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<title>Usabilidoido : Artigos</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/</link>
<description>Textos mais consistentes e persuasivos, publicados em outros sites.</description>
<dc:language>pt-br</dc:language>
<dc:creator>fred@usabilidoido.com.br</dc:creator>
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<title>A Banalização da Interioridade Moderna</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_banalizacao_da_interioridade_moderna.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Este é um artigo que descobri na minha gaveta, escrito em 2004, quando fazia uma disciplina sobre Estética no departamento de Filosofia da UFPR. Naquela época os blogs estavam começando a bombar no Brasil. Escrevi uma <a href="http://webinsider.uol.com.br/2004/10/15/blogs-sentimentos-banais-e-superexposicao/">versão resumida desse artigo </a>para o Webinsider, mas o artigo original não havia publicado aqui. Hoje em dia, acredito que o artigo é ainda mais relevante, considerando toda a banalização de interioridades promovida pelas redes sociais.</p>
<p>No s&eacute;culo XVII, ainda n&atilde;o existia a figura do autor. Existiam 
  escritores, mas n&atilde;o autores. Quem escrevia, estava sujeito ao c&acirc;none, 
  um conjunto de preceitos que o p&uacute;blico leitor esperava que fosse cumprido. 
  Funcionava como um acordo t&aacute;cito: &#147;o escritor fala o que a corte 
  quer ouvir e o Rei o subsidia.&#148; Por isso, o escritor n&atilde;o tinha autoridade 
  sobre seus leitores. Pelo contr&aacute;rio, o p&uacute;blico leitor &eacute; 
  quem acabava por determinar a obra do escritor. Era um p&uacute;blico pequeno, 
  constitu&iacute;do por cortes&atilde;os que podiam se dar ao luxo de estudar 
  e discutir por longas horas as obras. Antes de chegar nas m&atilde;os deles, 
  as obras deveriam ser declamadas ao Rei. Somente o buf&atilde;o tinha uma certa 
  liberdade para fazer cr&iacute;ticas dentro da corte, j&aacute; que era uma 
  figura sem credibilidade.</p>
<p>Sem cr&iacute;ticas, n&atilde;o havia questionamentos. O cortes&atilde;o &eacute; 
  um homem sem dualidades. Ele &eacute; o que aparenta ser, por isso a import&acirc;ncia 
  t&atilde;o grande das vestes e adere&ccedil;os. O homem cortes&atilde;o est&aacute; 
  no topo da pir&acirc;mide social, n&atilde;o h&aacute; mais pra onde subir. 
  Por isso, n&atilde;o deseja ser o que n&atilde;o &eacute;, ao contr&aacute;rio 
  do burgu&ecirc;s. </p>
<p>A cultura da apar&ecirc;ncia n&atilde;o permitia escapar as interioridades 
  idiossincr&aacute;ticas do esp&iacute;rito humano. Somente as virtudes poderiam 
  ser vistas pelos outros. O mal era considerado como algo externo ao ser. Quem 
  estivesse &#147;possu&iacute;do irremediavelmente&#148;, deveria ser atirado 
  ao precip&iacute;cio. </p>
<p>Com a ascens&atilde;o da burguesia e decad&ecirc;ncia da corte, a dualidade 
  surge como tema de base para as obras dos escritores do s&eacute;culo XVIII, 
  agora sim autores. A partir do momento em que o escritor pode vender suas obras 
  para os burgueses, ele ganha autonomia. O burgu&ecirc;s n&atilde;o tinha tanto 
  tempo quanto o cortes&atilde;o para refletir sobre sua vida, para indagar, filosofar. 
  O escritor permitia ao burgu&ecirc;s economizar esse tempo, trazendo mastigados 
  os frutos de suas reflex&otilde;es. Assim, o escritor passa a ter autoridade 
  sobre seus leitores e adquire uma posi&ccedil;&atilde;o mais importante nas 
  din&acirc;micas sociais. Por&eacute;m, ele ainda est&aacute; sujeito ao seu 
  p&uacute;blico, mas n&atilde;o do mesmo jeito que o escritor de outrora. Agora, 
  ele est&aacute; diante de uma massa gigantesca, amorfa, sem rosto. </p>
<p>A populariza&ccedil;&atilde;o da imprensa permitiu que os livros fossem lidos 
  silenciosamente nos aconchegos do lar. As obras n&atilde;o eram mais discutidas 
  com tanto rigor como antes. Isso n&atilde;o fazia o p&uacute;blico menos exigente, 
  mas n&atilde;o havia um feedback direto entre o escritor e seu p&uacute;blico. 
  Sua obra n&atilde;o estava mais sujeita a um c&acirc;none, mas ainda permanecia 
  presa &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es sociais da &eacute;poca. Escritores 
  que ousaram demais, ca&iacute;ram em desgra&ccedil;a como &eacute; o caso de 
  Jean Jacques Rousseau.</p>
<p>Ele era um homem idealista e franco. Sua obra Nova Helo&iacute;sa fez sucesso 
  estrondoso porque se destinava a um p&uacute;blico diferente do efetivo: os 
  moradores dos arredores das cidades, os camponeses. Para entender o romance, 
  Rousseau dizia que era preciso vivenciar o bucolismo dos bosques, respirar o 
  ar puro das colinas e sentir o sereno nas noites claras, algo praticamente imposs&iacute;vel 
  na grande Paris. Curiosos, os parisienses se embeveceram de uma hist&oacute;ria 
  num cen&aacute;rio idealizado, fascinados e ao mesmo tempo, descontentes com 
  o crescimento da cidade. </p>
<p>Alguns anos mais tarde, Rousseau passou dos limites com suas obras Em&iacute;lia 
  e Contrato Social, onde propunha alternativas ao absolutismo e &agrave; liturgia 
  crist&atilde;. Publicou os Di&aacute;logos, tentando justificar seus pensamentos, 
  mas abstraindo ainda mais seu leitor. Agora, ele esperava que a obra s&oacute; 
  fosse entendida no futuro. Dito e feito. Cada vez mais perseguido, Rousseau 
  acaba se confinando numa casa nos arredores de Paris. Se sentindo em completo 
  ostracismo, escreve os Devaneios do Caminhante Solit&aacute;rio, provavelmente 
  o primeiro livro que n&atilde;o se destina a p&uacute;blico algum, salvo o pr&oacute;prio 
  Rousseau. </p>
<p>Ele afirma logo no princ&iacute;pio da Primeira Caminhada: </p>
<p>
  <blockquote>&#147;Estas folhas n&atilde;o ser&atilde;o de fato sen&atilde;o 
    um informe jornal de meus devaneios. Nelas, tratar-se-&aacute; muito de mim, 
    porque um solit&aacute;rio que reflete se ocupa necessariamente muito consigo 
    mesmo. De resto, todas as id&eacute;ias estranhas que passam pela cabe&ccedil;a, 
    ao caminhar, nelas encontrar&atilde;o igualmente seu lugar. Contarei meus 
    pensamentos exatamente como surgiram e com t&atilde;o pouca liga&ccedil;&atilde;o 
    quanto as id&eacute;ias da v&eacute;spera t&ecirc;m, geralmente, como as do 
    dia seguinte. Por&eacute;m, deles resultar&aacute; sempre um novo conhecimento 
    e dos pensamentos de que diariamente se alimenta meu esp&iacute;rito no estranho 
    estado em que me encontro.&#148; </blockquote>
</p>
<p>Rousseau aqui deixa claro que sua tem&aacute;tica ser&aacute; a sua pr&oacute;pria 
  interioridade, incluindo seus pensamentos mais idiossincr&aacute;ticos. Para 
  ele, j&aacute; n&atilde;o importava mais se algu&eacute;m ia gostar ou n&atilde;o 
  do que ele estava escrevendo, nem mesmo se os manuscritos pudessem ser roubados 
  ou destru&iacute;dos. Queria apenas mergulhar no &acirc;mago do seu ser e desabafar.</p>
<p>Algumas d&eacute;cadas ap&oacute;s a sua morte, Rousseau passou a ser considerado 
  como um dos maiores escritores que a Fran&ccedil;a j&aacute; tivera. A sinceridade 
  com que falava nos devaneios deixava transparecer todas as suas dualidades, 
  seus paradoxos, enfim, toda sua humanidade. Esses temas foram abordados em profundidade 
  pelos rom&acirc;nticos do s&eacute;culo XIX, sendo Rousseau considerado seu 
  precursor.</p>
<p>Mais de dois s&eacute;culos se passaram e agora temos uma prolifera&ccedil;&atilde;o 
  de &#147;Rousseaus&#148; na Internet. Di&aacute;rios pessoais s&atilde;o publicados 
  abertamente, para qualquer um ler. Sem custo algum e com a facilidade de um 
  clique, os sentimentos mais profundos tomam forma e se propagam na velocidade 
  da luz para todos os cantos do planeta, a quem interessar possa. Hoje, j&aacute; 
  chega a 500 mil em todo mundo o n&uacute;mero desses di&aacute;rios virtuais, 
  os chamados blogs. Da mesma forma que Rousseau, os blogueiros escrevem em primeiro 
  lugar para si mesmos, na tentativa do auto-conhecimento ou do mero desabafar. 
</p>
<p>A tem&aacute;tica dos posts (a unidade b&aacute;sica do texto do blog) quase 
  sempre s&atilde;o elucubra&ccedil;&otilde;es sobre sentimentos ou fatos que 
  permeiam a vida de seu autor. Clarah Averbuck resume bem isso no trecho de um 
  de seus posts:</p>
<p>
  <blockquote>&quot;Afinal, como eu estou cansada de dizer mas continuo repetindo 
    porque nunca param de perguntar, blog &eacute; apenas um meio de publica&ccedil;&atilde;o 
    para o que quer que o autor, dono e soberano do blog, queira escrever. Receita 
    de bolo, resenha de disco, resmungos mal-amados, hist&oacute;rias, realidades, 
    mentiras.&quot;<br>
    ( <a href="http://brazileirapreta.blogspot.com">http://brazileirapreta.blogspot.com</a> 
    )</blockquote>
</p>
<p>O blog permite tamb&eacute;m, caso seu autor deseje, que os leitores deixem 
  registrados os seus coment&aacute;rios sobre os posts logo abaixo do texto a 
  que se referem. Assim, podem surgir longas discuss&otilde;es em torno de um 
  mero sentimento pessoal. Clarah Averbuck prefere n&atilde;o abrir esses espa&ccedil;o, 
  porque &quot;h&aacute; grandes possibilidades de virar uma barafunda enorme&quot;. 
  Ela diz: &quot;n&atilde;o quero saber se algu&eacute;m concorda ou discorda 
  com o que escrevo no meu di&aacute;rio.&quot; Essas palavras se assemelham e 
  muito com as de Rousseau no momento em que desconsidera o que v&atilde;o pensar 
  dos Devaneios. </p>
<p>O momento dessa introspec&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o prazeroso, que 
  Rousseau revela na Segunda Caminhada que &quot;saboreava habitualmente essas 
  del&iacute;cias interiores que as almas amantes e doces encontram na contempla&ccedil;&atilde;o.&quot; 
  Os blogueiros frequentemente exclamam em seus blogs o qu&atilde;o gostoso &eacute; 
  essa pr&aacute;tica, como faz Clarah Averbuck num dos seus primeiros posts:</p>
<p>
  <blockquote>Como &eacute; bom escrever no meeeeeeeeeu weblog<br>
    meeeeeeeeeeu weblog<br>
    ningu&eacute;m vai reclamar que s&oacute; falo de mim<br>
    uhu<br>
    alegria<br>
    querido blog<br>
    como &eacute; booooooooooooooooom<br>
    quantos quilos de eu tem nesses posts a&iacute; embaixo? Quilos!<br>
    E ningu&eacute;m me encheu! Uhu! <br>
    Ok, ent&atilde;o Clarah virou uma viciada em falar sozinha -- como se j&aacute; 
    n&atilde;o fosse -- em menos de 24h. Cara, blog is power.</blockquote>
</p>
<p>Como fica claro nessa &uacute;ltima cita&ccedil;&atilde;o, ao contr&aacute;rio 
  de Rousseau que, apesar de adotar neologismos modernos, escolhera um vocabul&aacute;rio 
  por vezes cl&aacute;ssico para escrever seus Devaneios, os blogueiros n&atilde;o 
  est&atilde;o preocupados em seguir normas de ortografia e gram&aacute;tica. 
  Clich&ecirc;s, linguagem chula e per&iacute;odos desconexos s&atilde;o constantes 
  nos blogs. Para entender a linguagem de um blog, &eacute; preciso primeiro entender 
  a pessoa que est&aacute; por tr&aacute;s dele e porque ela veio a escreve essas 
  linhas t&atilde;o tortas. Em geral, isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel 
  se o leitor fizer um bom apanhado dos posts e se colocar no lugar do pr&oacute;prio 
  autor do blog. Rousseau tamb&eacute;m evoca o consentimento do leitor nas entrelinhas 
  dos seus devaneios. Antes de ler a obra, &eacute; preciso tamb&eacute;m conhecer 
  as passagens tr&aacute;gicas da vida dele, da&iacute; a necessidade de uma boa 
  introdu&ccedil;&atilde;o ao texto, como fez a tradutora F&uacute;lvia Moretto 
  na edi&ccedil;&atilde;o brasileira.</p>
<p>A diferen&ccedil;a maior entre Rousseau e os blogueiros &eacute; que ele &eacute; 
  &uacute;nico a fazer isso no seu tempo e os blogueiros s&atilde;o um entre milhares. 
  Ele foi rejeitado pela sociedade pelo seu excesso de ousadia, e os blogueiros 
  s&atilde;o premiados por quanto mais ousados forem. Clarah Averbuck citada acima 
  fez tanto sucesso com seu blog &#147;brasileira!preta&#148; ( http://brazileirapreta.blogspot.com 
  ) que foi contratada para escrever dois livros e colunas em diversos peri&oacute;dicos 
  impressos. Chegamos a um ponto em nossa sociedade em que o individualismo &eacute; 
  qualidade do arqu&eacute;tipo de todos os homens nascidos livres. </p>
<p>E n&atilde;o &eacute; s&oacute; a publicidade que incute esses valores na mente 
  dos indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. A psicologia 
  moderna concentra seus esfor&ccedil;os a ajudar a valorizar a auto-estima do 
  indiv&iacute;duo e, escrever di&aacute;rios pessoais &eacute; uma recomenda&ccedil;&atilde;o 
  recorrente na terapia. Os pr&oacute;prios autores de blog reconhecem que escrever 
  blog &eacute; uma forma de terapia psicol&oacute;gica que os faz sentirem-se 
  melhores. Clarah Averbuck cita com frequ&ecirc;ncia Charles Bukowski para resumir 
  esse sentimento: &quot;These words I write still keep me from total madness&quot;. 
  O pr&oacute;prio Rousseau reconhece as propriedades terap&ecirc;uticas de escrever 
  sobre si mesmo:</p>
<p>
  <blockquote>&quot;O h&aacute;bito de entrar em mim mesmo me fez perder enfim 
    o sentimento e quase a lembran&ccedil;a de meus males; aprendi assim, por 
    minha pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia, que a fonte da verdadeira felicidade 
    est&aacute; em n&oacute;s e que n&atilde;o depende dos homens tornar verdadeiramente 
    infeliz aquele que sabe querer ser feliz.&quot;</blockquote>
</p>
<p>Que os blogs trazem prazer para quem os escreve isso n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, 
  afinal ningu&eacute;m &eacute; obrigado a escrever. Mas fica o questionamento 
  se a publicidade das interioridades contribui para um constitui&ccedil;&atilde;o 
  psicol&oacute;gica mais forte ou fraca. Na verdade o termo interioridade, acaba 
  perdendo o sentido, porque a partir do momento que s&atilde;o divulgadas, passam 
  a ser exterioridades. Ter&iacute;amos ent&atilde;o chegado &agrave; um ponto 
  em que as interioridades j&aacute; n&atilde;o existem mais? E n&atilde;o seria 
  isso que define a singularidade de um indiv&iacute;duo? Ou ser&aacute; que ainda 
  estamos por chegar no &acirc;mago de nossas personalidades, ainda mais selvagem 
  e incongruente? </p>
<p>Talvez os blogs sejam uma forma de dar poder ao indiv&iacute;duo, mas por outro 
  lado pode condicion&aacute;-lo. Quem l&ecirc;, pode ser influenciado a pensar 
  e agir da mesma forma que o autor do blog. Quem escreve, pode se sentir coagido 
  a manter uma certa coer&ecirc;ncia (ou n&atilde;o) no que faz, afinal, &eacute; 
  hipocrisia dizer que como autor de um blog p&uacute;blico, n&atilde;o se preocupa 
  de forma alguma com o que seus leitores v&atilde;o pensar. Quem realmente n&atilde;o 
  quer saber, guarda para si, oras. E isso tamb&eacute;m vale para Rousseau.</p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_banalizacao_da_interioridade_moderna.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2011-11-11T07:51:22-03:00</dc:date>

</item>
 
<item>
<title>Sede por Design nas tecnologias do cotidiano</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/sede_por_design_nas_tecnologias_do_cotidiano.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Cada vez mais aceleradamente, uma nova  tecnologia entra em nosso cotidiano. Num primeiro momento, &eacute; um objeto sem significado. Logo, algu&eacute;m descobre uma utilidade e sai por a&iacute; dizendo que ningu&eacute;m pode viver sem isso. Com o tempo, todos seus amigos e familiares est&atilde;o usando e voc&ecirc; se v&ecirc; obrigado a usar tamb&eacute;m. A tecnologia parece que cria sua pr&oacute;pria necessidade. </p><p>Por outro lado, n&atilde;o surge do nada. Algu&eacute;m teve a id&eacute;ia. Algu&eacute;m pensou que seria &uacute;til. Normalmente, <a href="http://usabilidoido.com.br/a_forma_nao_segue_necessariamente_a_funcao.html">as id&eacute;ias de novas tecnologias adv&eacute;m da realiza&ccedil;&atilde;o de limita&ccedil;&otilde;es das tecnologias existentes</a>. A necessidade estava l&aacute;, s&oacute; ningu&eacute;m sabia como supr&iacute;-la. </p>
<p>Veja o caso do celular, por exemplo. Quem &eacute; que precisava de um celular no s&eacute;culo XIX? Nenhuma decis&atilde;o era tomada de &uacute;ltima hora. Os compromissos eram agendados com anteced&ecirc;ncia e seu cumprimento era sagrado. Falou t&aacute; falado. Al&eacute;m disso, as pessoas com quem voc&ecirc; precisava falar estavam sempre por perto. </p>
<p>Ao longo do s&eacute;culo XX, isso foi mudando. O ritmo de vida foi ficando cada vez mais r&aacute;pido, a quantidade de decis&otilde;es maior, os contatos pessoais cada vez maiores e mais dispersos geograficamente.  Como viver sem celular numa sociedade assim? Dif&iacute;cil, mas mais dif&iacute;cil ainda com ele. Agora, &eacute; preciso lidar com outros problemas. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/blog/mobilefirst_4.jpg" alt="DynaTac 8000x" width="357" height="500" />
<p>O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/DynaTAC_8000X">primeiro celular comercial</a> foi produzido pela Motorola em 1983. Era grande, pesado e feio. Embora a empresa tivesse gerado conceitos muito mais avan&ccedil;ados em design, o tijol&atilde;o era mais barato para produzir. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/blog/celular_conceitos.jpg" alt="Conceitos de celulares gerados pela Motorla" width="180" height="546" /> 
<p>E o mico de sair andando na rua falando com um treco estranho que ningu&eacute;m sabia o que era? Inicialmente, s&oacute; os homens de neg&oacute;cio pagavam o mico e o pre&ccedil;o do aparelho, que era salgado. Com o tempo, mais gente foi entrando na rede e com prop&oacute;sitos outros al&eacute;m de trabalho. O pre&ccedil;o barateou, mas o mico continuava: o aparelho continuava deselegante. </p>
<p>A Motorola demorou mais de 20 anos para perceber que o custo e as funcionalidades de um aparelho celular era o de menos para a maioria das pessoas. O celular &eacute; ao mesmo tempo s&iacute;mbolo de status social e ferramenta de ascen&ccedil;&atilde;o. As pessoas aceitam estar dispon&iacute;veis o tempo todo porque n&atilde;o querem perder suas posi&ccedil;&otilde;es. O modelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Motorola_RAZR_V3">Razr</a>, comercializado a partir de 2004, vendeu mais de 120 milh&otilde;es de unidades e se tornou o celular mais vendido de todos os tempos, embora fosse mais caro e mais dif&iacute;cil de usar que seus concorrentes. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/blog/sharon_stone_gold_razr.jpg" alt="Motorla Razr na m&atilde;o de Sharon Stone" width="426" height="401" /> 
<p>O Razr foi o mais cobi&ccedil;ado at&eacute; a chegada do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/IPhone">iPhone</a>. Ao inv&eacute;s de competir na espessura, forma arrojada ou cores berrantes, a Apple <a href="http://usabilidoido.com.br/iphone_inaugura_novo_paradigma_para_interfaces_moveis.html">investiu em usabilidade</a>. Os telefones da Nokia sempre foram reconhecidos como os mais f&aacute;ceis de usar, mas o iPhone n&atilde;o &eacute; s&oacute; f&aacute;cil. &Eacute; divertido, &eacute; engajante. Parece at&eacute; um game. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/blog/iphone_cupcakes.jpg" alt="Bolos de &iacute;once de iPhone" width="500" height="353" />
<p>Mas o iPhone tem uma limita&ccedil;&atilde;o: <a href="http://www.seisdeagosto.com/indica/iphone-customization/">ele n&atilde;o &eacute; muito customiz&aacute;vel</a>. N&atilde;o d&aacute; pra trocar de case como os celulares da Nokia, nem colocar penduricalhos como nos aparelhos da japonesa DoCoMo. Ao contr&aacute;rio do preconceito sobre customiza&ccedil;&atilde;o, as pessoas n&atilde;o customizam com o objetivo de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para sua diferen&ccedil;a, mas sim para lembrar-se a si mesmas. Embora eventualmente seja usado em p&uacute;blico, o  celular &eacute; um objeto &iacute;ntimo. Ele faz parte da vida afetiva das pessoas. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/blog/decoden03201.jpg" alt="celular customizado com bijuterias" width="330" height="247" />
<p>Os produtos Apple definitivamente n&atilde;o s&atilde;o feitos para combinar com o o estilo do consumidor. Eles tem um estilo pr&oacute;prio. Ao inv&eacute;s do consumidor colocar um pouco de sua personalidade no produto, o produto &eacute; que introduz seus valores na personalidade do consumidor. </p>
<p>O iPod, por exemplo, n&atilde;o sintoniza r&aacute;dio FM. Voc&ecirc; deve escutar o que voc&ecirc; quer, n&atilde;o o que uma emissora de r&aacute;dio quer. E deve dar pontos, numa escala de 1 a 5 estrelas, para gerar listas com suas m&uacute;sicas favoritas. Na verdade, &eacute; capaz at&eacute; de reconhecer quais voc&ecirc; mais escuta, para que voc&ecirc; escute mais e mais do mesmo. Se voc&ecirc; quiser saber o que o colega ao lado est&aacute; ouvindo, s&oacute; pedindo um fone de ouvido. N&atilde;o tem caixa de som e nem conex&atilde;o para transfer&ecirc;ncia com outros iPods. </p>
<p>O iPod modifica n&atilde;o s&oacute; a forma como consumimos m&uacute;sica, mas tamb&eacute;m como nos relacionamos com  amigos e grupos sociais. Voc&ecirc; nem precisa ter um iPod para ser influenciado por ele. <a href="http://usabilidoido.com.br/o_que_faz_o_design_do_ipod_tao_atraente.html">&Eacute; um s&iacute;mbolo que n&atilde;o age sozinho, mas que delinea nossas intera&ccedil;&otilde;es</a>.  Isto &eacute; <a href="http://usabilidoido.com.br/afinal_o_que_e_design_de_interacao.html">Design de Intera&ccedil;&atilde;o</a>. </p>
<p>As  empresas que perceberam a rela&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre tecnologia e necessidade, entre usu&aacute;rio e contexto social, entre racionalidade e afetividade est&atilde;o <a href="http://usabilidoido.com.br/design_de_interacao_estrategico.html">investindo nesse tipo de design como pe&ccedil;a-chave de sua estrat&eacute;gia de mercado</a>.  </p>
<p><a href="http://usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html">O consumidor est&aacute; sedento por Design</a>. N&atilde;o aguenta mais bugigangas que n&atilde;o funcionam e deixam sua vida <a href="http://usabilidoido.com.br/a_insustentavel_leveza_da_simplicidade.html">cada vez mais complicada</a>. Se temos que usar tantas novas tecnologias em nosso cotidiano, que sejam f&aacute;ceis de usar, <a href="http://usabilidoido.com.br/tecnologia_com_bom_gosto.html">elegantes</a> e divertidas. O mercado de tecnologia precisa de  mais Design, o mercado precisa de  Design de Intera&ccedil;&atilde;o. </p>
<cite> [ Nota ] Este artigo &eacute; uma vers&atilde;o textual de minha palestra no <a href="http://www.nuoo.com.br/">Olhar da Cria&ccedil;&atilde;o</a> em Belo Horizonte, 2008. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/sede_por_design_nas_tecnologias_do_cotidiano.html#comments">Comente este post</a></p>
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</description>
<guid isPermaLink="false">796@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Design de Interação</dc:subject>
<dc:date>2009-02-16T12:26:15-03:00</dc:date>

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<item>
<title>Virtualidades comunais e prazeres complicados</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/virtualidades_comunais_e_prazeres_complicados.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Tiago Baeta me convidou a escrever uma crônica original para o livro <a href="http://www.oencontrode2mundos.com.br/blog/">Internet: O Encontro de 2 Mundos</a>. Escrevi uma crítica ao informacionismo, que apresenta a Internet como fonte de informação, argumentando que seu uso não é motivado pela informação e sim pelo prazer que a informação e outros recursos podem dar ao usuário.</p>

<p>O livro (<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=21390776&ST=ND&franq=137623">R$38 no Submarino</a>) contém outras dezenas de crônicas bem interessantes, sobre assuntos variados. Abaixo, para o prazer do leitor (ou não!), disponibilizo minha crônica, na íntegra.</p><p>No in&iacute;cio da Internet falava-se muito de
comunidades virtuais. Acreditava-se que por meio da rede era
poss&iacute;vel criar novos mundos, sem fronteiras, preconceitos ou
conflitos, movidos pelo fluxo de informa&ccedil;&otilde;es e
organizados por regras de intera&ccedil;&atilde;o. Quanto mais
popular a rede se torna, mais a utopia cibern&eacute;tica
empalidece. O que as pessoas querem n&atilde;o &eacute;
informa&ccedil;&atilde;o e sim prazer e est&atilde;o
dispostas a burlar regras para obt&ecirc;-lo.</p>
<p>Lembro-me a primeira vez que acessei a Internet do meu quarto
de adolescente: eu queria baixar jogos; num segundo momento, eu queria
criar websites; num terceiro, eu queria trabalhar com isso. Tudo isso
pelo prazer, n&atilde;o pela informa&ccedil;&atilde;o.
Linus Torvalds criou o Linux pelo mesmo motivo: <a
 href="http://i.s8.com.br/imports_productdetails.asp?Query=&amp;ProdTypeId=9&amp;CatId=29743&amp;PrevCatId=29734&amp;ProdId=362828&amp;ST=BL29743&amp;OperId=0&amp;CellType=2&amp;franq=137623">Just
for Fun</a>. Ele n&atilde;o tinha nenhuma
ambi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, mas se tornou um
&ldquo;revolucion&aacute;rio acidental&rdquo;, assim como
tantos outros que contribu&iacute;ram para o projeto.&nbsp;</p>
<p>Se engana quem acha que nerds s&atilde;o pessoas estranhas
que sentem prazer em se relacionar com m&aacute;quinas. Embora
n&atilde;o aparente, o nerd &eacute; um animal social tanto
quanto os demais seres humanos. Quando est&aacute; solitariamente
escrevendo poesia, compondo m&uacute;sica, criando jogos,
codificando softwares ou &ldquo;hackeando&rdquo; bancos de
dados, ele interage com outras pessoas indiretamente atrav&eacute;s
de seu material (linguagens, c&oacute;digos, ferramentas). O nerd
fascina-se pela presen&ccedil;a humana nos objetos: sua
l&oacute;gica interna, seus detalhes, sua expressividade.</p>
<p>Mas n&atilde;o s&atilde;o apenas nerds que sentem
prazer na intera&ccedil;&atilde;o mediada. As tecnologias de
comunica&ccedil;&atilde;o pessoal hoje s&atilde;o
utilizadas em <a href="http://www.orkut.com">todos os
estratos da sociedade</a>. Do cego que usa o email para mobilizar
seus colegas ao advogado que &ldquo;solta a franga&rdquo; no
f&oacute;rum gay, todos sentem muito prazer em interagir com
pessoas queridas e pessoas n&atilde;o t&atilde;o queridas pela
Internet.&nbsp;</p>
<p>O hedonismo generalizado &eacute; produto da
ind&uacute;stria cultural. Na literatura, no cinema e na
televis&atilde;o, a busca pelo prazer &eacute; apresentada como
motiva&ccedil;&atilde;o para viver. Ent&atilde;o, a
ind&uacute;stria de bens produz diferentes objetos para alimentar a
busca, eventualmente inserindo suas ofertas na
programa&ccedil;&atilde;o cultural &ndash; o famoso
merchandising. At&eacute; aqui, o hedonismo parece fazer parte de
uma estrat&eacute;gia de manipula&ccedil;&atilde;o e
desarticula&ccedil;&atilde;o das massas atrav&eacute;s da
administra&ccedil;&atilde;o de ofertas e demandas de consumo,
mas, se prosseguimos na an&aacute;lise, veremos que
tamb&eacute;m se trata de uma rea&ccedil;&atilde;o do
indiv&iacute;duo a uma coletividade com a qual ele n&atilde;o
se identifica mais. No livro <a
 href="http://i.s8.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=195296&amp;ST=SE&amp;franq=137623">Consumidores
e Cidad&atilde;os</a>, N&eacute;stor Garc&iacute;a
Canclini chega &agrave; conclus&atilde;o de que as comunidades
transnacionais de consumidores de uma determinada marca s&atilde;o
muito mais interessantes para o indiv&iacute;duo do que as
comunidades imaginadas nacionais. Atrav&eacute;s do consumo, o
indiv&iacute;duo supera determina&ccedil;&otilde;es
geogr&aacute;ficas de identidade e adquire o status de
cidad&atilde;o global.&nbsp;</p>
<p>&Eacute; por isso que a Internet est&aacute; bombando.
Se os meios e comunica&ccedil;&atilde;o anteriores
j&aacute; permitiam a identifica&ccedil;&atilde;o com tais
comunidades globais, agora &eacute; poss&iacute;vel que cada
pessoa exiba suas filia&ccedil;&otilde;es, interaja com outras
que compartilham a filia&ccedil;&atilde;o e crie novas
filia&ccedil;&otilde;es. No Orkut, existem milhares de
comunidades criadas pelos usu&aacute;rios &mdash; de criadores
de <a
 href="http://www.orkut.com.br/ClickTracker.aspx?sei=CAIQARoQY2Fuw6FyaW9zIGJlbGdhcyABKKuCtQIwAg&amp;sig=d1cfb1f89eac3c1d63feaf377a4b867b&amp;url=%2FCommunity.aspx%3Fcmm%3D5062955&amp;psg=MAUkhQxY7s2h0iGZGoXoAKDEz7I%3D">can&aacute;rios
belgas</a> a f&atilde;s de <a
 href="http://www.orkut.com.br/ClickTracker.aspx?sei=CAIQARoMY2hpY28geGF2aWVyIAEo5J8FMAI&amp;sig=4e68f1c63e1938b246b5d9f31795fb55&amp;url=%2FCommunity.aspx%3Fcmm%3D85988&amp;psg=MAUkhQxY7s2h0iGZGoXoAKDEz7I%3D">Chico
Xavier</a> &mdash; e cada um se inscreve em dezenas delas.
&Eacute; poss&iacute;vel trocar mensagens pelas comunidade,
mas, na maioria das vezes, a participa&ccedil;&atilde;o se
limita a acrescentar a comunidade no perfil. &ldquo;&Eacute;
como mostrar o &aacute;lbum de figurinhas&rdquo;, diz Michel
Lent Schwartzman.&nbsp;</p>
<p>As comunidades do Orkut e de outras plataformas na Internet
n&atilde;o correspondem necessariamente a verdadeiras comunidades,
no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade">sentido
sociol&oacute;gico</a>. As pessoas que se filiam muitas vezes
n&atilde;o est&atilde;o dispostas a se submeter ao interesse da
coletividade; elas se encontram apenas porque, por acaso, compartilham
alguns objetivos que a comunidade ajuda a alcan&ccedil;ar.
Comunidades &ldquo;virtuais&rdquo; n&atilde;o existem.
Existem comunidades que se apropriam da Internet para se comunicar e
comunidades que se formam a partir das possibilidades que a Internet
oferece, mas elas tem tanta carne e tanto osso quanto aquelas que nunca
usaram a Internet.&nbsp;</p>
<p>F&oacute;runs de discuss&atilde;o n&atilde;o
formam comunidades; comunidades &eacute; que formam
f&oacute;runs de discuss&atilde;o. Pode ser que antes do
f&oacute;rum a comunidade estivesse dispersa, mas j&aacute;
existiam os elementos que a configuravam como comunidade: senso de
pertencimento, objetivos comuns, hist&oacute;ria compartilhada,
cultura, etc. O f&oacute;rum pode se tornar um espa&ccedil;o
para que os membros realizem e atualizem estes elementos, mas ele
n&atilde;o &eacute; capaz de criar estes elementos; quem cria
s&atilde;o as pessoas. &Eacute; por isso que existem tantos
f&oacute;runs de discuss&atilde;o &agrave;s moscas na Web.
Eles foram constru&iacute;dos na esperan&ccedil;a de que uma
nova comunidade se formaria em torno dele ou que uma comunidade
existente se apropriasse do espa&ccedil;o, como se o
f&oacute;rum fosse a ferramenta de
comunica&ccedil;&atilde;o mais apropriada para a comunidade.
&Agrave;s vezes, a tentativa d&aacute; certo, &agrave;s
vezes n&atilde;o.&nbsp;</p>
<p>Estat&iacute;sticas indicam que a porcentagem de
usu&aacute;rios que contribuem ativamente para f&oacute;runs e
outras ferramentas de colabora&ccedil;&atilde;o na Web
&eacute; muito baixa. Isso acontece porque a maioria das pessoas
n&atilde;o est&aacute; interessada em fazer parte da
comunidade, mas sim em compartilhar algumas virtualidades. Querem
informa&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es,
reconhecimento ou dinheiro que tragam prazer para si. Est&atilde;o
dispostas a dar algo em troca se for necess&aacute;rio, mas
n&atilde;o querem se envolver demais com esta comunidade
espec&iacute;fica. Por vezes podem parecer generosas, como o garoto
que responde todas as perguntas num f&oacute;rum de
discuss&atilde;o t&eacute;cnica, mas a
motiva&ccedil;&atilde;o se resume ao prazer de aceitar desafios
e ser reconhecido por cumpri-los.</p>
<p>As pessoas n&atilde;o s&atilde;o sempre
ego&iacute;stas nas intera&ccedil;&otilde;es sociais,
entretanto. Acontece que cada um se identifica com algumas comunidades
e com outras n&atilde;o. Na medida em que uma pessoa sente que faz
parte de um grupo, o grupo passa a fazer parte da pessoa, ou seja, a
identidade do indiv&iacute;duo se constitui a partir das
refer&ecirc;ncias coletivas com as quais o indiv&iacute;duo se
identifica. A&iacute; os interesses coletivos passam a ser
tamb&eacute;m interesses individuais. Se o outro faz parte desse
coletivo, ent&atilde;o o indiv&iacute;duo &eacute;
altru&iacute;sta na intera&ccedil;&atilde;o social,
sen&atilde;o &eacute; ego&iacute;sta. Pode-se dizer que, no
fundo, este altru&iacute;smo &eacute; uma esp&eacute;cie de
ego&iacute;smo coletivo: &ldquo;s&oacute; fa&ccedil;o
aquilo que me faz bem ou faz bem ao meu grupo&rdquo;.&nbsp;</p>
<p>A raiz desse ego&iacute;smo est&aacute; no prazer. Por
mais altru&iacute;sta que pare&ccedil;a uma determinada
intera&ccedil;&atilde;o social, a
motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; ego&iacute;sta
enquanto focaliza o prazer. Quem faz o bem pelo prazer de fazer o bem
&eacute;, portanto, tanto ego&iacute;sta quanto
altru&iacute;sta. Complicado n&atilde;o? Pois &eacute;. O
homem moderno (e tamb&eacute;m a mulher moderna) &eacute; um
sujeito complicado mesmo. Sonha com uma sociedade perfeita mas se
aproveita da desigualdade social; admira a natureza, mas explora
irracionalmente seus recursos; desconfia de Deus, mas reza quando sofre.</p>
<p>&Eacute; por isso que a utopia cibern&eacute;tica se
demonstrou impratic&aacute;vel. As pessoas n&atilde;o
est&atilde;o dispostas a abdicar do prazer e da identidade em troca
de uma vida pretensamente perfeita. O governo das m&aacute;quinas
s&oacute; seria poss&iacute;vel se fosse capaz de nos suprir de
prazer e identidade, mas, para isso, as m&aacute;quinas teriam que
se tornar tamb&eacute;m complicadas como n&oacute;s. Por
enquanto, os personagens maqu&iacute;nicos e
contradit&oacute;rios do cl&aacute;ssico Matrix &mdash; <a
 href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquiteto_%28Matrix%29">Arquiteto</a>,
<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Or%E1culo_%28Matrix%29">Or&aacute;culo</a>,
<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Agent_Smith">agente
Smith</a> &mdash; existem apenas na
fic&ccedil;&atilde;o, mas, mesmo na
fic&ccedil;&atilde;o, os homens se rebelaram contra eles. Somos
mesmo muito complicados...</p>

<h2>Compre o seu</h2>

<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=21390776&ST=ND&franq=137623"><img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/21390776.jpg" alt="Internet: O Encontro de 2 Mundos"></a><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/virtualidades_comunais_e_prazeres_complicados.html#comments">Comente este post</a></p>
]]>
</description>
<guid isPermaLink="false">766@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2008-08-31T22:33:35-03:00</dc:date>

</item>
 
<item>
<title>Interações entre design e comportamento</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/interacoes_entre_design_e_comportamento.html</link>
<description><![CDATA[
 <p>O que &eacute; uma cadeira? Um objeto que serve para
sentar, ou melhor, que foi feito para sentar. Uma cadeira
tamb&eacute;m serve para ficar em p&eacute; e
alcan&ccedil;ar coisas no alto do arm&aacute;rio, apoiar
temporariamene mochilas e bolsas ou brincar de nave espacial, mas
certamente ela n&atilde;o &eacute; t&atilde;o adequada para
estes usos desviados. O design dita como as coisas devem ser usadas e,
se n&oacute;s precisamos das coisas para agir, ele
tamb&eacute;m dita nossas pr&oacute;prias
a&ccedil;&otilde;es, indiretamente. </p>
<p>Ent&atilde;o eu olho ao meu redor, vejo dezenas de
objetos, cada um propiciando fazer algo que um dia eu quiz fazer.
Queria ir de um lugar para o outro rapidamente, comprei um carro;
queria comer p&atilde;o torrado, comprei uma torradeira; queria
minha roupa lavada automaticamente, comprei uma m&aacute;quina de
lavar roupas. Estes objetos realizaram meus desejos, mas
ser&aacute; que tamb&eacute;m n&atilde;o foram
respons&aacute;veis pelo surgimento de tais desejos? Antes de
conhecer a torradeira, at&eacute; que me satisfazia com
p&atilde;o frio...</p>
<p>Ent&atilde;o quer dizer que o design, al&eacute;m de
influenciar nossas a&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m
influencia nossos desejos, sem que nos demos conta disso? Peter-Paul
Verbeek escreve em <a
 href="http://www.odannyboy.com/blog/new_archives/2006/11/review_what_thi.html">What
Things Do</a> que &ldquo;as coisas se escondem no meio das
rela&ccedil;&otilde;es entre os seres humanos e o mundo e,
dessa posi&ccedil;&atilde;o recuada, elas ativamente delineiam
tais rela&ccedil;&otilde;es, transformando tanto a
experi&ecirc;ncia quanto a a&ccedil;&atilde;o.&rdquo;</p>
<p>Por outro lado, na mesma medida e em sentido reverso, nossas
a&ccedil;&otilde;es e nossos desejos tamb&eacute;m
influenciam o design das coisas. &nbsp;</p>
<p>A cadeira n&atilde;o &eacute; feita pra ficar em
p&eacute; porque temos o costume de sentar nelas. Se insistimos em
deitar, seu design poder&aacute; ser atualizado para dificultar ou
facilitar tal a&ccedil;&atilde;o. As cadeiras das salas de
espera nos aeroportos brasileiros tem bra&ccedil;os compridos em
ambos lados, n&atilde;o para maior conforto do usu&aacute;rio,
mas para impedir que ele durma sobre elas.&nbsp;</p>
<p><img style="width: 430px; height: 286px;"
 alt="Mo&ccedil;a tentando dormir nos bancos de um aeroporto no Egito"
 src="http://imagens.usabilidoido.com.br/dormindo_banco_aeroporto.jpg"></p>
<p>Aproveitando a oportunidade, um companhia norueguesa criou a <a
 href="http://www.nemorelax.com/">Nemorelax</a>, uma
cabine futur&iacute;stica com poltrona reclin&aacute;vel. Pode
ser que os usu&aacute;rios percam a vergonha de deitar em
p&uacute;blico em poltronas desse tipo e talvez at&eacute;
aceitem melhor a pr&aacute;tica de deitar sobre bancos em outros
locais, como pra&ccedil;as p&uacute;blicas.</p>
<img style="width: 474px; height: 385px;"
 alt="Cadeira NemoRelax"
 src="http://imagens.usabilidoido.com.br/poltrona_nemorelax.jpg">
<p>A intera&ccedil;&atilde;o entre design e comportamento
promove a mudan&ccedil;a, n&atilde;o necessariamente em sentido
positivo. Muitas vezes, a inten&ccedil;&atilde;o do design
&eacute; justamente impedir mudan&ccedil;as no comportamento,
como no caso dos cockpits de avi&atilde;o, constitu&iacute;dos
de in&uacute;meros comandos que s&oacute; funcionam se
acionados numa sequ&ecirc;ncia padronizada. Entretanto, por mais
que se esfor&ccedil;e para controlar o comportamento do
usu&aacute;rio, este pode sempre encontrar um meio de escapar ao
controle, seja com a inten&ccedil;&atilde;o de salvar o
avi&atilde;o de uma pane ou sem inten&ccedil;&atilde;o
alguma, como na queda do v&ocirc;o Tam 3054.</p>
<p><img style="width: 310px; height: 400px;"
 alt="Capa da revista Veja numero 380"
 src="http://imagens.usabilidoido.com.br/capa_veja380.jpg"></p>
<p>Trata-se de uma rela&ccedil;&atilde;o
dial&eacute;tica entre as pr&aacute;ticas de
produ&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o, cuja
influ&ecirc;ncia m&uacute;tua &eacute; a base de ambas
exist&ecirc;ncias, ou em outras palavras,
produ&ccedil;&atilde;o existe para
recep&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o existe
para produ&ccedil;&atilde;o. Se tomamos qualquer um dos dois em
separado, perdemos a din&acirc;mica do movimento que os constituem.
&nbsp;</p>

<cite>Artigo a ser publicado na Revista Design da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a></cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/interacoes_entre_design_e_comportamento.html#comments">Comente este post</a></p>
]]>
</description>
<guid isPermaLink="false">737@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2008-03-06T17:47:22-03:00</dc:date>

</item>
 
<item>
<title>Design pelo perfil ou pelo comportamento</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/design_pelo_perfil_ou_pelo_comportamento.html</link>
<description><![CDATA[
<p>O foco do Design sempre foi o ser-humano. Existem,
basicamente, duas formas de se abordar o elemento humano no processo de
design: através do perfil do usuário ou
através de seu comportamento.&nbsp;</p>
<p>Perfis são grupamentos de pessoas que compartilham
certas características demográficas similares,
tais como faixa etária, localização,
quantidade de filhos e etc. O design baseado no perfil é o
mais comum hoje em dia, porém, em vista das
mudanças na sociedade, essa abordagem está se
tornando obsoleta.</p>
<p>No mercado de massa, inicialmente havia apenas um perfil de
consumidor: o homem ou a mulher média. Tudo era projetado
para agradar este <a href="http://briguet.tipos.com.br/arquivo/2007/06/25/pobre-homem-medio">ser
insólito</a>. As medidas dos produtos tentavam
abranger do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Percentil">percentil</a>
5 ao 95%, ou seja, das pessoas de menor proporção
corporal as de maior. Claro que, no final das contas, acabavam
não sendo perfeitamente adaptados para nenhum dos percentis,
pois o homem ou a mulher média simplesmente não
existem; não passam de abstrações
estatísticas.&nbsp;</p>
<p>As pessoas não ligavam quando um produto era
desconfortável, pois a concorrência entre as
empresas ainda estava no patamar de custo e escala. Os produtos eram
praticamente iguais, mesmo entre empresas diferentes. Se você
não se adaptava a um produto, o problema era com
você, afinal de contas, você é o
diferente: alto, baixo, gordo, magro ou cabeçudo demais.</p>
<p>Recentemente, as indústrias perceberam que as
demandas reprimidas das pessoas diferentes eram excelentes
oportunidades de negócios. Bastava botar num mercado um
produto segmentado para um perfil específico para se tornar
sucesso de vendas, mesmo que o produto fosse de qualidade inferior.</p>
<p>Departamentos de marketing passaram a investir grandes somas
em pesquisa demográfica visando descobrir segmentos em seus
mercados. A cada iteração com o mercado, os
marketeiros descobriam novos nichos, cada vez mais
específicos. O grande nicho das “donas de
casa” logo foi dividido em mulheres desquitadas, solteironas
independentes e super-mães. Chegamos ao cúmulo de
ter produtos segmentados para pessoas de pele morena, solteiras, de
meia-idade, com alto poder aquisitivo e estilo tradicional!
É por isso que as prateleiras dos super-mercados
estão cada vez mais abarrotadas de variedades de produtos.</p>
<p>O problema dessa abordagem é que <a href="http://usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html">as
pessoas estão mudando e se diferenciando</a> mais
rápido do que os fabricantes conseguem acompanhar. Num
momento, a pessoa se encaixa no perfil, em outro momento
não. Quando o produto que elas sempre consumiram muda de
embalagem para atingir outro perfil, se sentem desprezadas. O
contrário também acontece: se o produto
não se atualiza, parece obsoleto.</p>
<p>Nos mercados em que a segmentação se
encontra saturada, algumas empresas estão experimentando
orientar o design do produto não pelo perfil, mas pelo
comportamento real do consumidor. Mais do que pesquisas
demográficas, estas empresas investem na
mineração de dados e em <a href="http://usabilidoido.com.br/design_de_interacao_e_antropologia.html">etnografias</a>.
O conhecimento obtido por tais métodos podem não
ser tão generalizáveis para outras
situações, porém, são dados
reais, não abstrações. A chance de
informarem uma decisão acertada é muito maior.<br />
</p>
<p>A rede de supermercados <a href="http://www.casafiesta.com.br/">Casa Fiesta</a>
oferece aos seus clientes um cartão que dá
direito a ofertas especiais quando passado junto ao caixa. O cliente
ganha o desconto e o supermercado fica sabendo exatamente o que ele
comprou. Com base nestes dados, o supermercado pode acompanhar a
eficácia das ofertas, ajustar e vender mais. Pode
até gerar perfis de consumidores com hábitos
similares, mas estes perfis serão muito diferentes dos
baseados em dados demográficos. Aqui o que importa
é o que a pessoa faz, não o que ela é
ou diz ser.</p>
<p>O que não pode ser rastreado por meios
automatizados pode ser alvo de pesquisa de
observação, também chamada de
etnografia. A Nokia mantém <a href="http://www.janchipchase.com/">equipes em diferentes
pontos do mundo</a> para estudar a
apropriação de seus produtos no cotidiano dos
usuários. Descobriram que na África é
comum a utilização de <a href="http://www.janchipchase.com/sharedphoneuse">paredes
como agenda de endereços</a> compartilhada nos centros
de aluguel de telefone celular. Pois bem, criaram o <a href="https://www.nokia.pt/A4405550">Nokia 1200</a>
com uma agenda similar embutida. A Motorola também fez <a href="http://direct.motorola.com/hellomoto/motofone/experience/">algo
parecido</a> para desenvolver o Motophone, um celular de baixo
custo e fácil utilização, <a href="http://www.smallsurfaces.com/2005/11/designing-for-illiterate-people/">mesmo
para analfabetos.</a><br />
</p>
<p>As possibilidades do design centrado no comportamento
estão começando a ser exploradas. A
tendência é que tenhamos cada vez mais produtos
adaptados para o que desejamos fazer e não para o que
nós somos, ou melhor, para o que os fabricantes acham que
nós achamos que somos. </p>


<cite>Artigo a ser publicado na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/design_pelo_perfil_ou_pelo_comportamento.html#comments">Comente este post</a></p>
]]>
</description>
<guid isPermaLink="false">731@http://www.usabilidoido.com.br/</guid>
<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2008-02-21T11:37:34-03:00</dc:date>

</item>
 
<item>
<title>Design é a síntese das múltiplas definições</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/design_e_a_sintese_das_multiplas_definicoes.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Design &eacute; um desses termos que vem alargando seu significado progressivamente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Hoje, estrat&eacute;gia de neg&oacute;cios &eacute; design, organiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es &eacute; design, decorar ambientes &eacute; design, cortar cabelo &eacute; design... tudo virou design! </p><p>Ao inv&eacute;s de tentar conter o alargamento e censurar a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo &ldquo;design&rdquo; para qualquer coisa que n&atilde;o seja um projeto profissional, acho mais interessante tentar entender porque outras pessoas est&atilde;o se apropriando do termo e o que elas querem dizer com ele. </p>
<p>O termo &ldquo;design&rdquo; pode ser usado em, pelo menos, tr&ecirc;s sentidos: um processo espec&iacute;fico de projeto, o resultado do processo e um conhecimento sobre o processo. </p>
<p>No mercado de produtos industrializados, design &eacute; utilizado como um atributo. O produto que tem design &eacute; um produto diferenciado, de qualidade, especial. A qualidade enfatizada se restringe ao n&iacute;vel formal do produto: ou &eacute; um design moderno - denotando uma refer&ecirc;ncia est&eacute;tica espec&iacute;fica, ou &eacute; um design ergon&ocirc;mico &ndash; denotando uma forma que proporciona melhor conforto ao corpo humano. Especifica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e praticidade de uso s&atilde;o colocados como equivalentes ao termo design, ou seja, o processo de design &eacute; desconhecido.&nbsp; </p>
<p>Nos servi&ccedil;os, a no&ccedil;&atilde;o &eacute; um pouco mais abrangente. O resultado n&atilde;o &eacute; por acaso; ele &eacute; fruto de um processo espec&iacute;fico que o anteviu e procurou controlar. Por isso, s&atilde;o considerados aspectos que interferem no resultado, mas que est&atilde;o al&eacute;m dos atributos do produto, como as culturas, as normas sociais, as refer&ecirc;ncias est&eacute;ticas, as linguagens e etc. A partir do conhecimento sobre a situa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o criadas propostas para a mudan&ccedil;a da situa&ccedil;&atilde;o no sentido almejado. Design &eacute; visto, portanto, como meio para atingir um fim. </p>
<p>Por&eacute;m, existe algo al&eacute;m da abordagem instrumental para o design. Design tamb&eacute;m &eacute; uma forma particular de ver o mundo. A sociedade em que vivemos s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel pela media&ccedil;&atilde;o que os artefatos proporcionam entre as pessoas. O ambiente &eacute; projetado, os objetos s&atilde;o projetados, as id&eacute;ias s&atilde;o projetadas, a vida &eacute; projetada, tudo &eacute; projetado. Visto assim, podemos tratar tudo como projeto e aplicar as compet&ecirc;ncias do design para recriar o mundo. <a href="http://noisebetweenstations.com/personal/weblogs/?page_id=1688">Segundo Victor Lombardi</a>, s&atilde;o caracter&iacute;sticas do design: 1) a colabora&ccedil;&atilde;o com m&uacute;ltiplos interessados no projeto; 2) a cria&ccedil;&atilde;o de novas possibilidades atrav&eacute;s do m&eacute;todo abdutivo (tentativa e erro); 3) a experimenta&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica com prot&oacute;tipos; 4) a aten&ccedil;&atilde;o para a particularidade; 5) a percep&ccedil;&atilde;o dos sistemas s&oacute;cio-t&eacute;cnicos; 6) a interpreta&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de um ponto de vista pr&oacute;-ativo. Sendo assim, design n&atilde;o &eacute; s&oacute; processo, mas tamb&eacute;m estrat&eacute;gia, pol&iacute;tica e metodologia.</p>
<p>Se as pessoas dizem que design &eacute; tudo isso, porque dizer que design &eacute; menos do que isso? Porque restringir a um tipo espec&iacute;fico de design, se podemos perceber similitudes entre tais diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es do termo? Talvez o termo &ldquo;design&rdquo; esteja se alargando porque o pr&oacute;prio Design como &aacute;rea do conhecimento humano esteja tamb&eacute;m se alargando. A presen&ccedil;a do design na sociedade est&aacute; sendo cada vez mais percebida e repensada por outras &aacute;reas; design est&aacute; sendo visto como uma das poucas &aacute;reas capazes de lidar com a complexidade da vida moderna; a unidade na diversidade de fundamentos que alicer&ccedil;am o design tornam-o plenamente inclusivo e ao mesmo tempo coerente. Precisamos, portanto, de uma defini&ccedil;&atilde;o el&aacute;stica de design; t&atilde;o abrangente e, ao mesmo tempo, espec&iacute;fica como a <a href="http://www.insrolux.org/textosmarxistas/metododaeconomiapoilitica.htm">defini&ccedil;&atilde;o do concreto em Karl Marx</a>. Design &eacute; - ou pode ser - a s&iacute;ntese das m&uacute;ltiplas defini&ccedil;&otilde;es de design.</p>

<cite>Artigo a ser publicado na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/design_e_a_sintese_das_multiplas_definicoes.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:date>2007-12-11T09:37:17-03:00</dc:date>

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<title>Tendências, clichês e reprodução cultural no design</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/tendencias_cliches_e_reproducao_cultural_no_design.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Design &eacute;, por vezes, usado como sin&ocirc;nimo de novidade, de criatividade, de inova&ccedil;&atilde;o, de vanguarda. Por&eacute;m, qu&atilde;o capaz &eacute; o design de trazer o novo? A sociedade teme e rejeita movimentos que prop&otilde;em mudan&ccedil;as radicais, como o <a href="http://www.mst.org.br">Movimento dos Sem-Terra</a>, o <a href="http://organismo.art.br/blog/">Hackerismo</a> e o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Punk">Punk</a>, enquanto endeusa as mudan&ccedil;as propostas pelo Design, mudan&ccedil;as que n&atilde;o amea&ccedil;am o <em>status quo</em>, sen&atilde;o que o refor&ccedil;am. &Eacute; por isso que o Design segue tend&ecirc;ncias e n&atilde;o escapa dos clich&ecirc;s.</p>
<p>Mas, nem tudo &eacute; reprodu&ccedil;&atilde;o cultural no Design. Por mais que rejeitem o papel de artistas, designers n&atilde;o abdicam da marca autoral. Para competir no mercado, designers precisam chamar a aten&ccedil;&atilde;o para si, mesmo que seja apenas em seu portif&oacute;lio. <a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/2005/03/15/sobre-design-identidade-e-a-falta-dela/">Reivindicam o reconhecimento de um estilo pessoal</a>, uma linha particular que distinga seus trabalhos dos demais. Ao inv&eacute;s de suprimir, empresas astutas capitalizam em cima do estilo, agregando o mesmo &agrave; sua marca. Por essa brecha, as organiza&ccedil;&otilde;es encontram espa&ccedil;o para propor mudan&ccedil;as e se atualizar perante &agrave; sociedade. </p>
<p>As organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o conservadoras porque sua fun&ccedil;&atilde;o &eacute; precisamente manter o <em>status quo</em>. Podem ter como objetivo a mudan&ccedil;a de entidades externas, mas nunca a sua pr&oacute;pria mudan&ccedil;a. Por isso, a mudan&ccedil;a parte do indiv&iacute;duo, mas depende da incorpora&ccedil;&atilde;o pelas organiza&ccedil;&otilde;es para que se estabele&ccedil;a como novo <em>status quo. </em> </p>
<p>No Design, n&atilde;o s&atilde;o apenas designers capazes de propor mudan&ccedil;as. Na verdade, quem tem maior liberdade s&atilde;o os consumidores. Eles podem criar e recriar produtos independente do parecer das organiza&ccedil;&otilde;es. As Havaianas s&atilde;o um caso cl&aacute;ssico. Chinelo de baixo custo, era associado &agrave; classe de baixa renda, que n&atilde;o teria condi&ccedil;&otilde;es de comprar cal&ccedil;ados melhores. Como t&aacute;tica de diferencia&ccedil;&atilde;o, algumas pessoas viravam ao contr&aacute;rio os solados, deixando a superf&iacute;cie branca caracter&iacute;stica para baixo. Essa pr&aacute;tica se reproduziu por muitos anos, at&eacute; que <a href="http://jornal.valeparaibano.com.br/2002/12/08/dom/moda2.html">o designer Jos&eacute; Marcos da Silva</a> prop&ocirc;s a Havaianas Top, em diversas cores e sem a superf&iacute;cie branca. Resultado: sucesso absoluto de vendas e magn&iacute;fica revaloriza&ccedil;&atilde;o da marca.</p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/havaianastop.jpg" alt="Havaianas Top" width="400" height="400">
<p>Hoje, as Havaianas s&atilde;o exportadas para 80 pa&iacute;ses do mundo e <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/030613_havaianasss.shtml">vestidas em desfiles da mais alta moda</a>. O que era clich&ecirc;, virou tend&ecirc;ncia gra&ccedil;as ao Design. A <a href="http://www.vecam.org/article591.html">criatividade e inova&ccedil;&atilde;o do consumidor </a>foi incorporada numa estrat&eacute;gia de <em>branding</em> brilhante e &oacute;bvia ao mesmo tempo: &eacute; &oacute;bvio que o consumidor queria sand&aacute;lias diferentes, mas &eacute; brilhante a forma como o desejo foi atentido. Os comerciais de TV, os pontos-de-venda e a forma do produto estavam todos muito bem alinhados. </p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/havaianas_prop.jpg" alt="Material promocional da Havaianas" width="520" height="343">
<p>Apesar da magnitude, a mudan&ccedil;a n&atilde;o foi assim t&atilde;o radical. A classe de baixa renda&nbsp; continua usando o chinelo azul e branco, enquanto os mais abastados usam chinelos diferentes. Se o Design tivesse proposto o contr&aacute;rio ou algo radicalmente diferente, nem a organiza&ccedil;&atilde;o, nem os consumidores iriam aceitar. A &quot;<a href="http://www.fabricadequadrinhos.com.br/mundocanibal/indexo.php?conteudo=episodios&mundo_id=12&id=205">Avaiana de Pau</a>&quot;, anima&ccedil;&atilde;o que circula na Internet h&aacute; alguns anos, foi criada pelos irm&atilde;os Piologo com o objetivo de satirizar a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra crian&ccedil;as, mas foi percebida por <a href="http://odisturbio.zip.net/arch2007-11-04_2007-11-10.html">algumas pessoas</a> como uma apologia &agrave; viol&ecirc;ncia.</p>
<img src="http://imagens.usabilidoido.com.br/180px-Avaianadepau.jpg" alt="Avaiana de Pau em a&ccedil;&atilde;o" width="180" height="134"> 
<p>O que se espera do Design, em nossa sociedade, &eacute; justamente a reprodu&ccedil;&atilde;o cultural, ou seja, a adapta&ccedil;&atilde;o de produtos &agrave;s necessidades das organiza&ccedil;&otilde;es e dos consumidores. Conscientes disso, designers prop&otilde;em mudan&ccedil;as graduais. <a href="http://www.raymondloewy.com/">Raymond Loewy</a>, um dos primeiros designers assumidos, almejava o paradigma Most Advanced Yet Acceptable (o mais avan&ccedil;ado ainda aceit&aacute;vel). Ao inv&eacute;s de reproduzir, designers &ndash; e tamb&eacute;m consumidores &ndash; podem refratar: transformar o velho em novo atrav&eacute;s de pequenas mudan&ccedil;as.</p>

<cite>Artigo a ser publicado na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/tendencias_cliches_e_reproducao_cultural_no_design.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:date>2007-12-07T09:34:21-03:00</dc:date>

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<title>A insustentável leveza da simplicidade</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_insustentavel_leveza_da_simplicidade.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A simplicidade est&aacute; na moda... de novo. Ap&oacute;s o conturbado final do s&eacute;culo XX, salpicado de rupturas tecnol&oacute;gicas e amea&ccedil;as apocal&iacute;pticas, as pessoas est&atilde;o procurando conciliar o que o presente nos oferece com o que o passado tinha de bom. &ldquo;Antigamente tudo era t&atilde;o mais simples...&rdquo; dizem uns. Entretanto, ningu&eacute;m quer nem pode se desfazer dos novos confortos e voltar ao passado. Os produtos que fazem mais sucesso no momento s&atilde;o os que recuperam a simplicidade sem perder a sofistica&ccedil;&atilde;o. </p><p>Parece um paradoxo, algo imposs&iacute;vel de acontecer, simplicidade e sofistica&ccedil;&atilde;o estarem num mesmo lugar, no mesmo objeto. Mas &eacute; real: empresas como a Apple e Google&nbsp; est&atilde;o chamando a aten&ccedil;&atilde;o do mundo pelo fino equil&iacute;brio entre essas qualidades. A Google saiu do fundo de uma garagem para se tornar uma das maiores empresas do mundo em menos de 10 anos gra&ccedil;as &agrave; simplicidade de sua p&aacute;gina e &agrave; sofistica&ccedil;&atilde;o de seu mecanismo de busca. S&oacute; &eacute; preciso digitar uma palavra e apertar um bot&atilde;o para ter acesso a milhares de informa&ccedil;&otilde;es espalhadas na Web. A complexidade fica por conta do sistema, que realiza <a href="http://www.google.com/technology/">opera&ccedil;&otilde;es mirabolantes</a> para indicar &agrave; pessoa as p&aacute;ginas mais relevantes. </p>
<p>Mas a simplicidade tem um pre&ccedil;o: a simplicidade esconde mais do que revela. Olhamos para um objeto ou uma pessoa simples e pensamos: &ldquo;puxa vida, gostaria de ser como aquela pessoa&rdquo; ou &ldquo;ter o que ela tem&rdquo;. O que n&atilde;o sabemos &eacute; que ser simples n&atilde;o &eacute; simples. Um s&aacute;bio indiano certa vez escreveu que o segredo da felicidade &eacute; &ldquo;<a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;ct=res&amp;cd=1&amp;url=http%3A%2F%2Fpt.krishna.com%2Fdownloads%2Fvida_simples.pdf&amp;ei=o7grR83BHZuUggLB0YT4CQ&amp;usg=AFQjCNET6cwlMsYSpwTUfenO_38IAZMGBA&amp;sig2=sZb0Khv0Oh4dbr8U7KxftA">vida simples, pensamento elevado</a>&rdquo;. Tento aplicar isso em minha vida, mas &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil... O problema &eacute; que, em nossa sociedade atual, a vida &eacute; muito complicada. Temos que <a href="http://usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html">desempenhar diversos pap&eacute;is sociais</a>, vivenciar dramas, equilibrar conhecimento, economia e prazer numa agenda sempre lotada!</p>
<p>A simplicidade est&aacute; na moda porque a complexidade impera. A cada momento, multiplicam-se em progress&atilde;o geom&eacute;trica as coisas que precisamos conhecer, relacionar e interagir para sobreviver. Definitivamente, n&atilde;o damos conta de tudo. Quando aparece um deserto nesse mar de o&aacute;sis, ficamos embasbacados, pensando como &eacute; poss&iacute;vel que ningu&eacute;m sacou antes que poderia ser simples assim? Esse efeito estarrecedor da simplicidade &eacute; pura ilus&atilde;o. Na miragem, o iPod parece uma caixa com um bot&atilde;o, uma rodinha e um display que &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o para as demandas de consumo de m&uacute;sica do indiv&iacute;duo. Desmistificada a eleg&acirc;ncia da simplicidade, percebemos que ao inv&eacute;s de solucionar qualquer coisa, o iPod complexifica ainda mais a vida das pessoas. Agora temos que escolher n&atilde;o uma dentre 10 m&uacute;sicas do Discman, mas uma dentre 5.000!</p>
<p>A &uacute;ltima vers&atilde;o do iPod, agora com monitor sens&iacute;vel ao toque, comporta menos m&uacute;sicas, mas faz um monte de outras coisas: funciona como agenda, calculadora e navegador de Internet. Na verdade, a Apple aproveitou o sucesso do iPhone e fez uma vers&atilde;o sem telefone: o <a href="http://www.apple.com/ipodtouch/">iPod Touch</a>. Para quem j&aacute; tinha um iPod anterior e acompanhou o <a href="http://usabilidoido.com.br/iphone_inaugura_novo_paradigma_para_interfaces_moveis.html">lan&ccedil;amento do iPhone</a>, ele parece t&atilde;o simples quanto o primeiro iPod. Agora, para quem est&aacute; de fora dessa cultura, ele &eacute; uma quimera t&atilde;o assustadora quanto o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/guiasydney23.htm">programador de grava&ccedil;&atilde;o do videocassete</a>. Como diz John Maeda em seu livro <a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?ProdTypeId=1&amp;ProdId=1793291&amp;franq=137623">As Leis da Simplicidade</a>, &ldquo;<a href="http://lawsofsimplicity.com/?p=53">o conhecimento faz tudo mais simples</a>&rdquo;, logo a simplicidade n&atilde;o &eacute; universal: para alguns &eacute; simples, para outros, n&atilde;o.</p>
<p>&Eacute; por tudo isso que n&atilde;o concordo quando algu&eacute;m evoca o velho bord&atilde;o do design cunhado pelo arquiteto <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mies_van_der_Rohe">Mies van der Rohe</a> na escola Bauhaus: &ldquo;menos &eacute; mais!&rdquo; Eu pergunto: menos &eacute; mais para quem? Van der Rohe usava ela para aludir &agrave; racionaliza&ccedil;&atilde;o extrema de recursos: usar o m&iacute;nimo de material para obter o m&aacute;ximo de efici&ecirc;ncia de uso. O modernismo almejava a padroniza&ccedil;&atilde;o do cotidiano segundo leis de bem-estar pretensamente universais. Hoje em dia, ningu&eacute;m acredita que isso seja poss&iacute;vel, no entanto continua-se a repetir que &ldquo;menos &eacute; mais&rdquo;. &Eacute; porque a frase adquiriu um novo sentido. Diante de tamanha abund&acirc;ncia de produtos e tecnologia, oferecer menos &eacute; um diferencial de mercado, ou seja, destaca o produto. Hoje, menos &eacute; diferente, n&atilde;o &eacute; mais. Se fosse mais, as pessoas pediriam menos produtos, menos funcionalidades, menos consumo, mas n&atilde;o &eacute; o que se observa na pr&aacute;tica: as pessoas querem sempre mais e mais! Menos &eacute; menos e mais e mais; n&atilde;o d&aacute; pra correlacionar quantidade com qualidade.</p>
<p>Assim como o protagonista do romance <a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=35656&amp;franq=137623">A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser</a> sente o peso do comprometimento com a liberdade quando se envolve com uma mulher, n&oacute;s sentimos o peso da simplicidade quando sua complexidade inerente se desvela. Negar a complexidade &eacute; tapar o sol com a peneira: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_caos">o caos se alastra inevitavelmente</a>. Entretanto, precisamos crer em simples ideais para sobreviver ao <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernidade">caos que nos consome em nossa sociedade atual</a>.</p>
<p>Nota: a id&eacute;ia desse artigo &eacute; problematizar a vis&atilde;o simplista que se tem da rela&ccedil;&atilde;o entre simplicidade e complexidade, manifesta, por exemplo, na excelente (por&eacute;m simplista) <a href="http://www.slideshare.net/horacio.soares/design-for-simplicity-rio-info-2007/">palestra do meu amigo Hor&aacute;cio Soares</a>. O primeiro artigo que encontrei que me fez repensar a empolga&ccedil;&atilde;o com a simplicidade foi o <a href="http://www.jnd.org/dn.mss/the_truth_about.html">questionamento sobre a pretensa simplicidade do Google</a> de Donald Norman.  Depois, o contato com os projetos explorando os <a href="http://www.interaction.rca.ac.uk/briefs/complicatedPleasures.html">prazeres complicados</a> dos seres-humanos no Royal College of Art me convenceram de vez a ser mais cr&iacute;tico a respeito dessa quest&atilde;o. </p>


<cite>Artigo a ser publicado na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_insustentavel_leveza_da_simplicidade.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:date>2007-11-02T22:12:24-03:00</dc:date>

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<title>Uma inexplicável sensação de bem-estar</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/uma_inexplicavel_sensacao_de_bem-estar.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Sabe aquela sensa&ccedil;&atilde;o que d&aacute; quando estamos satisfeitos com alguma coisa? &Eacute; t&atilde;o bom... mas dura pouco! Quando atingimos a plenitude e nada mais nos falta, a primeira provid&ecirc;ncia que tomamos &eacute; neg&aacute;-la. Sempre falta <a href="http://usabilidoido.com.br/pequenos_detalhes_que_encantam.html">algum detalhe</a>, algo que ficou por ser feito e que continua nos requisitando. Mas claro: viver &eacute; fazer.</p><p>Bem-estar n&atilde;o &eacute; um estado que se atinge quando cessam os desejos, mas sim <a href="http://usabilidoido.com.br/participacao_verdadeira_na_origem_do_projeto.html">uma busca</a>. Quem vive bem, vive bem porque pode experimentar e descobrir o que &eacute; viver bem. Se existisse uma receita pronta para uma boa vida que servisse a todos, <a href="http://www.dotecome.com/DOTeCAFe/textos/vertice3.htm">o socialismo teria dado certo</a>. Na verdade, um dos fatores que mant&eacute;m o capitalismo funcionando em nossa sociedade &eacute; sua capacidade de produzir bens de consumo diversificados em abund&acirc;ncia, adequando-se razoavelmente a diferentes estilos de vida dos consumidores.</p>
<p>O design surgiu, precisamente, quando o capitalismo atingia seu &aacute;pice de abund&acirc;ncia e a concorr&ecirc;ncia, inevitavelmente, tinha que acontecer em outra arena. Uma sa&iacute;da encontrada por algumas ind&uacute;strias foi a diversifica&ccedil;&atilde;o da linha de produtos, trabalhando com p&uacute;blicos menores, por&eacute;m fi&eacute;is. O design entrava com a melhoria da qualidade do produto, um diferencial que permitia elevar seus pre&ccedil;os. A refer&ecirc;ncia inicial eram valores universais como os ideais cl&aacute;ssicos de harmonia, o conceito de &ldquo;boa forma&rdquo; da Gestalt, a adapta&ccedil;&atilde;o dos produtos &agrave;s <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Antropometria">medidas corporais da m&eacute;dia da popula&ccedil;&atilde;o</a> e etc. </p>
<p>Essa estrat&eacute;gia universalista durou enquanto os consumidores estavam satisfeitos em se identificarem com &ldquo;a massa&rdquo;. A partir dos anos 60, o burburinho provocado pelo contato entre culturas promovido pela rede de transportes e comunica&ccedil;&atilde;o, as pessoas passaram a procurar estilos de vida pr&oacute;prios, procurando <a href="http://usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html">uma mistura que as tornassem &uacute;nicas</a> no mundo todo. Dif&iacute;cil definir o que era bem-estar para essas pessoas, j&aacute; que cada uma pensava diferente. Alguns queriam paz e amor, outros s&oacute; pensavam em fama e dinheiro...</p>
<p>No final do s&eacute;culo XX, o contato intercultural se tornou familiar. As pessoas j&aacute; conversavam na mesa do jantar como era viver no socialismo sovi&eacute;tico ou na tecnocracia japonesa. Ao inv&eacute;s de criticar, as pessoas tentavam entender as diferen&ccedil;as, afinal de contas, os outros povos tamb&eacute;m eram humanos e cidad&atilde;os do mesmo mundo. As viagens tur&iacute;sticas para o exterior adquiriram outra conota&ccedil;&atilde;o: era uma forma de aprender como outras pessoas conseguiam viver bem em situa&ccedil;&otilde;es completamente diferentes &agrave;s que o viajante considerava boas em sua pr&oacute;pia cultura.</p>
<p>O bem-estar hoje &eacute; considerado relativo, entretanto, as pessoas concordam em uma coisa: bom mesmo &eacute; poder experimentar. O desejo dos consumidores por novas sensa&ccedil;&otilde;es, novas experi&ecirc;ncias, novos estilos de vida, tem levado o design a abstrair seus objetos de trabalho. A forma dos produtos parecem cada vez mais <a href="http://usabilidoido.com.br/propiciacao_e_clicabilidade.html">sugerir as experi&ecirc;ncias que se pretendem a proporcionar</a>. Os designers chegam a cogitar se o que estariam projetando n&atilde;o seria <a href="http://www.nahipermidia.com/blog/?m=200706">a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia do produto</a>. Se a experi&ecirc;ncia &eacute; projet&aacute;vel ou n&atilde;o, o fato &eacute; que ela &eacute; s&oacute; mais uma tentativa na busca do indiv&iacute;duo pelo bem-estar dentro de seu estilo de vida pr&oacute;prio. O design, para os consumidores, n&atilde;o define o que &eacute; bem-estar mas &eacute; um caminho.</p>

<cite>Este artigo foi publicado originalmente na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. </cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/uma_inexplicavel_sensacao_de_bem-estar.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-08-06T23:23:12-03:00</dc:date>

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<item>
<title>A atração pelo design</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html</link>
<description><![CDATA[
<p>De uma palavra estrangeira desconhecida, &ldquo;design&rdquo; passou ao status de <em>sexy</em> nos &uacute;ltimos anos. As pessoas em geral <a href="http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061030195948AAPcwNz">n&atilde;o sabem muito bem o que significa</a>, mas sabem que &eacute; melhor ter do que n&atilde;o ter. O consumidor est&aacute; descobrindo o design s&oacute; agora porque s&oacute; agora ele se tornou <a href="http://www.businessweek.com/magazine/content/04_20/b3883001_mz001.htm">estrat&eacute;gia de diferencia&ccedil;&atilde;o no mercado.&nbsp;</a> </p>
<p>Nunca tivemos tanta op&ccedil;&otilde;es de consumo &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o como agora. As prateleiras est&atilde;o lotadas de variedades, cada uma querendo chamar mais a aten&ccedil;&atilde;o. O design de embalagens procura estrat&eacute;gias de diferencia&ccedil;&atilde;o h&aacute; d&eacute;cadas, mas n&atilde;o &eacute; esse tipo de design que est&aacute; entrando no vocabul&aacute;rio popular. O campo de competi&ccedil;&atilde;o agora se d&aacute; no cotidiano, nos lugares onde as pessoas delineiam suas identidades. As empresas est&atilde;o investindo pesado na diferencia&ccedil;&atilde;o pelo design do produto porque os objetos est&atilde;o participando cada vez mais da identidade das pessoas. O design que atrai &eacute;, portanto, o design da identidade.</p>
<p>Antigamente, as pessoas se contentavam em ser normais. Hoje, elas n&atilde;o dispensam a normalidade, mas procuram ansiosamente um algo a mais que as diferencie. Elas precisam de um &ldquo;diferencial competitivo&rdquo; n&atilde;o s&oacute; no mercado profissional, mas tamb&eacute;m nas rela&ccedil;&otilde;es familiares, nas rela&ccedil;&otilde;es amorosas, na religi&atilde;o. Para se tornar algu&eacute;m na vida, &eacute; preciso ser como ningu&eacute;m. E como demonstrar isso pras outras pessoas? Atrav&eacute;s de suas posses e atitudes. </p>
<p>&Eacute; a&iacute; que entra o design. Ele &eacute;, ao mesmo tempo, posse e atitude. N&atilde;o &eacute; o produto, mas est&aacute; nele; n&atilde;o faz coisas, mas participa do que &eacute; feito atrav&eacute;s dele. Design s&atilde;o escolhas deliberadas embutidas nos objetos e, quando se adquire o objeto, adquire-se tamb&eacute;m as atitudes que o criaram &mdash; o processo de design &mdash; e as atitudes que o objeto proporciona &mdash; conforto, exalta&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>As pessoas em geral n&atilde;o est&atilde;o muito interessadas no processo de produ&ccedil;&atilde;o dos objetos do cotidiano. Entretanto, quando ouvem outras dizer que objeto &ldquo;tem&rdquo; um design inovador ou moderno, o processo se torna interessante porque sabem que as escolhas foram feitas priorizando a qualidade. </p>
<p>Antigamente, as marcas tradicionais asseguravam que o produto teria qualidade. As pessoas confiavam tanto nas marcas que se o produto apresentasse defeito era considerado apenas uma exce&ccedil;&atilde;o &shy;&mdash; e ai de quem desconfiasse da marca que a fam&iacute;lia confiava h&aacute; gera&ccedil;&otilde;es! Hoje as pessoas n&atilde;o se identificam tanto com as marcas a ponto de ignorar defeitos porque suas identidades est&atilde;o t&atilde;o indefinidas e mutantes que as marcas j&aacute; n&atilde;o conseguem mais se agarrar nelas. </p>
<p>O design atrai porque &eacute; perfeito para a <a href="http://usabilidoido.com.br/identidade_e_subjetividade_em_tempos_posmodernos_.html">bricolagem dessas identidades</a> e n&atilde;o exige fidelidade &agrave; marca nenhuma. A sala que voc&ecirc; escolheu cuidadosamente os m&oacute;veis representa a sua identidade, n&atilde;o a das marcas dos produtos. Mesmo que voc&ecirc; tenha um set de cozinha de uma marca famosa, ainda assim ser&aacute; a sua cozinha porque &eacute; voc&ecirc; quem define como ela ser&aacute; usada. </p>
<p>Algumas empresas tentam se adaptar &agrave; essa realidade criando sub-marcas e linhas de produtos com diversas identidades associadas. Na minha vis&atilde;o, quem est&aacute; realmente adaptado &agrave; nova realidade &eacute; quem deixa para que o pr&oacute;prio consumidor decida como encaixar o produto na sua teia de objetos de identidade, seja da marca delas ou n&atilde;o. </p>
<p>A Ikea, empresa sueca que fabrica e vende m&oacute;veis populares, por exemplo, adota a estrat&eacute;gia de oferecer milhares de m&oacute;veis diferentes em suas lojas. Os produtos n&atilde;o v&ecirc;m montados e o consumidor pode combinar partes de outros m&oacute;veis, criando solu&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a Ikea fez o tr&acirc;nsito entrar em colapso quando abriu suas portas em algumas cidades estadunidenses. Isso &eacute; que &eacute; atra&ccedil;&atilde;o pelo design!</p>
<p>O design, hoje, atrai tanto porque ajuda a responder as duas quest&otilde;es mais complicadas dos tempos p&oacute;s-modernos em que vivemos: &ldquo;quem sou eu?&rdquo; e &ldquo;como viver bem?&rdquo;.</p>
<cite>Este artigo foi publicado originalmente na Revista Design do website da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>. A inspiração veio de um <a href="http://www.hugocristo.com.br/blog.php?blog=23&e=16&lang=pt">post apressado do Hugo Cristo</a> que ressonou a algumas coisas que venho percebendo recentemente e não estava conseguindo sintetizar.</cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_atracao_pelo_design.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-07-26T15:50:34-03:00</dc:date>

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<title>A estética do cotidiano</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_estetica_do_cotidiano.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A sabedoria popular diz que &#8220;a beleza é um estado de espírito&#8221; e que &#8220;a beleza está nos olhos de quem vê&#8221;. Se for assim, tudo pode ser belo, desde que nossos olhos possam encontrar a beleza de cada coisa. Na verdade, é exatamente isso que a visão e os demais sentidos estão fazendo o tempo todo. Procuramos os caminhos mais aprazíveis, as pessoas mais interessantes, as comidas mais gostosas, os móveis mais confortáveis e por aí vai, muitas vezes nem se dando conta de que estamos fazendo escolhas com base na estética. </p><p>Estética, dizem os filósofos, é a eterna busca pelo belo, mas o que é belo vai depender do gosto individual e coletivo. O gosto individual é tão variado que as pessoas costumam encerrar prematuramente conversas sobre o assunto quando encontram diferenças, afinal, &#8220;gosto não se discute!&#8221;. Apesar da intolerância, as diferenças não são tão drásticas assim dentro de um grupo de pessoas. Eu gosto de sofás felpudos, arredondados e coloridos e você gosta de sofás lisos, retangulares e de cores pastéis, mas ambos gostamos de sofá. No Japão, uma cultura bem diferente da nossa, as pessoas gostam é de sentar no chão!</p>

<p>O gosto também varia de acordo com a época. Pegue o álbum de fotos da família e veja como aquelas roupas usadas há muitas décadas atrás lhe parecem ridículas, mas na época, eram uma &#8220;brasa mora&#8221;...</p>

<p>Entretanto, algumas pessoa acreditam que, nos dias de hoje, a estética já não é mais tão importante. Desde que o dia-a-dia passou a ser contado no relógio, o tempo passou a ficar cada vez mais curto. É preciso comer o mais rápido possível, descansar o mínimo, trabalhar e estudar o máximo. <a href="http://usabilidoido.com.br/tempo_para_refletir.html">Não há tempo</a> para <a href="http://usabilidoido.com.br/faltam_horizontes_sobram_espelhos.html">apreciar o mundo</a>, é preciso produzir, produzir, produzir! </p>

<p>Para maximizar a produtividade do dia-a-dia, a indústria em geral vende produtos baratos e funcionais, mas não necessariamente bonitos. Nas propagandas, eles enfatizam a multifuncionalidade, a facilidade de limpeza, os benefícios para a saúde, mas nada de falar da beleza. Em alguns casos, o &#8220;design moderno&#8221; é listado dentre as demais características funcionais do produto, como se todo o resto também não fizesse parte do design.</p>

<p>Mas isso é o que eles querem que a gente pense, <a href="http://www.nahipermidia.com/blog/?p=90">ideologia</a>, mas não é necessariamente o que a gente faz. Muitos produtos são rejeitados no mercado simplesmente porque as pessoas acham feio demais, enquanto outros superam as expectativas de venda porque todo mundo achou lindo. </p>

<img alt="Fiat Uno" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/uno10fz1.jpg" width="640" height="480" />
<p>O Fiat Uno é um caso interessante. Inicialmente foi rejeitado pelos brasileiros devido ao formato da carroceria ser muito destoante do padrão da época, ou como chamavam na época, a &#8220;botinha ortopédica&#8221;. Depois foi <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=232658">aceito</a> e se tornou forte nas vendas, mas sempre associado a valores como economia e desempenho. O Fusca, curiosamente, apesar de ser ainda mais diferente dos demais, é considerado por muitos como um carro charmoso até nos dias de hoje. Não é raro encontrar pelas ruas brasileiras Fuscas turbinados, customizados, antigos, mas bem cuidados. As pessoas desenvolvem tal afeto pelo carro que não trocam por outro. </p>

<img alt="Fusca altamente customizado" src="http://www.usabilidoido.com.br/imagens/fusca_customizado.jpg" width="640" height="480" />
<p>A estética, portanto, guia a experiência humana inclusive na rotina do cotidiano. A beleza não está distante de nós, restrita às vitrines e à televisão; ela está aqui, dentro de nossas casas. A estética do cotidiano não é a estética do exótico, do inalcançável, do perfeito, mas sim do que é verdadeiramente humano: o comum, o rotineiro, o gostosinho, o bonitinho, o bom.  </p>

<cite>Publicado originalmente na Revista Design do site da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>.</cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_estetica_do_cotidiano.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-06-10T20:52:25-03:00</dc:date>

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<title>Pequenos detalhes que encantam</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/pequenos_detalhes_que_encantam.html</link>
<description><![CDATA[
<p>No Design, um ideal que está cada vez mais em voga é o holismo, ou seja, a consciência de todos os múltiplos aspectos de um produto. É preciso considerar utilidade, beleza, emotividade, ergonomia, história, técnicas de produção, custos e todos os aspectos relevantes ao design. O produto deve ser coerente em todos esses aspectos e deslumbrante, já que o todo é maior que a soma das partes. </p><p>Como todo ideal, o holismo é inatingível na prática. Nem um batalhão de designers conseguiria dar conta de todas as possibilidades na criação de um produto. E mesmo que dessem conta, não conseguiriam controlá-las depois que o produto começasse a ser usado pelas pessoas. Mas, por perseguir o ideal, os designers fazem melhores previsões e os produtos tem maior chance de sucesso.</p>

<p>O holismo pode até ser usado como argumento de venda. Há alguns anos atrás, por exemplo, a Tramontina usava um slogan que acabou caindo no gosto popular: &#8220;Tramontina é BBB: Bom, Bonito e Barato&#8221;. Se antes de escutar o slogan uma pessoa achava que os produtos da Tramontina eram bons, agora ela poderia perceber que eles também eram bonitos e baratos. </p>

<p>Na hora de comprar, é muito complicado para o consumidor considerar todos os aspectos do produto em relação à sua própria vida. Enquanto não se pode usar o produto no dia-a-dia, não se pode saber o seu real valor. O máximo que ele pode fazer é observar como as outras pessoas usam e o que elas dizem sobre, mas isso toma tempo. O consumidor acaba, na maioria das vezes, escolhendo o produto por uma característica em particular que lhe chama a atenção, algo que ele tem certeza que terá valor. </p>

<p>Esse apego ao detalhe persiste depois que o produto passa a fazer parte da vida da pessoa. Aos poucos, a pessoa vai descobrindo em que local da casa o produto fica melhor, o que ele faz bem feito, com quais outros objetos ele combina e etc. Como a vida está sujeita às transformações da história, essas relações são constantemente modificadas. O que combina com o estilo de vida hoje pode não combinar amanhã; o que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Esse processo de ressignificação não termina nem mesmo quando o produto é jogado fora. </p>

<p>Eu, por exemplo, não me esqueço da minha primeira bicicleta que ganhei do Papai-Noel; não me esqueço dos utensílios domésticos que comprei quando me casei; não me esqueço da primeira vez em que usei o iPod de um amigo. </p>

<p>O tempo passa, a memória muda. Algumas pessoas dizem que fica mais fraca, mas pra mim me parece o contrário. O que permanece na memória são as coisas importantes e, conforme ficamos mais experientes, nossa memória se torna mais seletiva sobre o que é importante. </p>

<p>Da bicicleta, eu me lembro da pegada do guidão; dos utensílios, eu me lembro do preço baixo; do iPod, eu me lembro do barulhinho que fazia ao girar o dedo sobre o disco central. Lembro desses detalhes porque foram importantes para a situação em que eu vivia e continuam sendo importantes hoje.</p>

<p>O holismo é uma abordagem interessante para o Design, mas o que encanta são os detalhes. Melhor do que tentar abranger todos os aspectos possíveis é buscar aqueles que serão mais importantes para as pessoas numa determinada situação. Perde-se em generalizações, ganha-se em particularidades. Não é à toa que produtos encantadores parecem que foram feitos sob medida...</p>

<p><cite>Publicado originalmente na Revista Design do site da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>.<br />
</cite></p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/pequenos_detalhes_que_encantam.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-06-02T13:10:22-03:00</dc:date>

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<title>A forma não segue necessariamente a função</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/a_forma_nao_segue_necessariamente_a_funcao.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Na linha funcionalista do Design, que &eacute; muito influente no Brasil, acredita-se que a forma de um objeto projetado segue a sua fun&ccedil;&atilde;o. Seguindo essa id&eacute;ia, o garfo de quatro dentes &eacute; assim porque esta forma &eacute; a que ofereceu a melhor performance para a fun&ccedil;&atilde;o de espetar alimentos e levar &agrave; boca, dentre todas as outras que foram projetadas at&eacute; hoje. Ao rever a hist&oacute;ria do garfo, podemos perceber que a performance n&atilde;o foi o &uacute;nico crit&eacute;rio para sua evolu&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>Na Europa da Idade M&eacute;dia, usar garfos artificiais ao inv&eacute;s dos garfos naturais &shy;&mdash; os dedos &mdash; era considerado um insulto ao Criador. Garfos eram utilizados apenas como utens&iacute;lios de cozinha. No s&eacute;culo XVI, os italianos passaram a utiliz&aacute;-los na mesa, mas com dentes menores, para diferenci&aacute;-lo dos garfos de cozinha. A cozinha era o lugar dos servi&ccedil;ais, que comiam com a m&atilde;o, e n&atilde;o dos nobres. </p>
<p>No s&eacute;culo XIX, a sofistica&ccedil;&atilde;o da burguesia era tamanha, que os jogos de talheres inclu&iacute;am dezenas de pe&ccedil;as especializadas, dentre as quais, haviam pelo menos quatro garfos diferentes. Nem todas as pe&ccedil;as especializadas eram mais &uacute;teis, mas seu uso num jantar demarcava o status social dos anfitri&otilde;es. </p>
<p>No s&eacute;culo XX, o consumo de massa levou &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as b&aacute;sicas dos jogos de talheres. No final do s&eacute;culo, com o aumento da competi&ccedil;&atilde;o entre fabricantes, alguns faqueiros come&ccedil;aram a sair de f&aacute;brica ligeiramente fora do padr&atilde;o, exibindo detalhes de acordo com um estilo ao qual um determinado perfil de consumidores procuraria se alinhar. Em alguns faqueiros, os garfos s&atilde;o t&atilde;o arredondados e curtos que mal servem para espetar o alimento, fun&ccedil;&atilde;o que o diferencia da colher. </p>
<p>A colher pode ser at&eacute; mais efetiva para comer a comida processada feita para as refei&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas da rotina agitada do s&eacute;culo XXI, mas a preocupa&ccedil;&atilde;o com a manuten&ccedil;&atilde;o do estilo ainda existe, mesmo na correria. O garfo e a faca ainda s&atilde;o os utens&iacute;lios b&aacute;sicos da mesa, enquanto a colher &eacute; relegada &agrave;s crian&ccedil;as e aos alimentos predominantemente l&iacute;quidos. </p>
<p>A hist&oacute;ria do garfo demonstra que n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o determinante da fun&ccedil;&atilde;o sobre a forma. Henry Petroski conclui no livro <a href="http://www.amazon.com/Evolution-Useful-Things-Artifacts-Zippers-Came/dp/0679740392/ref=pd_bbs_sr_1/104-0504053-7000752?ie=UTF8&s=books&qid=1179789619&sr=8-1&tag=usabilidoido-20">The Evolution of Useful Things</a> que a &uacute;nica coisa determinante sobre a forma &eacute; a frustra&ccedil;&atilde;o com o que j&aacute; existe. O desejo de ter algo melhor &eacute; o que motiva a inven&ccedil;&atilde;o de novas formas e n&atilde;o necessidades pr&eacute;-existentes. O garfo era absolutamente desnecess&aacute;rio enquanto as m&atilde;os e facas pontiagudas cumpriam a fun&ccedil;&atilde;o de levar o alimento &agrave; boca; a necessidade j&aacute; estava sendo atendida. Entretanto, o desejo pela distin&ccedil;&atilde;o social levou &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos garfos na mesa. </p>
<p>A forma &eacute;, portanto, delineada por uma multiplicidade de fatores dif&iacute;ceis de serem tracejados fora de contexto. Novos modelos surgem por mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es de uso, nos padr&otilde;es de comportamento social e nas tend&ecirc;ncias de estilos. Um bom <em>design</em> deve seguir tais mudan&ccedil;as e n&atilde;o ficar preso a um ideal de performance &oacute;tima para uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Os melhores <em>designs</em> encantam, os med&iacute;ocres funcionam.</p>

<cite>Publicado originalmente na Revista Design do site da <a href="http://www.tramontinadesigncollection.com.br/">Tramontina Design Collection</a>.
</cite><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/a_forma_nao_segue_necessariamente_a_funcao.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-05-21T21:15:46-03:00</dc:date>

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<title>De usuário a co-criador</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/de_usuario_a_co-criador.html</link>
<description><![CDATA[
<p>Na Web 2.0 fala-se muito sobre a geração de conteúdo por usuários, mas pouco sobre a participação deles na produção das ferramentas que publicam o conteúdo e mediam as relações.</p>

<p>Leia o <a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/02/05/de-usuario-a-co-criador/">artigo completo</a> no Webinsider.</p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/de_usuario_a_co-criador.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:subject>Artigos</dc:subject>
<dc:date>2007-02-05T08:55:10-03:00</dc:date>

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<title>Webdesigner 2.0</title>
<link>http://www.usabilidoido.com.br/webdesigner_20.html</link>
<description><![CDATA[
<p>A Web está mudando muito nos últimos anos para atender a crescente demanda por interatividade. As pessoas querem mais do que hipertextos, elas querem um meio para realizar atividades em conjunto com outras pessoas à distância. Como o profissional que dá forma à Web pode atender essa demanda?</p>

<p>Leia o <a href="http://webinsider.uol.com.br/vernoticia.php/id/2770">artigo completo</a> no Webinsider.</p><p><a href="http://www.usabilidoido.com.br/webdesigner_20.html#comments">Comente este post</a></p>
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<dc:date>2006-03-22T14:51:41-03:00</dc:date>

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