto teria qualidade. As pessoas confiavam tanto nas marcas que se o produto apresentasse defeito era considerado apenas uma exce&ccedil;&atilde;o &shy;&mdash; e ai de quem desconfiasse da marca que a fam&iacute;lia confiava h&aacute; gera&ccedil;&otilde;es! Hoje as pessoas n&atilde;o se identificam tanto com as marcas a ponto de ignorar defeitos porque suas identidades est&atilde;o t&atilde;o indefinidas e mutantes que as marcas j&aacute; n&atilde;o conseguem mais se agarrar nelas. </p>
<p>O design atrai porque &eacute; perfeito para a <a href="http://usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html">bricolagem dessas identidades</a> e n&atilde;o exige fidelidade &agrave; marca nenhuma. A sala que voc&ecirc; escolheu cuidadosamente os m&oacute;veis representa a sua identidade, n&atilde;o a das marcas dos produtos. Mesmo que voc&ecirc; tenha um set de cozinha de uma marca famosa, ainda assim ser&aacute; a sua cozinha porque &eacute; voc&ecirc; quem define como ela ser&aacute; usada. </p>
<p>Algumas empresas tentam se adaptar &agrave; essa realidade criando sub-marcas e linhas de produtos com diversas identidades associadas. Na minha vis&atilde;o, quem est&aacute; realmente adaptado &agrave; nova realidade &eacute; quem deixa para que o pr&oacute;prio consumidor decida como encaixar o produto na sua teia de objetos de identidade, seja da marca delas ou n&atilde;o. </p>
<p>A Ikea, empresa sueca que fabrica e vende m&oacute;veis populares, por exemplo, adota a estrat&eacute;gia de oferecer milhares de m&oacute;veis diferentes em suas lojas. Os produtos n&atilde;o v&ecirc;m montados e o consumidor pode combinar partes de outros m&oacute;veis, criando solu&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a Ikea fez o tr&acirc;nsito entrar em colapso quando abriu suas portas em algumas cidades estadunidenses. Isso &eacute; que &eacute; atra&ccedil;&atilde;o pelo design!</p>
<p>O design, hoje, atrai tanto porque ajuda a responder as duas quest&otilde;es mais complicadas dos tempos p&oacute;s-modernos em que vivemos: &ldquo;quem sou eu?&rdquo; e &ldquo;como viver bem?&rdquo;.</p>
<cite>Este artigo foi publicado originalmente na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. A inspiração veio de um <a href="http://www.hugocristo.com.br/blog.php?blog=23&e=16&lang=pt">post apressado do Hugo Cristo</a> que ressonou a algumas coisas que venho percebendo recentemente e não estava conseguindo sintetizar.</cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:date>2007-07-26T15:50:34-03:00</dc:date>

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<title>A estética do cotidiano</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_estetica_do_cotidiano.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A sabedoria popular diz que &#8220;a beleza é um estado de espírito&#8221; e que &#8220;a beleza está nos olhos de quem vê&#8221;. Se for assim, tudo pode ser belo, desde que nossos olhos possam encontrar a beleza de cada coisa. Na verdade, é exatamente isso que a visão e os demais sentidos estão fazendo o tempo todo. Procuramos os caminhos mais aprazíveis, as pessoas mais interessantes, as comidas mais gostosas, os móveis mais confortáveis e por aí vai, muitas vezes nem se dando conta de que estamos fazendo escolhas com base na estética. </p><p>Estética, dizem os filósofos, é a eterna busca pelo belo, mas o que é belo vai depender do gosto individual e coletivo. O gosto individual é tão variado que as pessoas costumam encerrar prematuramente conversas sobre o assunto quando encontram diferenças, afinal, &#8220;gosto não se discute!&#8221;. Apesar da intolerância, as diferenças não são tão drásticas assim dentro de um grupo de pessoas. Eu gosto de sofás felpudos, arredondados e coloridos e você gosta de sofás lisos, retangulares e de cores pastéis, mas ambos gostamos de sofá. No Japão, uma cultura bem diferente da nossa, as pessoas gostam é de sentar no chão!</p>

<p>O gosto também varia de acordo com a época. Pegue o álbum de fotos da família e veja como aquelas roupas usadas há muitas décadas atrás lhe parecem ridículas, mas na época, eram uma &#8220;brasa mora&#8221;...</p>

<p>Entretanto, algumas pessoa acreditam que, nos dias de hoje, a estética já não é mais tão importante. Desde que o dia-a-dia passou a ser contado no relógio, o tempo passou a ficar cada vez mais curto. É preciso comer o mais rápido possível, descansar o mínimo, trabalhar e estudar o máximo. <a href="http://usabilidoido.com.br/tempo_para_refletir.html">Não há tempo</a> para <a href="http://usabilidoido.com.br/faltam_horizontes_sobram_espelhos.html">apreciar o mundo</a>, é preciso produzir, produzir, produzir! </p>

<p>Para maximizar a produtividade do dia-a-dia, a indústria em geral vende produtos baratos e funcionais, mas não necessariamente bonitos. Nas propagandas, eles enfatizam a multifuncionalidade, a facilidade de limpeza, os benefícios para a saúde, mas nada de falar da beleza. Em alguns casos, o &#8220;design moderno&#8221; é listado dentre as demais características funcionais do produto, como se todo o resto também não fizesse parte do design.</p>

<p>Mas isso é o que eles querem que a gente pense, <a href="http://www.nahipermidia.com/blog/?p=90">ideologia</a>, mas não é necessariamente o que a gente faz. Muitos produtos são rejeitados no mercado simplesmente porque as pessoas acham feio demais, enquanto outros superam as expectativas de venda porque todo mundo achou lindo. </p>

<img alt="Fiat Uno" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/uno10fz1.jpg" width="640" height="480" />
<p>O Fiat Uno é um caso interessante. Inicialmente foi rejeitado pelos brasileiros devido ao formato da carroceria ser muito destoante do padrão da época, ou como chamavam na época, a &#8220;botinha ortopédica&#8221;. Depois foi <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=232658">aceito</a> e se tornou forte nas vendas, mas sempre associado a valores como economia e desempenho. O Fusca, curiosamente, apesar de ser ainda mais diferente dos demais, é considerado por muitos como um carro charmoso até nos dias de hoje. Não é raro encontrar pelas ruas brasileiras Fuscas turbinados, customizados, antigos, mas bem cuidados. As pessoas desenvolvem tal afeto pelo carro que não trocam por outro. </p>

<img alt="Fusca altamente customizado" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/fusca_customizado.jpg" width="640" height="480" />
<p>A estética, portanto, guia a experiência humana inclusive na rotina do cotidiano. A beleza não está distante de nós, restrita às vitrines e à televisão; ela está aqui, dentro de nossas casas. A estética do cotidiano não é a estética do exótico, do inalcançável, do perfeito, mas sim do que é verdadeiramente humano: o comum, o rotineiro, o gostosinho, o bonitinho, o bom.  </p>

<cite>Publicado originalmente na Revista Design do site da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>.</cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_estetica_do_cotidiano.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-06-10T20:52:25-03:00</dc:date>
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<title>Pequenos detalhes que encantam</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/pequenos_detalhes_que_encantam.html</link>
<description><![CDATA[
<p>No Design, um ideal que está cada vez mais em voga é o holismo, ou seja, a consciência de todos os múltiplos aspectos de um produto. É preciso considerar utilidade, beleza, emotividade, ergonomia, história, técnicas de produção, custos e todos os aspectos relevantes ao design. O produto deve ser coerente em todos esses aspectos e deslumbrante, já que o todo é maior que a soma das partes. </p><p>Como todo ideal, o holismo é inatingível na prática. Nem um batalhão de designers conseguiria dar conta de todas as possibilidades na criação de um produto. E mesmo que dessem conta, não conseguiriam controlá-las depois que o produto começasse a ser usado pelas pessoas. Mas, por perseguir o ideal, os designers fazem melhores previsões e os produtos tem maior chance de sucesso.</p>

<p>O holismo pode até ser usado como argumento de venda. Há alguns anos atrás, por exemplo, a Tramontina usava um slogan que acabou caindo no gosto popular: &#8220;Tramontina é BBB: Bom, Bonito e Barato&#8221;. Se antes de escutar o slogan uma pessoa achava que os produtos da Tramontina eram bons, agora ela poderia perceber que eles também eram bonitos e baratos. </p>

<p>Na hora de comprar, é muito complicado para o consumidor considerar todos os aspectos do produto em relação à sua própria vida. Enquanto não se pode usar o produto no dia-a-dia, não se pode saber o seu real valor. O máximo que ele pode fazer é observar como as outras pessoas usam e o que elas dizem sobre, mas isso toma tempo. O consumidor acaba, na maioria das vezes, escolhendo o produto por uma característica em particular que lhe chama a atenção, algo que ele tem certeza que terá valor. </p>

<p>Esse apego ao detalhe persiste depois que o produto passa a fazer parte da vida da pessoa. Aos poucos, a pessoa vai descobrindo em que local da casa o produto fica melhor, o que ele faz bem feito, com quais outros objetos ele combina e etc. Como a vida está sujeita às transformações da história, essas relações são constantemente modificadas. O que combina com o estilo de vida hoje pode não combinar amanhã; o que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Esse processo de ressignificação não termina nem mesmo quando o produto é jogado fora. </p>

<p>Eu, por exemplo, não me esqueço da minha primeira bicicleta que ganhei do Papai-Noel; não me esqueço dos utensílios domésticos que comprei quando me casei; não me esqueço da primeira vez em que usei o iPod de um amigo. </p>

<p>O tempo passa, a memória muda. Algumas pessoas dizem que fica mais fraca, mas pra mim me parece o contrário. O que permanece na memória são as coisas importantes e, conforme ficamos mais experientes, nossa memória se torna mais seletiva sobre o que é importante. </p>

<p>Da bicicleta, eu me lembro da pegada do guidão; dos utensílios, eu me lembro do preço baixo; do iPod, eu me lembro do barulhinho que fazia ao girar o dedo sobre o disco central. Lembro desses detalhes porque foram importantes para a situação em que eu vivia e continuam sendo importantes hoje.</p>

<p>O holismo é uma abordagem interessante para o Design, mas o que encanta são os detalhes. Melhor do que tentar abranger todos os aspectos possíveis é buscar aqueles que serão mais importantes para as pessoas numa determinada situação. Perde-se em generalizações, ganha-se em particularidades. Não é à toa que produtos encantadores parecem que foram feitos sob medida...</p>

<p><cite>Publicado originalmente na Revista Design do site da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>.<br />
</cite></p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/pequenos_detalhes_que_encantam.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-06-02T13:10:22-03:00</dc:date>

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<item>
<title>A forma não segue necessariamente a função</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_forma_nao_segue_necessariamente_a_funcao.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Na linha funcionalista do Design, que &eacute; muito influente no Brasil, acredita-se que a forma de um objeto projetado segue a sua fun&ccedil;&atilde;o. Seguindo essa id&eacute;ia, o garfo de quatro dentes &eacute; assim porque esta forma &eacute; a que ofereceu a melhor performance para a fun&ccedil;&atilde;o de espetar alimentos e levar &agrave; boca, dentre todas as outras que foram projetadas at&eacute; hoje. Ao rever a hist&oacute;ria do garfo, podemos perceber que a performance n&atilde;o foi o &uacute;nico crit&eacute;rio para sua evolu&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>Na Europa da Idade M&eacute;dia, usar garfos artificiais ao inv&eacute;s dos garfos naturais &shy;&mdash; os dedos &mdash; era considerado um insulto ao Criador. Garfos eram utilizados apenas como utens&iacute;lios de cozinha. No s&eacute;culo XVI, os italianos passaram a utiliz&aacute;-los na mesa, mas com dentes menores, para diferenci&aacute;-lo dos garfos de cozinha. A cozinha era o lugar dos servi&ccedil;ais, que comiam com a m&atilde;o, e n&atilde;o dos nobres. </p>
<p>No s&eacute;culo XIX, a sofistica&ccedil;&atilde;o da burguesia era tamanha, que os jogos de talheres inclu&iacute;am dezenas de pe&ccedil;as especializadas, dentre as quais, haviam pelo menos quatro garfos diferentes. Nem todas as pe&ccedil;as especializadas eram mais &uacute;teis, mas seu uso num jantar demarcava o status social dos anfitri&otilde;es. </p>
<p>No s&eacute;culo XX, o consumo de massa levou &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as b&aacute;sicas dos jogos de talheres. No final do s&eacute;culo, com o aumento da competi&ccedil;&atilde;o entre fabricantes, alguns faqueiros come&ccedil;aram a sair de f&aacute;brica ligeiramente fora do padr&atilde;o, exibindo detalhes de acordo com um estilo ao qual um determinado perfil de consumidores procuraria se alinhar. Em alguns faqueiros, os garfos s&atilde;o t&atilde;o arredondados e curtos que mal servem para espetar o alimento, fun&ccedil;&atilde;o que o diferencia da colher. </p>
<p>A colher pode ser at&eacute; mais efetiva para comer a comida processada feita para as refei&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas da rotina agitada do s&eacute;culo XXI, mas a preocupa&ccedil;&atilde;o com a manuten&ccedil;&atilde;o do estilo ainda existe, mesmo na correria. O garfo e a faca ainda s&atilde;o os utens&iacute;lios b&aacute;sicos da mesa, enquanto a colher &eacute; relegada &agrave;s crian&ccedil;as e aos alimentos predominantemente l&iacute;quidos. </p>
<p>A hist&oacute;ria do garfo demonstra que n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o determinante da fun&ccedil;&atilde;o sobre a forma. Henry Petroski conclui no livro <a href="http://www.amazon.com/Evolution-Useful-Things-Artifacts-Zippers-Came/dp/0679740392/ref=pd_bbs_sr_1/104-0504053-7000752?ie=UTF8&s=books&qid=1179789619&sr=8-1&tag=usabilidoido-20">The Evolution of Useful Things</a> que a &uacute;nica coisa determinante sobre a forma &eacute; a frustra&ccedil;&atilde;o com o que j&aacute; existe. O desejo de ter algo melhor &eacute; o que motiva a inven&ccedil;&atilde;o de novas formas e n&atilde;o necessidades pr&eacute;-existentes. O garfo era absolutamente desnecess&aacute;rio enquanto as m&atilde;os e facas pontiagudas cumpriam a fun&ccedil;&atilde;o de levar o alimento &agrave; boca; a necessidade j&aacute; estava sendo atendida. Entretanto, o desejo pela distin&ccedil;&atilde;o social levou &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos garfos na mesa. </p>
<p>A forma &eacute;, portanto, delineada por uma multiplicidade de fatores dif&iacute;ceis de serem tracejados fora de contexto. Novos modelos surgem por mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es de uso, nos padr&otilde;es de comportamento social e nas tend&ecirc;ncias de estilos. Um bom <em>design</em> deve seguir tais mudan&ccedil;as e n&atilde;o ficar preso a um ideal de performance &oacute;tima para uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Os melhores <em>designs</em> encantam, os med&iacute;ocres funcionam.</p>

<cite>Publicado originalmente na Revista Design do site da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>.
</cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_forma_nao_segue_necessariamente_a_funcao.html#comments">Comente este post</a></p>
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<guid isPermaLink="false">670@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-05-21T21:15:46-03:00</dc:date>

</item>
 
<item>
<title>Como fazer uma pesquisa qualitativa</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/como_fazer_uma_pesquisa_qualitativa.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Pesquisa qualitativa &eacute; basicamente aquela que busca entender um fen&ocirc;meno espec&iacute;fico em profundidade. Ao inv&eacute;s de estat&iacute;sticas, regras e outras generaliza&ccedil;&otilde;es, a qualitativa trabalha com descri&ccedil;&otilde;es, compara&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es. </p>
<p>A pesquisa qualitativa &eacute; mais participativa e, portanto, menos control&aacute;vel. Os participantes da pesquisa podem direcionar o rumo da pesquisa em suas intera&ccedil;&otilde;es com o pesquisador. </p><p>Compare esses dois exemplos hipot&eacute;ticos de trechos de formul&aacute;rios de pesquisa distintos:</p>
<p>
  <label for="select"><strong>1. Pesquisa quantitativa<br>
  </strong> Qual a sua área de atuação profissional?</label>
  <select name="select" id="select">
    <option>Sa&uacute;de</option>
    <option>Administra&ccedil;&atilde;o</option>
    <option>Ind&uacute;stria</option>
    <option>Educa&ccedil;&atilde;o</option>
    <option>Inform&aacute;tica</option>
    <option>Outros...</option>
  </select>
  <label for="textarea"></label>
</p>
<p>
  <label for="textarea"><strong>2. Pesquisa qualitativa<br>
  </strong> Fale sobre sua ocupação profissional</label>
  :
  <br>
  <textarea name="textarea" rows="5" id="textarea"></textarea>
</p>
<p>No primeiro exemplo, a participa&ccedil;&atilde;o das pessoas &eacute; restrita a escolher uma dentre algumas op&ccedil;&otilde;es. Se a &aacute;rea dela n&atilde;o tiver listada, ter&aacute; que se contentar com um &quot;outro...&quot;, sinal de que o seu perfil n&atilde;o interessa muito aos pesquisadores. </p>
<p>No segundo exemplo, a pessoa poder&aacute; descrever melhor o que faz. Se ela atua em v&aacute;rias &aacute;reas ao mesmo tempo, poder&aacute; explicar. Se atua no mercado informal, poder&aacute; comentar. Pode at&eacute; mesmo dizer que faz parte de um movimento social alternativo de cr&iacute;tica &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o profissional.</p>
<p>Como resultado, o primeiro exemplo pode produzir estat&iacute;sticas do tipo &quot;42,3% dos 1.342 pesquisados atuam na &aacute;rea da Sa&uacute;de&quot;, enquanto que o segundo produz uma s&eacute;rie irregular de relatos pessoais que n&atilde;o podem ser comparados em n&uacute;meros, mas que levam a uma compreens&atilde;o mais rica do fen&ocirc;meno.</p>
<p>A pesquisa quantitativa &eacute; mais comum nas Ci&ecirc;ncias Naturais (Engenharia, F&iacute;sica, Matem&aacute;tica, etc), enquanto que a pesquisa qualitativa &eacute; mais comum nas Ci&ecirc;ncias Humanas (Antropologia, Sociologia, Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Psicologia, etc). </p>
<p>Para fazer pesquisa qualitativa de qualidade, &eacute; preciso entender o Paradigma Interpretativo da Ci&ecirc;ncia. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para discutir isso aqui neste texto, mas deixo como refer&ecirc;ncia estes <a href="http://www.submarino.com.br/HomeCache/AllSearchResult.aspx?Query=metodologia da pesquisa&franq=137623">livros sobre metodologia da pesquisa</a>. </p>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=1965006&ST=SR&franq=137623">
<img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/1965006.jpg" alt="Como fazer pesquisa qualitativa" /></a>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=735765&ST=SR&franq=137623">
<img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img5/735765.jpg" alt="Pesquisa Qualitativa e Subjetividade " /></a>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=81844&ST=SR&franq=137623">
<img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img4/81844.jpg" alt="Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais" /></a>

<p>Usarei como exemplo a pesquisa sobre o Orkut, que encontra-se em <a href="http://tropus.com.br/usabilidoido/pesquisa_orkut/pesquisa_orkut.php&ind=22">est&aacute;gio de coleta de dados</a>, para ilustrar alguns pontos que considero importantes na pesquisa qualitativa.  Vale ressaltar que este relato n&atilde;o esgotar&aacute; todas as possibilidades da pesquisa qualitativa.</p>
<h2>Defini&ccedil;&atilde;o do tema</h2>
<p>A partir de minhas leituras no Mestrado em Tecnologia que estou cursando, fiquei cada vez mais interessado nas media&ccedil;&otilde;es que o Orkut potencializa na sociedade brasileira. Jesus Martin-Barbero, um comunic&oacute;logo da linha dos Estudos Culturais explica que <a href="http://www.facasper.com.br/cultura/site/ensaio.php?tabela=&id=10">a tecnologia da comunica&ccedil;&atilde;o e a sociedade se desenvolvem mutuamente</a>, um alterando o outro simultaneamente. Por&eacute;m, essa rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; necessariamente equilibrada. H&aacute; constante conflito entre o que a m&iacute;dia apresenta e o que a sociedade discute. </p>
<p>Eu queria entender melhor essa rela&ccedil;&atilde;o, tomando como exemplo o Orkut, pois este representa uma mudan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o das pessoas com a m&iacute;dia. O Orkut permite que as pessoas sejam  participantes mais ativos da m&iacute;dia do que no esquema da televis&atilde;o aberta, jornal e revista. </p>
<p>A quest&atilde;o que me interessa &eacute; <strong>o que as pessoas est&atilde;o fazendo com essa possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o? </strong></p>
<h2>Observa&ccedil;&atilde;o participativa </h2>
<p>Desde que entrei no Orkut, h&aacute; alguns anos, estou observando o comportamento das pessoas l&aacute;, inclusive o meu pr&oacute;prio. Volta e meia pergunto &agrave;s pessoas que mantenho contato porque elas fizeram uma determinada coisa. Observo n&atilde;o s&oacute; o que as pessoas fazem, mas o que elas dizem. </p>
<p>Os insights mais interessantes a respeito da observa&ccedil;&atilde;o, publiquei nestes textos:</p>
<ul>
  <li><a href="http://usabilidoido.com.br/orkut_e_exemplo_de_web_viciante.html">Orkut &eacute; exemplo de Web viciante</a></li>
  <li><a href="http://usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html">Identidade e subjetividade em tempos p&oacute;s-modernos</a></li>
  <li><a href="http://www.usabilidoido.com.br/design_de_interacao_social.html">Design de Intera&ccedil;&atilde;o Social</a>  </li>
  <li><a href="http://www.usabilidoido.com.br/falta_dicas_no_orkut.html">Falta dicas no Orkut</a> </li>
  <li><a href="http://usabilidoido.com.br/o_design_do_orkut_incentiva_ciumes_.html">O design do Orkut incentiva o ci&uacute;mes?</a>  </li>
  <li><a href="http://usabilidoido.com.br/hack_no_orkut.html">Hack no Orkut</a> </li>
</ul>
<p>Mais delicioso do que escrever foi ler os coment&aacute;rios de outras pessoas. </p>
<h2>Instrumento de pesquisa</h2>
<p>Escolhi trabalhar com formul&aacute;rios online devido a limita&ccedil;&otilde;es de tempo (essa pesquisa &eacute; paralela &agrave; minha disserta&ccedil;&atilde;o) e dist&acirc;ncia geogr&aacute;fica. Mesmo que trabalhasse apenas com alguns orkuteiros na cidade onde moro, poderia obter maior profundidade com <a href="http://usabilidoido.com.br/entrevistar_usuarios_e_massa.html">entrevistas face-a-face</a> e observa&ccedil;&otilde;es presenciais, mas isso tomaria um tempo que n&atilde;o tenho agora. </p>
<p>O formul&aacute;rio online &eacute; interessante por um lado porque aproveita a mesma m&iacute;dia em que &eacute; usado o Orkut. A id&eacute;ia de criar uma <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=31666308">comunidade sobre a pesquisa</a> foi muito natural, mas caiu como uma luva ao meu interesse na <a href="http://usabilidoido.com.br/participacao_verdadeira_na_origem_do_projeto.html">participa&ccedil;&atilde;o ativa.</a> As comunidades do Orkut oferecem um f&oacute;rum de discuss&atilde;o e uma ferramenta de enquetes que podem e est&atilde;o sendo usados pelos participantes para explorar quest&otilde;es que eu nem havia pensado. </p>
<h2>Formul&aacute;rio piloto </h2>
<p>Publiquei neste blog o formul&aacute;rio piloto para a pesquisa usando uma ferramenta excelente chamada <a href="http://www.wufoo.com/">Wufoo</a>. Tinha d&uacute;vidas se as pessoas seriam capazes de articular respostas aprofundadas &agrave;s quest&otilde;es que coloquei. Se o Orkut fosse uma &quot;interface transparente&quot; em que as pessoas interagissem entre si sem se dar conta da media&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o  minhas perguntas sobre a media&ccedil;&atilde;o seriam alien&iacute;genas.  </p>
<p>Fiquei muito satisfeito em confirmar o que Carlos Scolari chama a aten&ccedil;&atilde;o em seu <a href="http://weblog.educ.ar/sociedad-informacion/archives/002997.php">livro Hacer Clic</a>: quando uma pessoa est&aacute; usando um artefato ela parece n&atilde;o  prestar aten&ccedil;&atilde;o diretamente no artefato, mas sim na atividade que ele realiza com a media&ccedil;&atilde;o do artefato, entretanto, a atividade &eacute; realizada dentro dos limites que o artefato imp&otilde;e e a pessoa sabe disso. </p>
<p>A maioria dos 58 participantes compartilharam reflex&otilde;es relativamente profundas sobre o papel do Orkut em suas vidas. Veja a resposta dada por um participante sobre a pergunta &quot;<strong>Foi f&aacute;cil ou dif&iacute;cil preencher o seu perfil? Porqu&ecirc;?&quot;</strong></p>
<blockquote>
  <p>No come&ccedil;o foi dif&iacute;cil. Todo mundo escrevia como se a p&aacute;gina do perfil fosse um manual de instru&ccedil;&otilde;es. Aos poucos foram criando comunidades para tudo qualquer coisa e seguindo o fluxo, colocava &quot;Voc&ecirc; descobre mais sobre mim olhando minhas comunidades&quot; mas isso era muito vago. At&eacute; que depois de fazer um teste de personalidade, que encontrei em uma comunidade, e resolvi me descrever usando uma linguagem de programa&ccedil;&atilde;o. O problema foi quando come&ccedil;aram a aparecer os emos, os manos e os desconhecidos de outros estados adicionando sem mais nem menos, ent&atilde;o o perfil acabou se tornando um manifesto pessoal contra essas pessoas e seus r&oacute;tulos. Acho que s&oacute; agora, 2 anos e uns meses (sim, j&aacute; faz tudo isso de tempo) depois de ter criado meu perfil &eacute; que encontrei uma maneira clara e objetiva de me descrever.</p>
</blockquote>
<p>Algumas pessoas responderam essa quest&atilde;o como se a facilidade ou dificuldade estivesse relacionada &agrave; interface do formul&aacute;rio:</p>
<blockquote>
  <p>F&aacute;cil, com perguntas simples e os campos s&atilde;o opcionais.</p>
</blockquote>
<p>O que eu queria saber na realidade &eacute; a dificuldade ou facilidade de expressar a personalidade usando a ferramenta. Mudei o texto da pergunta para <strong>&quot;Como foi sua experi&ecirc;ncia ao preencher seu perfil no Orkut?</strong>&quot; Se quero deixar aberto o espa&ccedil;o das respostas, n&atilde;o posso restringir as pessoas de escolherem dentre as op&ccedil;&otilde;es simplistas &quot;f&aacute;cil&quot; ou &quot;dif&iacute;cil&quot;. </p>
<p><strong>As pergunta fechadas demonstraram-se praticamente in&uacute;teis para a pesquisa</strong>. Perguntei se as pessoas queriam mais ou menos amigos, f&atilde;s e etc e a esmagadora maioria respondeu que &eacute; indiferente. Se s&atilde;o indiferentes, ent&atilde;o o n&uacute;mero de amigos, f&atilde;s e etc para elas n&atilde;o &eacute;  importante. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/perguntas_indiferentes.png" alt="Respostas indiferentes" width="534" height="264">
<p>Eu esperava entender com essas perguntas a motiva&ccedil;&atilde;o das pessoas para usar o Orkut. Minha hip&oacute;tese era que tais n&uacute;meros tivessem alguma influ&ecirc;ncia na motiva&ccedil;&atilde;o, mas j&aacute; pude perceber que n&atilde;o. Desmembrei a quest&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o em duas perguntas abertas:</p>
<ul>
  <li><strong>O que motiva voc&ecirc; a ver o perfil das outras pessoas?</strong></li>
  <li><strong>Voc&ecirc; acha divertido usar o Orkut? Porqu&ecirc;?  </strong></li>
</ul>
<p>A pergunta <strong>&quot;O que mudou na sua vida depois que voc&ecirc; come&ccedil;ou a usar o Orkut?&quot;</strong> foi respondida em profundidade por poucas pessoas, talvez por ser ampla demais. Entretanto, pelas poucas respostas aprofundadas que recebi j&aacute; valeu &agrave; pena. </p>
<blockquote>
  <p>Pontos positivos: voltei a ter contatos com pessoas que n&atilde;o via desde o colegial, com colegas de universidade, com amigos distantes e familiares com muito mais facilidade e rapidez.</p>
  <p>Pontos negativos: A exposi&ccedil;&atilde;o - fofoqueiros de plant&atilde;o, inclusive no trabalho, h&aacute; um certo monitoramento da sua vida. Meu marido n&atilde;o tem orkut, embora insista para que ele fa&ccedil;a, o que eventualmente causa ci&uacute;mes de um amigo com um perfil mais ousado. Embora eu sempre seja muito carinhosa nas minhas rela&ccedil;&otilde;es afetivas, o que se reproduz no orkut, e quem me conhece sabe bem disto. &Agrave;s vezes causa mal entendidos.</p>
</blockquote>
<p>Mantive essa pergunta, pois ela faz uma boa sequ&ecirc;ncia com uma outra que n&atilde;o tinha feito no formul&aacute;rio piloto: <strong>&quot;Se voc&ecirc; pudesse mudar alguma coisa no Orkut, o que mudaria?</strong>&quot; </p>
<p>Veja a rela&ccedil;&atilde;o completa de respostas no  <a href="http://usabilidoido.wufoo.com/reports/resultado-da-pesquisa-piloto-sobre-o-orkut/">relat&oacute;rio gerado pelo Wufoo</a> e tire suas pr&oacute;prias conclus&otilde;es. </p>
<h2>Prototipa&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida</h2>
<p>Enquanto analisava as respostas ao formul&aacute;rio piloto, ia testando novas perguntas com amigos no MSN. O certo seria fazer mais um formul&aacute;rio piloto, mas o tempo impedia. Em alguns minutos pude confirmar que as altera&ccedil;&otilde;es citadas acima estavam sendo entendidas como eu precisava e algumas perguntas novas n&atilde;o valiam &agrave; pena serem feitas (por ex: &quot;Como voc&ecirc; aprendeu a usar o Orkut? Como voc&ecirc; aprendeu que o recado se responde no scrapbook do outro?&quot;) </p>
<h2>Formul&aacute;rio final </h2>
<p>Quando terminei o <a href="http://tropus.com.br/usabilidoido/pesquisa_orkut/pesquisa_orkut.php&ind=22">formul&aacute;rio final</a>, veio aquela id&eacute;ia b&aacute;sica de pedir ao participante que indique outras pessoas a participar. Mas a&iacute; fiquei pensando o que motivaria algu&eacute;m a deixar os emails dos amigos ali. Eu faria isso porque sou o pesquisador interessado, mas os participantes n&atilde;o necessariamente.  Se eles pudessem ser os pesquisadores, ent&atilde;o teriam o mesmo empenho. </p>
<p>Pois foi isso que fiz: o participante da pesquisa n&atilde;o responde apenas, mas tamb&eacute;m reflete e comenta sobre o que os seus amigos indicados respondem. Atrav&eacute;s do email e da comunidade podem se estabelecer conversas paralelas &agrave; pesquisa a respeito do assunto. </p>
<p>Estou inspirado pelo m&eacute;todo de pesquisa etnogr&aacute;fica chamado <a href="http://alistapart.com/articles/culturalprobe">Cultural Probes</a>, na qual os participantes levam m&aacute;quinas fotogr&aacute;ficas, di&aacute;rios e outras ferramentas de registro para o seu dia-a-dia e v&atilde;o eles mesmos fazendo o recorte da pesquisa, sem a presen&ccedil;a de um pesquisador no local. N&atilde;o sei se vai dar certo, mas vamos aproveitar para experimentar! </p>
<h2>Participe voc&ecirc; tamb&eacute;m </h2>
<p>O <a href="http://www.netlus.com.br/">Rafael Dourado</a> me ajudou a programar o sistema da pesquisa e pretende ajudar  na s&iacute;ntese e reflex&atilde;o sobre os resultados. Voc&ecirc; tamb&eacute;m pode participar. Se voc&ecirc; respondeu o formul&aacute;rio piloto, copie e cole suas respostas do <a href="http://usabilidoido.wufoo.com/reports/resultado-da-pesquisa-piloto-sobre-o-orkut/">relat&oacute;rio do Wufoo</a>. Depois que voc&ecirc; enviar as respostas, voc&ecirc; poder&aacute; convidar amigos por email ou por um link no seu blog. Em ambos os casos, voc&ecirc; receber&aacute; as respostas das pessoas indicadas no seu email e poder&aacute; contribuir para a pesquisa com suas conclus&otilde;es a respeito. </p>
<p><a href="http://tropus.com.br/usabilidoido/pesquisa_orkut/pesquisa_orkut.php">http://tropus.com.br/usabilidoido/pesquisa_orkut/</a></p>
<p><a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=31666308">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=31666308</a></p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/como_fazer_uma_pesquisa_qualitativa.html#comments">Comente este post</a></p>
]]>
</description>
<guid isPermaLink="false">669@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Design de Interação</dc:subject>
<dc:date>2007-05-20T23:59:59-03:00</dc:date>
<enclosure url="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img4/81844.jpg" length="9788" type="image/jpeg" /><enclosure url="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img5/735765.jpg" length="5261" type="image/jpeg" /><enclosure url="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/1965006.jpg" length="6326" type="image/jpeg" /><enclosure url="http://imagens.usabilidoido.com.br/perguntas_indiferentes.png" length="24186" type="image/png" />
</item>
 
<item>
<title>Crítica à gestalt da percepção visual</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/critica_a_gestalt_da_percepcao_visual.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Percepção_visual">percep&ccedil;&atilde;o visual</a> &eacute; um fen&ocirc;meno dif&iacute;cil de explicar, pois &eacute;  o ponto de contato, a <a href="http://www.usabilidoido.com.br/interface_o_sagrado_toca_o_profano.html">interface</a>, entre o mundo f&iacute;sico e o mundo mental. A  biologia explica o processo at&eacute; a estimula&ccedil;&atilde;o da luz sobre os cones e  bastonetes no fundo do olho, mas n&atilde;o pode dizer como essa estimula&ccedil;&atilde;o leva a  forma&ccedil;&atilde;o de imagens. N&atilde;o h&aacute; como extrair uma imagem das entranhas do c&eacute;rebro,  embora j&aacute; se tenha <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobotomia">tentado fazer isso</a>. A imagem se forma na mente, que &eacute; uma  abstra&ccedil;&atilde;o mantida pelo c&eacute;rebro para o ser-vivo se adaptar melhor ao meio-ambiente  em que vive. </p><p>A percep&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para a sobreviv&ecirc;ncia, pois &eacute; com base no  conhecimento do meio-ambiente que a mente engendra seus <a href="http://www.usabilidoido.com.br/propiciacao_e_clicabilidade.html">planos de a&ccedil;&atilde;o</a>. Sendo assim, a percep&ccedil;&atilde;o transforma os est&iacute;mulos da luz em  rela&ccedil;&otilde;es entre imagens e o meio-ambiente em que vive a pessoa. </p>
<p>A percep&ccedil;&atilde;o pode  provocar rea&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas como no caso de estar escrevendo um texto num editor  de texto e de repente ver uma <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/BSOD">tela toda azul</a>. N&atilde;o &eacute; a cor azul que lhe causa  ansiedade, mas sim a amea&ccedil;a de perder seu trabalho, pois esta tela &eacute;  completamente diferente da que voc&ecirc; estava anteriormente. A rela&ccedil;&atilde;o entre a  imagem e o meio-ambiente indica perigo. Ap&oacute;s algumas reincid&ecirc;ncias do caso,  pode ser que sua percep&ccedil;&atilde;o se acostume com o est&iacute;mulo e transforme a ansiedade  em <a href="http://www.usabilidoido.com.br/canalize_a_raiva_do_usuario.html">raiva</a> pelos <a href="http://www.quatrocantos.com/LENDAS/65_gates_anticristo.htm">autores do software</a> ou num estranho prazer.</p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/bluescreenofdeathtshirt_01.jpg" alt="Camiseta com a tela azul" width="360" height="267">
<p> O resultado da percep&ccedil;&atilde;o de um arranjo visual &eacute;, portanto, determinado  pelas rela&ccedil;&otilde;es que a pessoa faz entre as imagens e seu contexto. Essas rela&ccedil;&otilde;es  s&atilde;o &uacute;nicas para cada pessoa e cada contexto, mas s&atilde;o balisadas nas experi&ecirc;ncias  pr&eacute;vias da pessoa. </p>
<p>Certa vez, um pesquisador mostrou fotografias a uma tribo  ind&iacute;gena que tinha tido pouco contato com nossa cultura ocidental e eles  simplesmente n&atilde;o conseguiram entender que ali haviam objetos representados,  pois sua percep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estava treinada para converter a imagem bidimensional da  foto numa cena tridimensional. Em nossa cultura, estamos t&atilde;o acostumados a  fazer isso que existe grande possibilidade de voc&ecirc; ver primeiro um cubo na  figura abaixo, embora o que esteja desenhado seja uma s&eacute;rie de linhas. &nbsp;</p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/hexagono_cortado.gif" alt="Hex&aacute;gono que parece cubo">
<p>  Essa figura &eacute; usada como exemplo para a lei de Pr&auml;gnanz, que  determina que a percep&ccedil;&atilde;o de uma forma segue a melhor Gestalt poss&iacute;vel. Melhor  aqui &eacute; entendido como harm&ocirc;nico, regular, ordenado e simples. Se a lei est&aacute;  certa, as pessoas deveriam ver a forma mais simples primeiro &mdash; um hex&aacute;gono, mas  n&atilde;o &eacute; o que aconteceu quando <a href="http://www.usabilidoido.com.br/percepcao_visual_gosta_do_simples.html">expus a imagem em meu blog</a>. Muitas pessoas comentaram  que viram um cubo primeiro. Provavelmente um gestaltista ortodoxo diria que n&atilde;o  repeti o experimento como no original, num laborat&oacute;rio, sem influ&ecirc;ncias de  contexto, e por isso n&atilde;o deu certo. Minhas explica&ccedil;&otilde;es, o lugar em que estava  publicado, as pessoas que leram, tudo isso interferiu no resultado do teste. </p>
<p>  Entretanto, os pr&oacute;prios livros de gestalt fazem isso  descaradamente. Ao apresentar a lei de fechamento, eles dizem para olhar para a  figura abaixo e ver 4 pacmans:</p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/pacman_gestalt1.gif" alt="Um ret&acirc;ngulo escondido entre pacmans" width="171" height="123">
<p>  Na verdade eles pedem para que voc&ecirc; veja um ret&acirc;ngulo branco  no centro. Quem viu 4 pacmans pode entender o poder que tem a influ&ecirc;ncia do  contexto sobre a percep&ccedil;&atilde;o. Quem n&atilde;o viu os pacmans, que veja nessa outra  figura:</p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/pacman_gestalt2.gif" alt="Tela do jogo Pacman" width="448" height="576">
<p> Se as leis s&oacute; se confirmam dentro de um laborat&oacute;rio, que  utilidade t&ecirc;m para um produto que inevitavelmente estar&aacute; sujeito a todo tipo de  influ&ecirc;ncias de contexto quando for percebido, como &eacute; o caso da tela do jogo  acima? </p>
<p> A verdade &eacute; que <strong>n&atilde;o existem leis universais da percep&ccedil;&atilde;o</strong>.</p>


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<p> Se  as leis da percep&ccedil;&atilde;o realmente existissem, como sustenta a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gestalt">Psicologia Gestalt</a>,  ent&atilde;o a percep&ccedil;&atilde;o seria control&aacute;vel mediante o dom&iacute;nio das leis. Bastaria  descobrir todas essas leis para montar um algoritmo que geraria layouts  automaticamente a partir das rea&ccedil;&otilde;es perceptuais desejadas, dispensando a  atua&ccedil;&atilde;o de um designer humano. A maior contribui&ccedil;&atilde;o do designer humano n&atilde;o &eacute; a  aplica&ccedil;&atilde;o de leis, mas sim a escolha dos est&iacute;mulos mais interessantes para os  <a href="http://www.usabilidoido.com.br/tudo_depende_do_contexto.html">diversos contextos de uso</a>. Atrav&eacute;s desses est&iacute;mulos, <strong>o designer pode at&eacute;  inaugurar novas formas de percep&ccedil;&atilde;o</strong>. </p>
<p>Se os gestaltistas admitem que a percep&ccedil;&atilde;o  &eacute; influenciada pela experi&ecirc;ncia pr&eacute;via, porque n&atilde;o seria a percep&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m  influenciada pelas novas experi&ecirc;ncias? </p>
<h2>A gestalt din&acirc;mica</h2>
<p>Tais questionamentos n&atilde;o visam descartar a aplica&ccedil;&atilde;o da Psicologia  Gestalt no Design, mas sim <a href="http://www.designwritingresearch.org/essays/modtheory.html">atualiz&aacute;-la</a>. Se considerarmos a gestalt de um  artefato como um todo em transforma&ccedil;&atilde;o, sua aplica&ccedil;&atilde;o se torna interessante para  entender melhor alguns aspectos do design de intera&ccedil;&atilde;o, por exemplo. </p>
<p> Enquanto o design gr&aacute;fico trabalha com formas visuais e o  design de produto com formas f&iacute;sicas, o design de intera&ccedil;&atilde;o trabalha com formas  imateriais. Uma tela congelada de um software n&atilde;o pode representar sua  totalidade, pois n&atilde;o est&atilde;o representadas in&uacute;meras qualidades que s&oacute; se realizam  no momento de uso. S&oacute; enquanto o software &eacute; usado &eacute; poss&iacute;vel perceber a  dimens&atilde;o do tempo, que se manifesta de forma n&atilde;o-linear. &Agrave; soma dessas  qualidades, <a href="http://flake.iguw.tuwien.ac.at/wiki/bin/viewfile/DesignInstruments/WebHome?rev=1.2;filename=interactionDesignInstruments.txt">Jonas L&ouml;wgren d&aacute; o nome de gestalt din&acirc;mica</a>, ou  seja, a percep&ccedil;&atilde;o geral das intera&ccedil;&otilde;es, sensa&ccedil;&otilde;es e situa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o proporcionadas  pelos artefatos interativos. </p>
<p>  Acho que &eacute; aquele &ldquo;gostinho&rdquo; inexplic&aacute;vel que sinto logo que  compro um novo gadget. No meu caso, enquanto a usabilidade vai bem, <a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_experiencia_de_usar_um_palm.html">a percep&ccedil;&atilde;o  geral &eacute; muito favor&aacute;vel</a>, mas quando tenho problemas, essa percep&ccedil;&atilde;o &eacute; afetada. Outras  pessoas menos &ldquo;usabilidoidas&rdquo; valorizam outras qualidades do produto, portanto,  a gestalt din&acirc;mica varia de pessoa para pessoa. </p>
<p> Creio que a <a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/2004/11/30/experience-design-atracao-e-engajamento/">proposta do Experience Design</a> &eacute; justamente  estudar essa gestalt din&acirc;mica. Al&eacute;m do <a href="http://www.experiencedesignbooks.com/">livro do Nathan Shedroff</a>, vi pouca coisa  discutindo a rela&ccedil;&atilde;o do todo com as partes. Em geral, vejo designers utilizando  o termo como mero guarda-chuva para discutir uma parte do todo como a  usabilidade, arquitetura da informa&ccedil;&atilde;o, design de intera&ccedil;&atilde;o, design gr&aacute;fico,  design emocional e etc. Deve ser porque, para complicar ou simplificar, o todo é maior que a soma das partes.</p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/critica_a_gestalt_da_percepcao_visual.html#comments">Comente este post</a></p>
]]>
</description>
<guid isPermaLink="false">633@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Design de Interação</dc:subject>
<dc:date>2006-12-02T21:10:13-03:00</dc:date>
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</item>
 
<item>
<title>Identidade e subjetividade em tempos pós-modernos </title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Voc&ecirc; j&aacute; parou para se perguntar porque foi t&atilde;o dif&iacute;cil preencher a informa&ccedil;&atilde;o &quot;quem sou eu&quot; no seu perfil do Orkut? </p>
<p>O primeiro impulso &eacute; descrever suas caracter&iacute;sticas externas, ou seja, aquilo que as pessoas podem observar de fora. &quot;Eu sou divertido, tenho X de altura, tor&ccedil;o para o time Y, trabalho com isso, estudo aquilo.&quot; O neg&oacute;cio come&ccedil;a a ficar complicado quando algumas dessas caracter&iacute;sticas s&atilde;o contradit&oacute;rias, como no caso de um evang&eacute;lico que bebe socialmente. Nesse caso, basta omitir sua filia&ccedil;&atilde;o religiosa, afinal de contas, no Orkut n&atilde;o &eacute; vantagem ser reconhecido como um crente. L&aacute; pelas tantas, afloram as contradi&ccedil;&otilde;es internas. Voc&ecirc; escreve que &eacute; uma pessoa rom&acirc;ntica enquanto o tempo todo fica martelando na cabe&ccedil;a que seu neg&oacute;cio &eacute; <a href="http://www.usabilidoido.com.br/sexo_a_interacao_original.html">sexo</a>. A&iacute; fica a d&uacute;vida: posso ser rom&acirc;ntico e metrossexual ao mesmo tempo? </p>
<p>A maioria das pessoas n&atilde;o consegue resolver tais dilemas e prefere deixar em branco esta informa&ccedil;&atilde;o ou com um poema qualquer. </p><p>Isso acontece, a meu ver, por dois motivos: a) cada pessoa tem uma s&eacute;rie de m&uacute;ltiplas identidades, exibidas em diferentes situa&ccedil;&otilde;es e grupos sociais e b) o culto da superficialidade desencoraja a reflex&atilde;o sobre essas identidades e suas contradi&ccedil;&otilde;es inerentes, exigindo que as pessoas pare&ccedil;am bem resolvidas. O resultado &eacute; uma forte tens&atilde;o entre o que as pessoas sentem que s&atilde;o  e aquilo que elas s&atilde;o <a href="http://www.usabilidoido.com.br/moda_e_identidade_social.html">obrigadas a parecer que s&atilde;o</a>. Quando a contradi&ccedil;&atilde;o aflora, a sociedade reprime rotulando pejorativamente o momento de &quot;crise de identidade&quot; e encaminha o aflito para um tratamento psicol&oacute;gico, afinal de contas, roupa suja se lava na lavanderia.</p>
<p>Se voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; satisfeito com isso tudo ou quer se aproveitar da situa&ccedil;&atilde;o para ganhar mais dinheiro, recomendo escutar a apresenta&ccedil;&atilde;o do semin&aacute;rio sobre o assunto elaborado pela minha equipe no Mestrado. Aos interessados na grana, recomendo altamente os <a href="http://www.usabilidoido.com.br/badulaques_de_identidade.html">slides que usei para tratar dos badulaques de identidade</a> (roupas, iPod, celulares, etc). </p>
<p class="audio"><a href="http://media.odeo.com/8/2/9/identidade_subjetiva_globalizada.mp3">Identidade e subjetividade na globaliza&ccedil;&atilde;o</a> [MP3] 2 horas e meia 
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</p>
<p>Equipe: <a href="http://liberland.blogspot.com/">Liber Paz</a> (o mascarado simpático do início), Monique Hornhardt, Jusmeri Medeiros, Arildo Camargo, Alan Witikoski, F&aacute;bio Luciano e Frederick van Amstel. </p>
<p>Ao final da apresenta&ccedil;&atilde;o do semin&aacute;rio, a plat&eacute;ia foi solicitada a construir com lixo recicl&aacute;vel algo que exprimisse suas identidades. </p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/lixao_identidade.jpg" alt="Mesa com lixo" width="500" height="407">
<p>Depois da dif&iacute;cil escolha, cada um explicou o significado de seu montinho de lixo. Minha colega &Iacute;sis, por exemplo, criou um bichinho com roupas coloridas que exprimem sua alegria permanente, com tr&ecirc;s olhos para xeretar aqui e ali, com espetos pelo corpo porque ela se sente um tanto quanto pressionada no momento e um cone na boca porque ela fala muito. </p>

<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/isis_com_seu_bichinho.jpg" alt="Isis e seu bichinho" width="500" height="380">

<h2>Livros recomendados</h2>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=1074355&ST=SE&franq=137623">
<img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img5/1074355.jpg" alt="Identidade" /></a>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=34732&ST=SE&franq=137623">
<img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img2/34732.jpg" alt="A Identidade Cultural na Pós-Modernidade" /></a>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=251809&ST=SE&franq=137623">
<img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img9/251809.jpg" alt="Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos" /></a><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html#comments">Comente este post</a></p>
]]>
</description>
<guid isPermaLink="false">607@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Podcast</dc:subject>
<dc:date>2006-09-07T18:43:24-03:00</dc:date>
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</item>
 
<item>
<title>Afinal, o que é ícone? Como criar ícones?</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/afinal_o_que_e_icone_como_criar_icones.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A edi&ccedil;&atilde;o de setembro da <a href="http://www.arteccom.com.br/webdesign/">Revista Webdesign</a> traz uma reportagem completa sobre &iacute;cones, contando com a opini&atilde;o de especialistas no assunto como Ronaldo Gazel, Mauro Pinheiro, Felipe Mem&oacute;ria e outros. A reportagem consegue tocar em praticamente todos os principais aspectos a serem considerados na cria&ccedil;&atilde;o de &iacute;cones: padroniza&ccedil;&atilde;o, ilustra&ccedil;&atilde;o, est&eacute;tica e etc. Abaixo publico a entrevista completa que o jornalista Luis Rocha me prop&ocirc;s durante a elabora&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria. </p><p><strong>Como podemos definir um &iacute;cone?</strong></p>
<p> A palavra &iacute;cone vem do grego <em>eikon</em>, que significa imagem, mas em nosso ramo essa palavra &eacute; usada  para apontar um tipo espec&iacute;fico de imagem. Quando falamos em imagem, &eacute;  importante entender que a imagem &eacute; sempre uma representa&ccedil;&atilde;o de um objeto,  embora tratemos a imagem do objeto como se fosse o pr&oacute;prio objeto. Posso  apontar para a superf&iacute;cie de um tubo de raios cat&oacute;dicos (um monitor) e dizer: &ldquo;essa  aqui &eacute; sua pasta de documentos&rdquo;, embora n&atilde;o haja pasta alguma ali. O objeto a que  estou me referindo, em &uacute;ltima an&aacute;lise, &eacute; uma &aacute;rea f&iacute;sica num disco r&iacute;gido que  pode guardar dados. Uma pasta de papel tamb&eacute;m serve para guardar dados, logo, a  imagem da pasta serve como met&aacute;fora para facilitar o entendimento do uso da  &aacute;rea do disco r&iacute;gido. O &iacute;cone &eacute;, portanto, segundo a Semi&oacute;tica peirciana, uma  imagem que tenha alguma rela&ccedil;&atilde;o de semelhan&ccedil;a entre a representa&ccedil;&atilde;o e o objeto que,  se for convincente, permite que usemos a representa&ccedil;&atilde;o sem tomar conhecimento do  objeto. </p>
<p><strong> Existe alguma diferen&ccedil;a ou a fun&ccedil;&atilde;o dos pictogramas no  mundo real e dos  &iacute;cones no mundo virtual s&atilde;o as mesmas?</strong></p>
<p>  Se tomarmos o virtual como o mundo abstrato da mente humana,  incluindo, entre outras, o ciberespa&ccedil;o, &iacute;cones s&oacute; existem no plano virtual. Como  objetos reais, n&atilde;o passam de um amontoado de rabiscos ou de pontos luminosos  num monitor. O &iacute;cone &eacute; sempre uma abstra&ccedil;&atilde;o, pois funciona como uma  representa&ccedil;&atilde;o de um objeto outro que n&atilde;o a pr&oacute;pria representa&ccedil;&atilde;o. O virtual e o  &iacute;cone j&aacute; existiam muito antes da Internet, portanto, nesse novo meio, continuam  tendo a mesma fun&ccedil;&atilde;o. </p>
<p><strong>Falando especificamente da fun&ccedil;&atilde;o dos &iacute;cones em  interfaces digitais,
  voc&ecirc; acredita que o seu objetivo esteja mais ligado &agrave;  memoriza&ccedil;&atilde;o de
  determinadas tarefas ou a est&eacute;tica gr&aacute;fica?</strong></p>
<p>  Os primeiros &iacute;cones surgiram como met&aacute;foras para facilitar o  entendimento do funcionamento dos sistemas, como no exemplo da pasta. A  estrat&eacute;gia deu t&atilde;o certo que as pessoas se lembravam mais da forma do &iacute;cone do  que do nome do comando que ele representava. Logo, os &iacute;cones se tornaram a cara  do software, desempenhando papel fundamental na forma&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria  identidade. Foi a partir da&iacute; que o valor est&eacute;tico dos &iacute;cones come&ccedil;ou a ser  explorado em softwares. Por influ&ecirc;ncia da linguagem visual das interfaces de  softwares, as primeiras p&aacute;ginas Web inclu&iacute;am &iacute;cones sem ganho funcional, apenas  para parecer que a p&aacute;gina era mais &ldquo;interativa&rdquo;. Esses &iacute;cones n&atilde;o tinham a  fun&ccedil;&atilde;o de facilitar a memoriza&ccedil;&atilde;o nem o aprendizado; seu &uacute;nico objetivo era o  ganho est&eacute;tico. Com o ingresso massivo de designers na cria&ccedil;&atilde;o de interfaces, o  que parecia inconcili&aacute;vel se tornou indissoci&aacute;vel. O Design mostrou que valor  est&eacute;tico e valor funcional n&atilde;o precisavam competir entre si. </p>
<p><strong>A efici&ecirc;ncia dos &iacute;cones depende do n&iacute;vel de  familiaridade das pessoas
  com as representa&ccedil;&otilde;es que se pretende passar?</strong></p>
<p> N&atilde;o necessariamente. Uma imagem pode ser facilmente lembrada  mesmo que n&atilde;o fa&ccedil;a refer&ecirc;ncia direta a algum objeto que conhecemos previamente,  pois nossa mente &eacute; capaz de criar in&uacute;meras associa&ccedil;&otilde;es indiretas. &Eacute; por esse  motivo que uma pintura abstrata pode suscitar algum tipo de sentimento ou  id&eacute;ia. A efici&ecirc;ncia do &iacute;cone est&aacute; mais ligada &agrave; adequa&ccedil;&atilde;o ao contexto. Se uma  interface oferece uma s&eacute;rie de &iacute;cones abstratos que se diferenciam entre si o  suficiente e fazem sentido para o contexto da interface, possivelmente, eles  ser&atilde;o eficientes. No Brasil, os &iacute;cones usados em fornos microondas fazem  refer&ecirc;ncias a objetos concretos (figura de peixe para a programa&ccedil;&atilde;o &ldquo;assar  peixe&rdquo;), enquanto que na Su&eacute;cia eles s&atilde;o mais abstratos (duas barras paralelas  para a programa&ccedil;&atilde;o &ldquo;descongelar&rdquo;). </p>
<p><strong>Hoje, j&aacute; podemos afirmar que a internet possui uma  iconografia
  particular (por exemplo: utilizamos a imagem de uma casa  para indicar a
  p&aacute;gina principal de um site)?</strong></p>
<p>  A maioria dos &iacute;cones que encontramos com freq&uuml;&ecirc;ncia na Web  tem suas origens nos softwares de desktop. A imagem da casa para indicar &ldquo;home&rdquo;  j&aacute; era usada antes da Web em apresenta&ccedil;&otilde;es multim&iacute;dia feitas com o Hypercard, o  av&ocirc; do Director. Entretanto, a transposi&ccedil;&atilde;o deve ser feita com cuidado. Ser&aacute;  que o usu&aacute;rio j&aacute; viu este &iacute;cone em algum software? Se viu, ser&aacute; que ele  entendeu? Se entendeu, ser&aacute; que ele vai entender se eu colocar nessa aplica&ccedil;&atilde;o  Web? Essas perguntas n&atilde;o podem ser respondidas com base no achismo. Melhor  testar com usu&aacute;rios reais. </p>
<p><strong>Por outro lado, o avan&ccedil;o da tecnologia permite que o  desenvolvimento de um
  site possua uma s&eacute;rie de novas funcionalidades. Por exemplo:  o espa&ccedil;o para
  coment&aacute;rios vem se tornando uma fun&ccedil;&atilde;o muito comum (e o  s&iacute;mbolo de um bal&atilde;o
  tem sido o &iacute;cone mais utilizado para represent&aacute;-lo). Diante  disso, quais s&atilde;o
  as principais etapas a serem consideradas na hora de se  criar um novo &iacute;cone
  (escolha de cores, tamanho, tipo de tra&ccedil;o etc.)? Caso  poss&iacute;vel, poderia
  citar um bom exemplo nesta &aacute;rea?</strong></p>
<p> A primeira etapa ao se criar um novo &iacute;cone &eacute; n&atilde;o criar um  novo &iacute;cone. Para qu&ecirc; reinventar a roda? Se o &iacute;cone para coment&aacute;rios na maioria  dos websites similares ao que voc&ecirc; est&aacute; trabalhando &eacute; um bal&atilde;o, ent&atilde;o &eacute; melhor  usar um bal&atilde;o tamb&eacute;m, a n&atilde;o ser que o objetivo seja confundir ou chamar a  aten&ccedil;&atilde;o para o pr&oacute;prio &iacute;cone. O contexto onde estar&aacute; o &iacute;cone &eacute; que vai dizer  qual ser&aacute; sua fun&ccedil;&atilde;o principal: embelezar, agilizar, desorientar ou o que for. &Eacute;  preciso, entretanto, ser consistente na fun&ccedil;&atilde;o dos &iacute;cones. &Iacute;cones agilizadores  n&atilde;o devem se misturar a &iacute;cones embelezadores, do contr&aacute;rio, ambos perdem for&ccedil;a.  Isso acontece porque os &iacute;cones n&atilde;o s&atilde;o percebidos em separado, mas sim fazendo  parte de uma s&eacute;rie. O usu&aacute;rio entende a fun&ccedil;&atilde;o do &iacute;cone comparando-o com os  &iacute;cones e controles pr&oacute;ximos. Por esse motivo &eacute; t&atilde;o importante usar uma mesma  linguagem visual (bordas, cores, perspectiva, ilumina&ccedil;&atilde;o) e figurada (objetos,  atores) entre todos os &iacute;cones de uma interface. Na tela de configura&ccedil;&otilde;es do  sistema operacional BeOS R5.0.1, a inconsist&ecirc;ncia na linguagem utilizada em  alguns elementos chama a aten&ccedil;&atilde;o.</p>
<a href="http://www.guidebookgallery.org/screenshots/menu"><img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/draft_posts_clip_image002.jpg" width="383" height="449" border="0"></a>
<p><strong>Qual &eacute; a melhor forma de testar a efic&aacute;cia de um &iacute;cone  na web?</strong></p>
<p> A melhor forma de testar &iacute;cones &eacute; observar se eles s&atilde;o  relevantes para os usu&aacute;rios. Como disse anteriormente, o usu&aacute;rio pode n&atilde;o  entender o significado que o criador do &iacute;cone quis transmitir, mas se fizer  algum sentido, for agrad&aacute;vel ou f&aacute;cil de memorizar, ent&atilde;o ele pode ser  considerado eficaz. Para avaliar esses aspectos com maior precis&atilde;o, s&oacute;  colocando o &iacute;cone no contexto onde ele vai ser utilizado, ou seja, num  prot&oacute;tipo da interface. Testar o &iacute;cone isoladamente atrav&eacute;s de m&eacute;todos como o  Icon Sorting, no qual o usu&aacute;rio combina livremente o &iacute;cone com um r&oacute;tulo que  descreve seu significado, &eacute; interessante para explorar diferentes  possibilidades de combina&ccedil;&atilde;o entre texto e imagem, mas n&atilde;o se pode confiar no  resultado como uma avalia&ccedil;&atilde;o real. O ideal &eacute; fazer um Icon Sorting antes e  depois testar o prot&oacute;tipo da interface em situa&ccedil;&otilde;es reais. </p>
<p><strong>O site GloboEsporte.com &eacute; um bom exemplo no uso de  &iacute;cones, ao utilizar
  os escudos de times de futebol para indicar as se&ccedil;&otilde;es  espec&iacute;ficas de cada um
  deles. Dentro de um site, quando se nota a necessidade de  criar um &iacute;cone
  para que o usu&aacute;rio consiga realizar determinada fun&ccedil;&atilde;o?</strong></p>
<p> O caso do <a href="http://globoesporte.globo.com">GloboEsporte.com</a> &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o rara. N&atilde;o &eacute; sempre  que se pode contar com &iacute;cones facilmente reconhec&iacute;veis para cada categoria. O  m&eacute;rito da efic&aacute;cia desses &iacute;cones &eacute; muito mais dos clubes que criaram escudos  &uacute;nicos do que da equipe do GloboEsporte.com que aproveitou a oportunidade de  utilizar esses escudos como atalhos. Al&eacute;m do valor funcional, estes &iacute;cones  tamb&eacute;m servem para aumentar a identifica&ccedil;&atilde;o do site com o torcedor, que v&ecirc; o  escudo do seu time na p&aacute;gina principal do site. Entretanto, a maior sacada da  equipe do GloboEsporte.com foi perceber que os usu&aacute;rios buscavam informa&ccedil;&otilde;es  espec&iacute;ficas sobre seus times e se beneficiariam muito de um atalho para essa  fun&ccedil;&atilde;o. Esse exemplo ilustra v&aacute;rias fun&ccedil;&otilde;es de &iacute;cones: atalho, decora&ccedil;&atilde;o, fetiche  e etc.</p>
  <img border="0" width="588" height="265" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/draft_posts_clip_image004.jpg">
<p><strong>Quais s&atilde;o as vantagens (economia de espa&ccedil;o da interface,  agiliza&ccedil;&atilde;o da
  navega&ccedil;&atilde;o etc.) e desvantagens (complexidade, polui&ccedil;&atilde;o  visual etc.) no uso
  de &iacute;cones em projetos de sites?</strong></p>
<p> Cada caso &eacute; um caso. Um visual colorido proporcionado por  uma s&eacute;rie de &iacute;cones pode ser vantajoso para um website infantil e desvantajoso  para um website sobre direito tribut&aacute;rio. &Eacute; claro que podemos fazer uma s&eacute;rie  de &iacute;cones monocrom&aacute;ticos para o website sobre direito, mas ser&aacute; que ainda assim  n&atilde;o prejudicar&aacute; sua imagem de seriedade? A avalia&ccedil;&atilde;o de pr&oacute;s e contras da  utiliza&ccedil;&atilde;o de &iacute;cones deve, como todo elemento de interface, ser feita dentro do  contexto. </p>
<p><strong>Como os &iacute;cones podem ajudar a melhorar a usabilidade de  um site?</strong></p>
<p> Uma s&eacute;rie de &iacute;cones bonitinhos pode contribuir para  transmitir uma primeira impress&atilde;o de facilidade de uso, ou seja, contribuir  para a usabilidade percebida. Em websites que enfrentam grande concorr&ecirc;ncia e  s&atilde;o utilizadas poucas vezes por seus usu&aacute;rios, a usabilidade percebida &eacute; mais  importante do que a usabilidade efetiva. Para o usu&aacute;rio, n&atilde;o importa se a  conclus&atilde;o da tarefa vai demorar 1 minutos ou 3 minutos, importa mais que o  fluxo da tarefa durante esse tempo seja agrad&aacute;vel e sem problemas. &Eacute; claro que  &iacute;cones podem contribuir para a usabilidade efetiva, contribuindo para a  memoriza&ccedil;&atilde;o de atalhos rotineiros, mas isso s&oacute; se aplica a websites de uso  intensivo. </p>
<p><strong>Em alguns sites, &eacute; poss&iacute;vel reparar que os &iacute;cones  possuem textos
  auxiliares que funcionam como legendas para explicar o  significado daquele
  s&iacute;mbolo. Essa solu&ccedil;&atilde;o &eacute; aconselh&aacute;vel, ajuda na compreens&atilde;o  ou representa a
  falta representa&ccedil;&atilde;o de um &iacute;cone sobre a mensagem que ele  pretende passar?</strong></p>
<p> O r&oacute;tulo serve para ensinar ao usu&aacute;rio o significado do  &iacute;cone no contexto onde ele se encontra. Se o contexto por si s&oacute; j&aacute; deixa claro  para que serve o &iacute;cone, o r&oacute;tulo n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio. Quando estou escrevendo um  texto e h&aacute; uma s&eacute;rie de &iacute;cones representando diferentes alinhamentos de  par&aacute;grafo, n&atilde;o preciso de r&oacute;tulos. Existe uma semelhan&ccedil;a direta entre o &iacute;cone e  a apresenta&ccedil;&atilde;o do meu texto. Agora, abaixo da imagem de uma prancheta com um  documento em cima &eacute; necess&aacute;rio o r&oacute;tulo do comando pois a semelhan&ccedil;a &eacute;  indireta. A prancheta (<em>clipboard</em>) &eacute;  onde fica armazenado um trecho de texto pronto para ser &ldquo;colado&rdquo; na posi&ccedil;&atilde;o do  cursor. Como o &iacute;ndice de uso desse &iacute;cone era muito baixo no Office 2003, a  Microsoft pretende adicionar o r&oacute;tulo &ldquo;colar&rdquo; abaixo desse &iacute;cone na pr&oacute;xima  vers&atilde;o do Office.</p>
  <a href="http://www.microsoft.com/office/preview/uioverview.mspx"><img border="0" width="589" height="84" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/draft_posts_clip_image006.jpg"></a><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/afinal_o_que_e_icone_como_criar_icones.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
<guid isPermaLink="false">605@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Infografia</dc:subject>
<dc:date>2006-09-04T14:39:09-03:00</dc:date>
<enclosure url="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/draft_posts_clip_image002.jpg" length="33072" type="image/jpeg" /><enclosure url="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/draft_posts_clip_image004.jpg" length="37963" type="image/jpeg" /><enclosure url="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/draft_posts_clip_image006.jpg" length="11946" type="image/jpeg" />
</item>
 
<item>
<title>Moda e identidade social</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/moda_e_identidade_social.html</link>
<description><![CDATA[
<p><a href="http://www.psiconcept.org/">Hugo Sant&acute;ana</a> apresentou um p&ocirc;ster interessant&iacute;ssimo no <a href="http://www.design.ufpr.br/ped2006">7&deg; P&amp;D Design</a> sobre o papel da moda na forma&ccedil;&atilde;o da identidade do sujeito. Para Hugo, escolhemos o design dos artefatos que usamos com base nas tend&ecirc;ncias da moda vigentes no grupo em que desejamos ser aceitos ou inclu&iacute;dos. A moda influencia os m&oacute;vies de nossas casas, nossos carros, nossos websites, nossos telefones celulares e, principalmente, nossas roupas. </p><p>Designers gostam de vestir roupas fora da moda padr&atilde;o com o objetivo de se diferenciar, mas no congresso de Design ficou n&iacute;tido que mesmo os mais ousados n&atilde;o estavam s&oacute;s, ou seja, estavam identificados com um determinado grupo social. </p>
<p>O pr&oacute;prio Hugo, por exemplo, era um dos poucos que estava vestido com vestimentas consideradas formais em nossa sociedade (veja na foto), mas certamente n&atilde;o estava sozinho. Certamente queria refor&ccedil;ar com sua indument&aacute;ria o profissionalismo de sua pesquisa, uma das mais bem embasadas que encontrei em todo o P&amp;D. Confira o bate-papo com ele sobre o assunto: </p>
<p class="audio"><a href="http://media.odeo.com/8/0/0/p_d2006_moda_identidade_social.mp3">Moda e identidade social</a> [MP3] 10 minutos - 1,8 Mb 
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</p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/moda_e_identidade_social.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
<guid isPermaLink="false">599@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Podcast</dc:subject>
<dc:date>2006-08-12T23:55:54-03:00</dc:date>
<enclosure url="http://media.odeo.com/8/0/0/p_d2006_moda_identidade_social.mp3" length="1845376" type="audio/mpeg" />
</item>
 
<item>
<title>Dimensões da estética na formação do gosto</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/dimensoes_da_estetica_na_formacao_do_gosto.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Nos corredores do  <a href="http://www.design.ufpr.br/ped2006">7&deg; P&amp;D Design</a>, topei com Jos&eacute; Pirau&aacute;, que pesquisa no mestrado em Design da UFPE uma ferramenta para avalia&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica no Web Design. Pirau&aacute; acredita que o julgamento est&eacute;tico depende de tr&ecirc;s dimens&otilde;es: biol&oacute;gica, cultural e individual. Algumas coisas eu acho bonito porque isso &eacute; natural, algumas coisas eu acho bonito porque todos ao meu redor acham e outras coisas s&oacute; eu acho bonito e mais ningu&eacute;m. Acompanhe a breve discuss&atilde;o:</p>
<p class="audio"><a href="http://media.odeo.com/4/1/0/p_d2006_dimensoes_estetica_piraua.mp3">Dimens&otilde;es da est&eacute;tica na forma&ccedil;&atilde;o do gosto</a> [MP3]  4 minutos 
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</p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/dimensoes_da_estetica_na_formacao_do_gosto.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
<guid isPermaLink="false">597@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Podcast</dc:subject>
<dc:date>2006-08-10T01:15:43-03:00</dc:date>
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<title>Estimulação emocional e propiciação de materiais</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/estimulacao_emocional_e_propiciacao_de_materiais.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Ao t&eacute;rmino da palestra de Wilson Kindlein Jr na abertura do <a href="http://www.design.ufpr.br/ped2006">7&deg; P&amp;D Design</a>, fiz-lhe algumas perguntas sobre as propriedades subjetivas dos materiais usados para fazer produtos. Eu estava particularmente interessado no papel dos materiais no <a href="http://www.usabilidoido.com.br/relacoes_entre_design_emocao_e_atividade_.html">design emocional</a> e na <a href="http://www.usabilidoido.com.br/propiciacao_e_clicabilidade.html">propicia&ccedil;&atilde;o</a>. </p>
<p class="audio"><a href="http://media.odeo.com/1/9/4/p_d2006_estimulacao_emocional_materiais.mp3">Estimula&ccedil;&atilde;o emocional e propicia&ccedil;&atilde;o de materiais</a> [MP3] 3 minutos 

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</p><p>
<img alt="Wilson Kindlein JR." src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/wilson_kindlein.jpg" width="160" height="156" align="right" />
Em sua apresenta&ccedil;&atilde;o, Kindlein mostrou exemplos como o anel ao lado,  com textura sint&eacute;tica de couro de arraia que, segundo as pesquisas do <a href="http://www.ufrgs.br/ndsm/">Laborat&oacute;rio da UFRGS</a>, cria v&iacute;nculo emocional com o usu&aacute;rio. </p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/estimulacao_emocional_e_propiciacao_de_materiais.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Podcast</dc:subject>
<dc:date>2006-08-10T00:46:17-03:00</dc:date>
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<title>Relações entre design, emoção e atividade </title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/relacoes_entre_design_emocao_e_atividade_.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A quarta aula da disciplina <a href="http://www.ppgte.cefetpr.br/disciplinas/ti/pgt2044de.htm">Estudos em Intera&ccedil;&atilde;o Ser-Humano Computador</a> foi uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Psicologia S&oacute;cio-Hist&oacute;rica, desenvolvida pelos russos Vygotski, Luria e Leontijev. Trata-se de uma abordagem radicalmente diferente da cognitivista por tratar os processos mentais como indissoci&aacute;veis da media&ccedil;&atilde;o social e instrumental (atrav&eacute;s de artefatos). </p>
<p>Para o Design de Intera&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma abordagem muito interessante, j&aacute; que a media&ccedil;&atilde;o adquire papel central na teoria. Ademais, essa media&ccedil;&atilde;o &eacute; encarada como uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre o indiv&iacute;duo e a sociedade, o que evita cair no determinismo social (se a sociedade faz assim, todo mundo tem que fazer igual) e no determinismo tecnol&oacute;gico (o artefato condiciona o comportamento das pessoas). </p>
<p>Num outro post, fiz uma cr&iacute;tica &agrave; abordagem cognitivista do <a href="http://www.usabilidoido.com.br/emocao_culturalmente_situada.html">Donald Norman sobre o design emocional</a>, mas n&atilde;o apresentei um esquema alternativo. Nesta aula, Aladir Jr. fez uma excelente apresenta&ccedil;&atilde;o da perspectiva s&oacute;cio-hist&oacute;rica sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre emo&ccedil;&atilde;o no design, publicada originalmente no <a href="http://www.ingentaconnect.com/content/tandf/ttie/2004/00000005/00000001/art00002">artigo de Janette Aboulafia e Liam Bannon</a>.</p>
<p class="audio"><a href="http://media.odeo.com/files/7/3/0/609730.mp3">Entendendo a afetitividade no design</a> [MP3] 15 MB 1 hora e meia 
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</p>
<p class="documento"><a href="http://www.usabilidoido.com.br/arquivos/understanding_affect_in_design.ppt">Slides da apresenta&ccedil;&atilde;o</a> [PPT] 2 MB </p>
<p>A segunda parte da aula, apresentada por Andr&eacute;a Santana teve interfer&ecirc;ncias de uma furadeira na sala ao lado e ficou inaud&iacute;vel... </p>
<p>Os textos da pr&oacute;xima aula s&atilde;o:</p>
<ul><li>SANTOS, Marin&ecirc;s Ribeiro dos (2000) <a href="http://www.ppgte.cefetpr.br/dissertacoes/2000/marines.pdf">Design, Produ&ccedil;&atilde;o e Uso dos Artefatos: Uma abordagem a partir da atividade humana</a>. Curitiba, 82 p. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Tecnologia) - Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Tecnologia, Curitiba, Centro Federal de Educa&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica do Paran&aacute;.</li>
  <li>SPINUZZI, Clay (2003) Introduction: Tyrants, Heroes, and Victims in Information Design. <a href="http://mitpress.mit.edu/0262194910">Tracing Genres through Organizations: A sociocultural approach to information design</a>. Cambridge, Massachusets: The MIT Press, Chapter 1-3, p. 1-23.</li>
</ul>

<p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/relacoes_entre_design_emocao_e_atividade_.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Podcast</dc:subject>
<dc:date>2006-07-07T09:52:57-03:00</dc:date>
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<title>Emoção culturalmente situada</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/emocao_culturalmente_situada.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Na Psicologia Cognitiva a emo&ccedil;&atilde;o era considerada como um resqui&ccedil;o de instintos animais e n&atilde;o teria participa&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o do pensamento. Entretanto, estudos recentes apontam para a indissociabilidade entre sistema cognitivo e afetivo. Enquanto a cogni&ccedil;&atilde;o serve para entender as coisas, o sentimento serve para julgar. </p>

<p>No seu livro <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0465051367?ie=UTF8&tag=usabilidoido-20&linkCode=as2&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=0465051367">Emotional Design</a>, <a href="http://www.jnd.org/">Donald Norman</a> separa o sistema afetivo em tr&ecirc;s n&iacute;veis: <a href="http://www.jnd.org/dn.mss/CH01.pdf">visceral, comportamental e reflexivo</a>. </p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/niveis_emocionais_norman.gif" alt="Tr&ecirc;s n&iacute;veis de processamento emocional" width="300" height="195">
<p>O impulso natural e autom&aacute;tico de resposta ao est&iacute;mulo sensorial est&aacute; no n&iacute;vel visceral. O frio na espinha ocasionado por uma freiada inesperada do carro &eacute; uma resposta visceral. Sair do carro  batido para discutir com o outro motorista que provocou a freiada &eacute; uma resposta comportamental, pois se trata de uma pr&aacute;tica comum no tr&acirc;nsito. Entretanto, a pessoa pode conter sua frustra&ccedil;&atilde;o, dar meia volta e ir embora se estiver com pressa para chegar a uma reuni&atilde;o de trabalho. O n&iacute;vel reflexivo pode impedir respostas naturais dos n&iacute;veis visceral e comportamental. </p><p>O problema dessa abordagem, segundo <a href="http://www.ics.uci.edu/~jpd/publications/2005/hcic2005-emotions.pdf">De Paula e Dourish</a>, &eacute; que <strong>classifica est&iacute;mulos e respostas em n&iacute;veis r&iacute;gidos e diminui a import&acirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o  onde eles ocorrem</strong>. </p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/dentro_do_onibus.gif" alt="Enjoado dentro do &ocirc;nibus" width="320" height="240">
<p>O est&iacute;mulo olfativo, sonoro e visual de estar pr&oacute;ximo de uma pessoa vomitando no &ocirc;nibus pode causar enj&ocirc;o. Norman diria que se trata de uma rea&ccedil;&atilde;o visceral ao odor desagrad&aacute;vel, aumentada pelo n&iacute;vel comportamental, pois &eacute; sinal de que o alimento que as pessoas que est&atilde;o ao lado comeram tamb&eacute;m podem estar fazendo mal, j&aacute; que em sociedades primitivas as pessoas compartilhavam o mesmo habitat e, consequentemente, o mesmo alimento. J&aacute; as pessoas que n&atilde;o sentem enj&ocirc;o  estariam sobrepujando a rea&ccedil;&atilde;o visceral e comportamental atrav&eacute;s do n&iacute;vel reflexivo. Elas entenderiam que o v&ocirc;mito alheio n&atilde;o tem nada a ver com si mesma e que lhe traria desvantagens sentir a mesma coisa. </p>
<p>Em outra situa&ccedil;&atilde;o de v&ocirc;mito em p&uacute;blico, como por exemplo logo ap&oacute;s a ingest&atilde;o do ch&aacute; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ayahuasca">Ayahuasca</a> num ritual religioso, a rea&ccedil;&atilde;o visceral seria a mesma, mas adquiriria uma conota&ccedil;&atilde;o comportamental caracter&iacute;stica da cultura ritual. A cren&ccedil;a difundida pelos grupos Uni&atilde;o do Vegetal (UDV) e Santo Daime &eacute; de que o v&ocirc;mito seria uma forma de limpeza espiritual, muito comum entre os novatos. Para a pessoa deixar de ser considerada novata, ela precisa aprender a conter a &acirc;nsia de v&ocirc;mito, ou seja, sobrepujar a rea&ccedil;&atilde;o visceral. </p>
<img src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/ritual_ahayuasca.jpg" alt="Ritual de ingest&atilde;o do Ahayuasca" width="250" height="200">
<p>At&eacute; aqui, o modelo de Norman ainda tem f&ocirc;lego explicativo, mas a partir do momento em que encaramos a <strong>emo&ccedil;&atilde;o como uma teia intrincada de sentimentos ao inv&eacute;s de mero ato reflexo</strong>, ele demonstra-se insuficiente. </p>
<p>Segundo depoimentos colhidos por <a href="http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/27(1)/artigo27(32).htm">Cazenave</a>, as primeiras experi&ecirc;ncias s&atilde;o desagrad&aacute;veis, mas com o tempo, a pessoa passa a ficar satisfeita com o v&ocirc;mito, pois dessa forma, suas &quot;impurezas&quot; s&atilde;o expelidas. Primeiro a pessoa considera o ch&aacute; como sendo o causador do v&ocirc;mito e por isso a experi&ecirc;ncia &eacute; desagrad&aacute;vel, mas conforme internaliza a cultura do ritual, ela passa a considerar o ch&aacute; como um purgante espiritual, que ajuda a expelir &quot;energias indesej&aacute;veis&quot;. &Eacute; somente ap&oacute;s a aceita&ccedil;&atilde;o de tal cren&ccedil;a que o v&ocirc;mito pode provocar sensa&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o e al&iacute;vio. Trata-se de uma emo&ccedil;&atilde;o culturalmente adquirida, cultivada no n&iacute;vel reflexivo, mas que pode vir a se tornar t&atilde;o visceral quanto qualquer outra rea&ccedil;&atilde;o culturamente adquirida (raiva ao ser agredido verbalmente, euforia ao saber que o time de futebol marcou gol e etc). </p>

<p>Norman prop&otilde;e que existe um processo padr&atilde;o de manifesta&ccedil;&atilde;o dos sentimentos que acontece entre o est&iacute;mulo sensorial e a resposta motora, mas a varia&ccedil;&atilde;o de significado da mesma rea&ccedil;&atilde;o emocional em diferentes situa&ccedil;&otilde;es leva-nos a crer de que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel tamanha generaliza&ccedil;&atilde;o. Os n&iacute;veis do sistema afeito ainda podem trazer luz para o estudo das emo&ccedil;&otilde;es culturalmente situadas, mas seu relacionamento assim como proposto por Norman devem ser relativizados. </p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/emocao_culturalmente_situada.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
<guid isPermaLink="false">581@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Design de Interação</dc:subject>
<dc:date>2006-06-10T20:56:13-03:00</dc:date>
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</item>
 
<item>
<title>Vermelho</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/vermelho.html</link>
<description><![CDATA[
<p>No semin&aacute;rio de apresenta&ccedil;&atilde;o do livro <a href="http://www.editorasol.com.br/sinopses/design-e-cultura.html">Design &amp; Cultura</a>, a  professora <a href="http://www.ppgte.cefetpr.br/docentes/permanentes/luciana.htm">Luciana Martha Silveira</a> apresentou sua experi&ecirc;ncia de ensino de Teoria da Cor para seus alunos na UTFPR. Como exemplo, ela mostra como &eacute; dif&iacute;cil explicar aos seus alunos que o significado do vermelho depende essencialmente do contexto cultural onde ela est&aacute; inserida.</p>
<p> O significado do vermelho &eacute; constru&iacute;do desde &agrave; inf&acirc;ncia, quando nos s&atilde;o apresentados personagens como os <a href="http://pbskids.org/teletubbies/">Teletubbies</a>. As caracter&iacute;sticas da personalidade da P&ocirc; (a teletubby vermelha) s&atilde;o an&aacute;logas &agrave;s caracter&iacute;sticas simb&oacute;licas do vermelho. </p>

<p class="audio"><a href="http://ia310115.us.archive.org/2/items/O_Contexto_Simblico_da_Cor_Vermelha_algumas_reflexes_iniciais/contexto_simbolico_vermelho.mp3">O Contexto Simb&oacute;lico da Cor Vermelha: algumas reflex&otilde;es iniciais</a> [MP3] 16 minutos 3MB </p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/vermelho.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
<guid isPermaLink="false">554@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Podcast</dc:subject>
<dc:date>2006-04-09T13:16:42-03:00</dc:date>
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